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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Tuberculose é epidemia entre moradores de rua de Florianópolis

Poderes públicos admitem situação alarmante e planejam ações de combate à doença

Edson Rosa
Florianópolis

A adoção de plano emergencial para enfrentamento da tuberculose, umas das doenças infectocontagiosas que se espalham com maior rapidez entre moradores de rua em Florianópolis, finalmente começa a ser discutido de forma integrada entre técnicos das secretarias municipais da Saúde e da Assistência Social.  Alarmante, o quadro chamou a atenção do Procurador Regional dos Direitos Humanos do Ministério Público Federal, Maurício Pessuto, que coordenou a primeira reunião entre as duas pastas para discussão das primeiras ações articuladas, como identificação de grupos mais vulneráveis, diagnóstico facilitado e tratamento adequado.

:: Doentes e criminalizados, peregrinos urbanos se multiplicam em Florianópolis

Eduardo Valente/ND
Moradores de rua contam com pequena rede de assistência em Florianópolis


Uma das primeiras medidas práticas, o levantamento para atualização do número de infectados e com sintomas caberá à comissão intersetorial formada por técnicos das duas secretarias. Segundo  a diretora de Proteção Especial da Assistência Social, Kátia Abraham, a falta de profissionais de saúde preparados para atendimento é uma das dificuldades enfrentadas no dia a dia na rede de abrigos do CentroPop (Centro de Referência em População em Situação de Rua).

As ações de prevenção e tratamento devem ser permanentes, alerta a gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, Ana Cristina Vidor.  “Este é um dos grandes desafios da saúde pública”, reconhece. O aumento da incidência da doença em populações vulneráveis, segundo a médica, tem como uma das causa o abandono do tratamento prolongado e ininterrupto, entre seis e nove meses. “É um problema de todos, é preciso um montar um plano prático. Mas fizemos apenas uma reunião”, argumenta Ana Cristina Vidor.

Em 2013, a Capital registrou 321 casos de tuberculose, sendo 5,9% são casos de pessoas em situação de rua, segundo a Secretaria de Saúde. A taxa de abandono do tratamento entre moradores de rua naquele ano foi de 42,1%. “Um dos grandes riscos é que o paciente desenvolva doenças concomitantes ou tuberculose super-resistente”, diz a gerente.

Impressões digitais para localizar desaparecidos

Localizar e identificar pessoas perdidas nas ruas é mais ou menos como o dito popular: procurar agulha no palheiro. Mais difícil ainda é convencê-las a voltar para casa. A reação quase sempre arredia diante da abordagem, a falta de documentos, o apego a drogas e os transtornos psiquiátricas são complicadores no dia a dia das agentes da Delegacia de Proteção às Pessoas Desaparecidas, da Polícia Civil.

“Às vezes, também pagamos a passagem de volta. Nem sempre dá para esperar a burocracia”, explica a agente Márcia Hendges, 44. Desde o início deste ano, foram sete operações nas ruas centrais, albergues e no CentroPop. “É preciso ficar claro que sair de casa e perambular não é crime”, ressalta a policial.

A rotatividade é grande, diz Márcia. De 44 pessoas cadastradas na semana passada, 42 eram novatos nas ruas da cidade, e nenhum deles portava documentos. São gaúchos, paulistas, mineiros, paranaenses, mas também tem  gente  da Espanha, do Peru, do Uruguai, africanos e haitianos.

Apesar da resistência natural, os policiais tentam ganhar a confiança de quem é abordado. “Explicamos a importância do cadastramento e identificação de quem em situação de autoflagelo na rua. Mostramos que sofrem mãe, pai, irmãos e familiares próximos.”

A identificação é o primeiro passo para a localização e, dependendo da vontade de quem está na rua, providenciar o retorno ao ambiente familiar. Para ajudar, técnicos em papiloscopia do IML/IGP (Instituto Médico Legal do Instituto Geral de Perícias) coletam impressões digitais para inclusão no Cadastro Nacional da Segurança Pública.

 

Rede de atendimento

Assistência social

 

CentroPop

Avenida Gustavo Richard, Passarela do Samba Nego Quirido, Centro.

Vagas: de 100 a 120 homens e mulheres.

Serviço: atendimento psicossocial, das 8h às 17h, para café da manhã, almoço, lanche da tarde e oficinas.

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Casa de Acolhimento

Rua General Bittencourt, 587, Centro.

Vagas: 30 homens.

Serviço: atendimento sem prazo definido para acompanhamento psicossocial, com encaminhamento para capacitação profissional inserção no mercado de trabalho e reintegração social.

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Albergue Municipal

Rua General Bittencourt, 587, Centro.

Vagas: 50 homens.

Serviço: das 19h às 7h, para banho, janta e pernoite.

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Casa de Apoio Social ao Morador de Rua

Rua Dona Vicentina Goulart, 186, Jardim Atlântico.

Vagas: 30 homens

Serviço: atendimento  ininterrupto, com higiene, alimentação e acolhimento de adultos em situação de fragilidade social e debilidade física e mental.

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Casa de Passagem para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica e em Situação de rua

Avenida Albert  Sabin, Agronômica.

Vagas: 25 mulheres, com filhos pequenos.

Serviço: proteção psicossocial durante situação de risco.

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Casa de Acolhimento a Mulheres Vítimas de Violência e em Situação de Rua

Avenida Albert  Sabin, Agronômica.

Vagas: 25 mulheres.

Serviço: proteção psicossocial ininterrupta.

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Centro de Convivência do Movimento dos Moradores de Rua

Rua Nestor Passos, Morro do Mont Serrat, Centro.

Vagas: 14 homens e mulheres

Serviço: cursos de alfabetização, jardinagem e gastronomia e inserção no mercado de trabalho.

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Casa de Apoio Engenho de Deus - Ação Social e Cultural Nossa Senhora da Lapa

Rod SC 405, 1.685, Rio Tavares, 1685

Vagas: 15 honens

Serviço: atendimento psicossocial e acolhimento e adultos em situação de rua.

 

Fonte: Secretaria Municipal de Assistência Social

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