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Vacina contra sarampo e poliomielite deve ser repetida

Ao todo, 11,2 milhões de crianças entre um ano e menores de cinco anos devem ser vacinadas contra as duas doenças

Folha de São Paulo
Brasil
31/07/2018 às 21H02

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em meio à queda nos índices de cobertura vacinal, o Ministério da Saúde inicia na próxima segunda (6) uma campanha de vacinação contra sarampo e poliomielite.

Ao todo, 11,2 milhões de crianças entre um ano e menores de cinco anos devem ser vacinadas contra as duas doenças, independente da situação vacinal. Com isso, até mesmo aquelas que já receberam as doses no passado devem ser vacinadas novamente.

A medida visa evitar uma reintrodução da pólio no país e novo avanço do sarampo, doença que já leva a surtos em Roraima e Amazonas. O objetivo também é reforçar a proteção e facilitar a aplicação das doses, diz a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, Carla Domingues.

"Precisamos garantir o que chamamos de imunidade de grupo e termos 95% das crianças vacinadas. Dessa forma criamos uma barreira sanitária e evitamos com que os vírus do sarampo e pólio voltem a circular. A vacinação desse grupo também protege as crianças que ainda não podem receber a vacina porque ainda não tem idade", diz.

Conforme adiantado pela reportagem em junho, o país registrou em 2017 os índices mais baixos de vacinação de crianças em mais de 16 anos. Além disso, uma em cada quatro cidades do país apresentam cobertura abaixo da meta para as dez principais vacinas obrigatórias a bebês e crianças.

Diante dessa queda nas coberturas, o ministério decidiu mudar o foco das campanhas de vacinação realizadas a cada ano. Até então, havia apenas campanhas anuais de atualização da caderneta vacinal.

Agora, a pasta retoma a estratégia de realizar campanhas focadas contra algumas doenças, como o sarampo e a poliomielite, com vacinação indiscriminada, semelhante ao que era feito até 2014.

A expectativa é vacinar até 95% do público-alvo até o dia 31 de agosto, data prevista para o fim da campanha.

O esquema de vacinação mudará conforme cada caso. Crianças que nunca tiverem recebido doses na vida contra a pólio devem receber a VIP (vacina injetável). Já aquelas que já tomaram uma ou mais doses receberão a VOP (vacina oral), a "gotinha".

Para o sarampo, todas as crianças devem receber uma dose da vacina tríplice viral, que protege contra a doença e também contra caxumba e rubéola. A exceção são aquelas que já foram vacinadas contra a doença nos últimos 30 dias -estas, porém, ainda devem comparecer para tomar a vacina contra a pólio.

"Queremos fazer com que a criança possa receber uma dose de reforço. Se ela tiver uma falha vacinal [quando há menor proteção do que a esperada], por exemplo, isso pode ser corrigido com a dose extra", diz Domingues. "Não há risco de a criança ficar sobrecarregada", afirma.

Doses da vacina 

Ao todo, foram adquiridas 28,3 milhões de doses para serem aplicadas nos postos de saúde. O valor investido foi de R$ 160 milhões. Na TV, a estratégia terá a apresentadora Xuxa como madrinha. No vídeo, ela aparece com outros personagens infantis, como Galinha Pintadinha e Zé Gotinha.

Em 2016, o país recebeu um certificado de eliminação do sarampo. Atualmente, porém, o Brasil já registra 822 casos confirmados da doença, com cinco mortes. Já a pólio não é registrada no país desde 1989, mas apresenta índices baixos de vacinação, o que acendeu um alerta no Ministério da Saúde. "Não temos sinais de pólio no Brasil nesse momento, porém temos baixos índices de vacinação em todo o país", diz o ministro Gilberto Occhi.

O ministério atribui a redução de índices de vacinação a diversos fatores, como a uma falsa sensação de segurança dos pais diante da redução de doenças, ao horário limitado das salas de vacinação e ao avanço de informações falsas nas redes sociais.

Rede pública de saúde oferece vacinação contra a febre amarela - André Borges/ Agência Brasil
Foram adquiridas 28,3 milhões de doses para serem aplicadas nos postos de saúde- André Borges/ Agência Brasil

"A queda é multicausal e temos que tratá-la como tal. Os pais começam a achar que não precisa mais vacinar", afirma Domingues, do PNI.

Para a coordenadora, queixas das prefeituras sobre problemas no sistema de registro não são capazes de explicar, por si só, a queda nos índices vacinais. Ela afirma que a pasta costuma enviar dados aos estados e municípios a cada quatro meses para checagem.

"Quero deixar claro que esse não é o principal problema. Muitos municípios que dizem ter problema nos dados também não estão com a cobertura vacinal de 95%. Isso é botar para debaixo do tapete o problema que temos hoje. Se não tivéssemos baixas coberturas vacinais, não teríamos 800 casos de sarampo", afirma.

Questionada se houve demora em adotar medidas para reverter a queda nos índices, a coordenadora nega. "Já havia um alerta do ministério, mas não se sabia se era uma questão pontual ou uma tendência de queda. Agora com dois anos seguidos [de redução] já vemos uma tendência."

Segundo Occhi, a pasta estuda medidas para elevar os índices vacinais, como a extensão do horário de funcionamento de salas de vacinação.

Presentes no lançamento da campanha, especialistas também defenderam maior busca ativa de crianças não vacinadas e mais ações de educação dos médicos. "O médico que tem menos de 30 anos de formado nunca viu sarampo nem pólio", diz Isabela Ballalai, da Sbim (Sociedade Brasileira de Imunizações).

"A falta da doença circular causa relaxamento da busca [por não vacinados]. O médico tem que cobrar a cada consulta a caderneta de vacinação", diz Tania Petraglia, do comitê de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria.

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