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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Um ano após transplante de fígado, João Vitor leva a vida de criança saudável

Menino de Palhoça trocou as constantes visitas ao hospital pela creche. Não precisa mais de dietas rigorosas e tem disposição para brincar

Alessandra Oliveira
Palhoça

O aluno João Vitor, 5 anos, precisou interromper algumas vezes a rotina de puxar a mochila azul até a sala de aula. Mas as faltas à unidade de ensino diminuíram enquanto sua saúde melhorava. Um ano após o transplante de fígado, que completa nesta quinta-feira (20), o garoto de Palhoça leva uma vida normal. Não precisa mais de vitaminas ou antibióticos. E, em setembro, passará pela última consulta médica do ano, em São Paulo (SP).

Marco Santiago/ND
João Vitor (à esq.) brinca com os amiguinhos na creche

 

Pela manhã, João Vitor pula, dança e brinca normalmente em casa. Às 13h, adentra a creche que funciona no conselho comunitário do bairro Alto Aririú, em Palhoça. Ali João Vitor aprende a ler e escrever. Além do processo de alfabetização, o garoto desenha, colore, brinca no parquinho e faz lanche com os colegas no refeitório. Os cabelos loiros ainda não cobriram completamente a cabeça, mas são os últimos sinais de que o menino de olhos azuis passou por quimioterapia. 

João ainda não sabe escrever, mas pensa em duas profissões a seguir: médico ou piloto de avião. As opções são fruto das idas e vindas aos hospitais de São Paulo e do contato que teve durante as viagens, consultas e exames.  “Meu sonho é ver o João Vitor crescer e se formar. Essa é minha nova luta, porque o câncer ele não tem mais”, afirmou a avó, Maria Freitas dos Santos, 52. A dona de casa é quem leva e busca diariamente o menino na creche. Maria tem a guarda do pequeno desde que ele tinha três meses de vida.

Ao lembrar-se do pior momento de sua vida - o dia em que os médicos disseram que não havia esperança para o caso do garoto-, a avó comemora o fato de poder levar o neto à creche e vê-lo levando uma vida normal. “Ele ama comer peixe e frango. Gosta de beterraba e cebolas em conserva. Também não dispensa um pedaço de pão com melado”, contou. A alimentação normal do garoto é para a avó uma vitória, devido a todas as privações pela quais ela viu o menino passar. 

 

Marco Santiago/ND
A avó leva o menino para a creche

 

Apego com a doadora

Diariamente João fala ao telefone com a pessoa que lhe deu a segunda chance de vida, a doadora Tatiana Solanco, 35. Nos fins de semana, eles passam algum tempo juntos. “O João está bem. Toma somente remédio contra a rejeição do transplante”, ressalta orgulhosa. A moradora de Santo Amaro da Imperatriz estava em uma igreja, no Alto Aririú, quando viu o apelo da avó de João, que buscava por um doador, depois de ver esgotadas as possibilidades dentro da própria família.

Tatina pesava 103 quilos. Perdeu 32 em sete meses para poder doar parte de seu fígado ao menino. “Tudo valeu a pena. Ele está vivo e saudável”, disse. A doadora brinca, ao dizer que quase tema a guarda compartilhada do menino, tamanho é o apego entre os dois.

Em setembro João Vitor passará por novos exames de rotina. O acompanhamento médico será necessário durante os primeiros cinco anos após o transplante. “Um ano se passou. É como se fosse o primeiro ano de vida dele. Meu neto nasceu novamente”, observou a avó.

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