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Transporte, educação e saúde são afetados na Grande Florianópolis em dia de paralisação

MPT não reconheceu ato na Lei da Greve; transporte alternativo funcionou com problemas

FÁBIO BISPO e GUSTAVO BRUNING
Florianópolis
19/02/2018 às 21H58

Protestos e transtornos:

É na primeira segunda-feira depois do Carnaval que o brasileiro se investe mais puramente da sua figura de cidadão. De trabalhador, empresário ou aposentado pagador de impostos. Mas neste ano essa volta não ocorreu com tanta normalidade assim. A possibilidade de aprovação da Reforma da Previdência —ainda suspensa por conta da intervenção federal no Rio— atravessou o dia de quem vive na Grande Florianópolis com uma série de paralisações que começaram pelo transporte público e em efeito cascata afetaram diversos serviços. Quem tentou sair de casa contou com poucas alternativas e precisou de muita paciência. O comércio também sofreu com o baixo movimento e com faltas de funcionários. Quem não tinha escolhas disputou uma vaga nas escassas vans ofertadas pelo município ou teve que contar com a disponibilidade de caronas.

Mas se por um lado parte dos trabalhadores que compõem os quadros sindicais, sentindo-se investidos pelo direito de protestar como cidadãos levaram 800 pessoas às ruas centrais de Florianópolis no principal ato do dia, que ocorreu entre as 16h e 18h, outra parcela da população sofreu com falta de serviços.

Os planos da Prefeitura de Florianópolis em manter a volta às aulas não funcionou como fator de pressão. Escolas em todas as regiões da cidade foram afetadas. Em muitas delas, sem professores, o calendário do primeiro dia de aula acabou sendo trocado por alguma atividade alternativa. O atendimento nos postos de saúde também ficou prejudicado com a falta de técnicos.

Protesto pelo centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND
Protesto pelo Centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND




As vans prometidas pela Prefeitura de Florianópolis para subsidiar o transporte alternativo também não tiveram o efeito esperado. Isso porque parte da categoria ligada ao setor turístico aproveitou o momento para levantar sua bandeira e cobrar do prefeito regulamentação da lei que trata do funcionamento de veículos de turismo na cidade, lei 10.194/2017 aprovada em janeiro do ano passado. O prefeito Gean Loureiro (MDB) lamentou o ocorrido: “Não era o momento de deixar a cidade na mão”, disse.

MPT não reconhece paralisação na Lei da Greve

Para tentar se resguardarem legalmente, as categorias que aderiram ao movimento de paralisação aprovaram em assembleias a adesão ao movimento. Um desses grupos foi o Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano), que seguindo o previsto comunicou o ato ao MPT (Ministério Público do Trabalho) 72 horas antes.

No entanto, o comunicado acabou arquivado pela Procuradoria do Trabalho em Florianópolis por não ter, segundo o órgão, respaldo legal na Lei de Greve (Lei nº 7.783/89). Segundo informou o MPT, “a paralisação noticiada não tem como objeto de reivindicação direitos ou condições de trabalho”, informou.

Todos querendo exercer seus direitos

Se por um lado a possibilidade de mudanças na Previdência ainda assusta muita gente, por outro a quem tenha deixado a questão de lado, pelo menos por enquanto, para correr atrás de questões anteriores a esta briga por direito, como por exemplo sair para procurar emprego.

É o que fazia Luan Machado, de 22 anos, entrevistado pela equipe do ND no Centro. Ele saiu cedo da Costeira para ir ao Centro fazer uma entrevista de emprego. Para isso pegou uma van, fez a entrevista, e na volta não encontrava mais os veículos para retornar. “É complicado uma paralisação em uma segunda-feira, quando os estudantes voltam para as aulas e para os cursos, os trabalhadores retornam ao serviço”, opinou.

Já Natália Basillio, 20 anos, lamentou não ter sido liberada do serviço para participar do protesto que passou em frente a loja que trabalha durante a tarde. “Só não é greve geral porque estão descontando de quem faltar, mas eles [os manifestantes] também estão lutando pela gente que tá aqui trabalhando”, contou.

Mesmo mantendo o dia como de trabalho normal, o comércio sofreu com o baixo movimento e com atrasos ou faltas de funcionários. No centro, não foi raro encontrar algumas lojas com as portas fechadas.

O ato que reuniu cerca de 800 pessoas às 16 horas no centro contou com participação de diversas centrais sindicais. A manifestação foi encerrada as 18h sem ocorrências.

Conteúdo das aulas será reposto

O prefeito Gean Loureiro e o secretário de Educação, Maurício Fernandes Pereira, se manifestaram sobre a volta às aulas no dia de paralisação. “Mesmo sabendo da falta de ônibus decidimos manter as escolas e creches abertas para não prejudicar as crianças, além dos pais que precisavam trabalhar. Os alunos que não conseguiram chegar até a unidade de ensino não perderão matéria”, disse Gean.

Já o secretário Maurício informou que o município não poderia mudar a programação para que o município não “fique refém da agenda dos sindicatos”, disse. “Todos os atendimentos que foram prejudicados serão recompensados”, emendou Maurício.

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