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Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017
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União Astronômica Internacional pode batizar estrela com nome Cambirela

Associação de Florianópolis também propôs que um planeta receba o nome do músico, professor e astrônomo Sufijunior

Beatriz Carrasco
Florianópolis

Há pouco mais de dois anos, o Morro da Cambirela, em Palhoça, amanheceu coberto de neve e protagonizou um espetáculo que ficará guardado na memória de muitos catarinenses. A partir deste ano, no entanto, pessoas do mundo todo também poderão observar um Cambirela, mas neste caso no céu, já que o nome concorre na UAI (União Astronômica Internacional) para batizar uma das estrelas que ficam mais próximas ao nosso Sistema Solar, a epsilon Eridani.

Arte/ND
Veja como localizar a estrela epsilon Eridani no céu


“Em julho de 2013, quando ocorreu a formação de neve na Serra do Tabuleiro, o Cambirela tornou-se um verdadeiro popstar [do inglês, ‘estrela pop’] na região central do litoral catarinense”, relembrou Alexandre Amorim, coordenador do NEOA-JBS (Núcleo de Estudo e Observação Astronômica José Brazilício de Souza), ao comentar o motivo da escolha do nome. O profissional faz parte da associação do IFSC (Instituto Federal Santa Catarina) de Florianópolis, que enviou a proposta à instituição internacional.

Além do morro de Palhoça, outro astro poderá ser batizado com o nome de uma conhecida figura catarinense. Isso porque o planeta que orbita epsilon Eridani também faz parte da campanha, e a sugestão é para que seja chamado de Sufijunior, pseudônimo de José Brazilício de Souza (1854-1910), figura emblemática e patrono do NEOA-JBS, além de músico, astrônomo, professor e autor da melodia do hino de Santa Catarina.

“Uma vez escolhido o nome Cambirela para a estrela, pensamos em uma pessoa ou alguma coisa que vivesse em torno do morro”, explicou Amorim. “Assim como o planeta que orbita epsilon Eridani, que ainda tem muitos segredos a serem revelados, pensamos em um nome que combinasse mistério e conhecimento ao mesmo tempo. E o nome Sufijunior atende a essa combinação”, completou.

O enigma que gira em torno de Brazilício de Souza, segundo o coordenador, surgiu com o heterônimo adotado pelo astrônomo, que era usado para divulgar textos científicos nos jornais catarinenses e levar a astronomia ao público comum. “Um pseudônimo normalmente carrega certa atmosfera de segredo ou mistério”, observou Amorim.

O mistério de Sufijunior

Situada há dez anos-luz do nosso Sistema Solar, a estrela epsilon Eridani pode ser observada a olho nu e é conhecida desde a antiguidade, quando foi descrita em um dos primeiros catálogos de Claudio Ptolomeu, no século II d.C.. Seu planeta, no entanto, guarda mistérios até hoje, mesmo com a tecnologia avançada quando o assunto é observação de astros.

“O planeta nunca foi visualizado ou fotografado diretamente, porém, sabe-se de sua existência por efeitos dele sobre as características da estrela principal”, disse Amorim. “Para ilustrar isso, é como se encontrássemos as pegadas de uma pessoa em um lugar, mas não a pessoa diretamente. Ora, pelas pegadas julgamos que uma pessoa caminhou por aquele lugar”, acrescentou.

O coordenador do NEOA-JBS ainda relatou que nem mesmo o telescópio espacial Hubble conseguiu fotografar o planeta. “Porém, o telescópio realizou medições precisas na posição da estrela, que foram suficientes para detectar a presença do planeta. Com a devida licença poética, quem será Sufijunior? Sabemos que ele existe... Mas qual sua verdadeira identidade?”, brincou Amorim.

Como encontrar epsilon Eridani

Nesta época do ano, epsilon Eridani nasce por volta da meia-noite e pode ser observada durante toda a madrugada. Localizada na constelação de Erídano, para encontrá-la basta partir das famosas Três Marias. “A partir daí, localize a estrela Rigel, que é mais brilhante que as Três Marias. A separação entre a estrela do meio das Três Marias e a Rigel é de 9 graus, o equivalente à mão fechada com o braço estendido”, orientou o coordenador.

“A partir de Rigel, localize as estrelas delta Eridani e gama Eridani. Elas estão situadas a aproximadamente 22 graus a oeste de Rigel, o equivalente à separação entre o polegar e o dedo mínimo com a palma da mão aberta e o braço estendido. Pronto, logo a oeste de delta Eridani está a nossa epsilon Eridani”, completou.

A participação catarinense na votação marca a primeira vez que a UAI, órgão oficial para essas nomenclaturas, abriu ao público a escolha de nomes. Segundo o regulamento, qualquer pessoa pode votar no site da instituição, em prazo que começou na terça-feira (11) e que termina em 31 de outubro. Segundo Amorim, em dois dias a campanha havia recebido 60 mil votos. A dupla “Cambirela e Sufijunior” concorre com mais nove propostas, enviadas por outras associações de astronomia.

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