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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Uma aula que vem do mar

Centro Cultural da Marinha abre nesta quinta-feira (30), com 1.800 peças que ajudam a contar a história do Brasil

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis

Florianópolis e região contam, a partir desta quinta-feira (30), com um novo museu. E não é um museu qualquer, porque suas 1.800 peças são uma verdadeira aula de história do Brasil. O Centro Cultural da Marinha em Santa Catarina contém documentos e objetos que remetem à vida no mar, especialmente em relação à navegação, aos descobrimentos, a batalhas navais e a conflitos que tiveram a água como cenário. De astrolábios do século 16 a ogivas utilizadas em combate, passando por mapas, fotografias, reproduções de capas de jornal e instrumentos de tortura, um imenso arsenal de informações foi reunido na antiga sede do 5º Distrito Naval, conhecida como forte Santa Bárbara (rua Antonio Luz, 260, Centro).

Marco Santiago/ND

 

Muito bem localizado, o prédio que abriga o acervo já é uma atração, porque ali funcionou uma fortaleza construída na primeira metade do século 18. Depois, abrigou a Capitania dos Portos, sediou o governo estadual entre 1893 e 1895 (época da Revolução Federalista) e foi tombado em 1984, após uma ameaça de demolição nos anos 60, como patrimônio histórico. Nos dois andares do prédio o visitante vai encontrar ambientes que rememoram episódios como a guerra do Paraguai, a abolição da escravatura e a segunda guerra mundial, mesclados com referências à evolução das comunicações e às longínquas expedições de Espanha e Portugal em busca das especiarias no Oriente.

Protegido por estantes com vidros, o acervo contém bússolas, quadrantes, aparelho de telégrafo, pistolas e espingardas usadas pelos exploradores, balanças, chaleiras de ferro, talheres, louças, moedas, timões, capacetes, binóculos, rádios a pilha e velhos instrumentos médicos. Chamam a atenção um calendário lunar, ampulhetas, relógios de sol, lunetas e outros instrumentos de navegação náutica. E, mais ainda, suásticas nazistas e objetos que lembram a participação japonesa no conflito mundial de 1939/45, no qual o Brasil também se envolveu. Armas brancas, peças de carpintaria naval, miniaturas de navios e submarinos, instrumentos óticos de precisão, antigos modelos de passaporte – tudo isso e muito mais está no mais novo centro cultural da cidade.

Marco Santiago/ND

 

Casa terá biblioteca e auditório

Responsável pela montagem do museu, o Instituto Cultural Soto levou dois anos para reunir todas as peças, formando um conjunto sem similar no Brasil. Vinculada à Univali (Universidade do Vale do Itajaí), a entidade traz a experiência de outros projetos museológicos, porque respondeu pela criação do museu Casa do Homem do Mar (em Bombinhas), do Museu Histórico de Porto Belo, do Ecomuseu da Univali e do museu oceanográfico da mesma instituição. “Aqui, apresentamos objetos do mundo todo, cedidos em comodato para a Marinha”, informa o professor Jules Marcelo Rosa Soto, que é curador do Ecomuseu e do Museu Oceanográfico da Univali.

Soto explica que a montagem obedeceu a modernos critérios museográficos e que muitas peças já faziam parte do acervo do instituto. O presente trabalho foi precedido de uma intervenção no prédio, que não tinha plantas e apresentava problemas sérios no sistema elétrico. Ali, entre outros órgãos, funcionou a Fundação Franklin Cascaes, braço cultural da Prefeitura de Florianópolis. Autoridades que se pronunciaram na cerimônia de inauguração do centro cultural ressaltaram o fato de a Marinha oferecer uma nova opção de lazer aos moradores e turistas, numa cidade que tem vínculo histórico com o mar.

Ao apresentar o acervo aos visitantes, Soto destacou os feitos da Marinha brasileira e disse que na corporação, por exemplo, a escravatura foi abolida bem antes do ato da princesa Isabel, em 1888. Parte do acervo ainda está sendo preparado para se incorporar às peças do museu, que vai funcionar de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 17h, inicialmente sem cobrança de ingressos e a necessidade de agendamento prévio. Numa segunda fase, a casa receberá uma biblioteca com mais de 700 obras raras e um auditório para 45 pessoas.

Marco Santiago/ND

 

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