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Quinta-Feira, 25 de Maio de 2017
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Transportado em caminhões, esgoto do Campeche também chega aos rios do Brás e Papaquara

Esgoto bruto é despejado no sistema da Casan no Norte da Ilha

Edson Rosa
Florianópolis

Transportado em caminhões tanques, parte do esgoto bruto produzido por moradores e veranistas das praias do Sul da Ilha também é despejado diariamente no sobrecarregado sistema da Casan do Norte da Ilha. Estes efluentes são misturados ao material in natura das ligações clandestinas à rede de drenagem pluvial e contribuem para a poluição das águas dos rios Papaquara e do Brás e, consequentemente, da praia de Canasvieiras.

:: ICMBio concorda com fechamento temporário da foz do rio do Brás

Flávio Tin/ND
Carregado com 15 mil litros retirados pela manhã de fossas residenciais no Campeche, caminhão espera vez para descarregar esgoto na estação de tratamento do Norte da Ilha


Um destes veículos, pertencente à empresa Fossão, de Palhoça, e ostentando na cabine o selo da LAO (Licença ambiental de operação) emitida pela Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente), permaneceu estacionado durante toda a tarde desta segunda-feira (18) defronte ao portão da ETE (Estação de tratamento de esgoto) de Canasvieiras/Cachoeira do Bom Jesus, ao lado do Sapiens Parque.

Carregado com 15 mil litros retirados pela manhã de fossas residenciais no Campeche, o motorista Osvaldo Dedeco, 51 anos, esperava o sinal verde para despejar a carga em uma das lagoas aeróbicas.

Depois de atravessar a cidade de Norte a Sul, viagem de 35 quilômetros realizada em aproximadamente duas horas no caótico trânsito local, somente às 17h Dedeco teve autorização para entrar na ETE.

Depois de conectar a mangueira do caminhão em uma das válvulas de entrada do sistema de aeração [primeira etapa do processo biológico de tratamento da Casan], em pouco mais de 30 minutos fez a transferência da carga avaliada em R$ 1.800.

“É muito tempo perdido, o patrão está perdendo dinheiro”, resume Dedeco, que em dias normais costumava fazer três ou quatro descargas na ETE. Quando o esgoto levado é do Campeche ou de outros bairros do Sul da Ilha, como ocorreu nesta segunda-feira, o normal seriam pelo menos duas viagens.

“A Casan chegava a receber até 20 caminhões por dia, mas ultimamente está restringido a três ou quatro. É preciso esperar duas horas de um despejo ao outro, para não sobrecarregar ainda mais a estação”, diz.

Segundo Dedeco, não é justo a comunidade acusar os caminhões limpa fossas de poluírem os rios da cidade. “A maioria trabalha certinho”, garante.

 

Falta de manutenção causa colapso

O colapso no sistema do Norte da Ilha, na avaliação do caminhoneiro Osvaldo Dedeco, é resultado da falta de manutenção preventiva. Para reforçar o que diz Dedeco, ontem técnicos da Casan trabalharam o dia inteiro na desobstrução da canalização da ETE, inclusive com utilização de produtos anticorrosivos e caminhões bombeadores.

Além disso, caminhões particulares de sucção foram contratados especialmente para retirar esgoto da rede entupida nos bairros do Norte da Ilha.

A alternativa de bombear da rede e levar esgoto de caminhão para a estação de tratamento é uma das tentativas da Casan para suprir as deficiências do sistema de bombeamento.

Paralelamente, a empresa construiu emissário terrestre como rede alternativa para aliviar a carga da estação de transbordo do rio do Brás. A intenção é elevar a carga de esgoto levada à ETE de Canasvieiras.

 

Sul da Ilha perde R$ 105 milhões para tratamento

Pousadas, hotéis, restaurantes, supermercados e casas do Campeche e bairros vizinhos estão entre os clientes do caminhão limpa fossa de Osvaldo Dedeco.

Com aproximadamente 120 mil habitantes, população que triplica no verão, o Sul da Ilha não tem sistema de tratamento de esgoto, apesar da existência de rede coletora em algumas áreas do Campeche e do Alto Ribeirão.

A tubulação enterrada chega a 40 quilômetros de extensão e, segundo técnicos da própria Casan, apesar de não ligar nada a lugar algum, vem sendo usada indevidamente.

A previsão era construir a estação com tratamento terciário junto ao leito do rio Tavares e despejo na baía Sul, em área da Reserva Extrativista Marinha do Pirajubaé, maior banco de berbigões do Sul do Brasil.

Embargada pela Justiça Federal, depois de ação do Ministério Público Federal em nome do ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade), a obra deveria ser entregue em dezembro deste ano, mas perdeu prazo e o investimento de R$ 105 milhões da Jica (Agência Japonesa de Cooperação Internacional). 

O plano B para o Sul da Ilha, o emissário submarino para despejo do esgoto tratado a 20 quilômetros da Costa, além da Ilha do Campeche, foi descartado por ser alternativa muito cara.

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