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Transportadoras multadas durante a greve questionam penalização da AGU

Até agora, a maior penalizada é a Transmaroni, que recebeu três multas, na BR-116, a Régis Bittencourt, em Embu (SP), que somam R$ 20,2 milhões

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
01/06/2018 às 09H49
Caminhão - EBC/Divulgação
Alguns empresários afirmam que seus caminhões e motoristas pararam em vias públicas devido a ameaças dos manifestantes. - EBC/Divulgação


ANA PAULA RAGAZZI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Empresários de transportadoras multadas pela AGU (Advocacia Geral da União) por terem veículos obstruindo estradas durante a paralisação dos caminhoneiros se mostraram surpresos com a penalização.

Cinco deles, ouvidos pela reportagem, afirmam que seus caminhões e motoristas não participaram do movimento e, se pararam em vias públicas, foi porque foram impedidos de seguir viagem por ameaças dos manifestantes.

Eles alegam ter áudios, fotos e imagens em celulares que comprovam as ameaças.

A AGU informa que o pedido de pagamento das multas ajuizado no Supremo Tribunal Federal foi feito com base em informações da PRF (Polícia Rodoviária Federal.

"A ação foi embasada em vasta documentação comprobatória de descumprimento da decisão do ministro Alexandre de Moraes que proibiu o bloqueio de rodovias por caminhoneiros", diz a AGU.

A PRF não foi encontrada para comentar o assunto.

Até agora, a maior penalizada é a Transmaroni. Dona de 400 veículos, recebeu três multas, na BR-116 --a Régis Bittencourt-- em Embu (SP), que somam R$ 20,2 milhões.

O sócio Gustavo Maroni afirma que nem a empresa nem seus funcionários promoveram o movimento.

"Fizemos todo o possível para trabalhar. Temos trocas de emails com a PRF pedindo ajuda para liberar nossos caminhões dos bloqueios, mas o que eles nos informaram foi que a prioridade seria daqueles que transportavam combustíveis", disse Maroni.

Ele diz que houve carros apedrejados e motoristas feitos de refém. "E ainda recebemos uma multa nesse valor, para pagar em 15 dias, o que acaba com o fluxo de caixa de qualquer empresa", diz.

Se as multas não forem pagas no prazo, definiu o ministro Moraes, os bens das companhias serão bloqueados.

Clecio Tombini, do grupo que leva seu sobrenome, teve um dos 600 veículos de sua empresa multado em R$ 9,4 milhões também na Régis. Esse valor representa 40% do faturamento mensal da empresa, de cerca de R$ 25 milhões.

"Não conseguimos trabalhar nesses últimos 10 dias, o que me trouxe perda de faturamento de R$ 10 milhões e agora recebemos uma multa de forma arbitrária", diz.

Ele afirma que tem recebido o apoio de clientes, dispostos a ajudá-lo a comprovar que fez todos os esforços para manter sua frota rodando.

O caso da Transportes Idamar é ainda mais "dramático", nas palavras do dono Henrique Locatelli. A empresa possui 15 caminhões, tem capital social de R$ 4 milhões e foi multada em R$ 9,2 milhões.

"Provavelmente teremos de vender caminhões para conseguir continuar operando depois de 10 dias parados, sem faturamento", diz Locatelli. "Como vamos arcar com uma multa dessas? Ela coloca em risco o futuro da empresa".

Ele também afirma que fez o possível para atender os clientes, inclusive mantendo os caminhões refrigerados parados em seu pátio para não danificar as cargas.

Alcemir Sardagna, diretor da Transmagna Transportes, diz que ouviu rumores da paralisação, mas que não acreditou que fosse se concretizar e pôs os caminhões para viajar.

"Se eu tivesse liderando, meu caminhão seria o primeiro da fila, não estaria preso num bloqueio", resumiu.

Sardagna relata ainda, como também contam os outros empresários, que não houve ninguém da PRF que abordou o motorista oferecendo condições seguras para que ele seguisse seu caminho, passando pelos bloqueios.

"O que nos deixa perplexos é que naquele momento não havia fisicamente como sair dali, existia ameaça à vida", diz.

Camila Budel trabalha na transportadora da família, que tem 500 caminhões que transportam inclusive cargas inflamáveis como combustível, resina e cola. Foi multada em R$ 400 mil, na BR 116.

"Todos os nossos caminhões possuem câmeras. As imagens mostram três tentativas dele de furar os bloqueios, sem sucesso", diz.

A empresária destaca o prejuízo que terá na sua imagem junto a clientes por ser apontada como incentivadora do movimento.

"Nem sabíamos da paralisação. Nosso caminhão ficou parado, inclusive, perto de uma de nossas bases, em Embu, e não conseguiu nem chegar lá", diz.

Os empresários reclamam que foram publicamente expostos com as multas, sem direito de defesa, e agora conversam com advogados para ver o que pode ser feito. Afirmam também que não foram convidados a participar de nenhuma parceria empresarial para promover a paralisação.

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