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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Transexuais reclamam de preconceito durante prova do Enem

Estudantes tiveram o nome social deixado de lado e foram obrigadas a usar o banheiro de deficientes

Redação ND
Florianópolis

A citação da célebre frase da filósofa Simone de Beauvoir “ninguém nasce mulher: torna-se mulher”, escrita em uma das perguntas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), contrastou com o tratamento recebido por transexuais que fizeram a prova no sábado (24).

Segundo a Agência Brasil, estudantes tiveram o nome social (que corresponde à identidade de gênero) deixado de lado, foram obrigadas a usar banheiro de deficientes e contam que se sentiram humilhadas.

Agência Brasil/Divulgação
Tyfany Stacy contou que foi humilhada por fiscais

 

Lara Lincon Milanez Ricardo é uma das 278 transexuais e travestis que solicitaram o uso do nome social no Enem – número três vezes maior que em 2014. Em Duque de Caxias (RJ), no Centro Integrado de Educação Profissional 320, onde fez a prova, ela contou que os fiscais não sabiam orientar sobre a assinatura na lista de presença, se devia ser como na identidade ou não, e a deixaram constrangida.

“A coordenadora e a fiscal começaram a falar abertamente, na frente de todo mundo, 'ele mudou de nome, agora se chama Lara' e ficaram se referindo a mim no gênero masculino”, criticou.

A situação se agravou, segundo ela, quando uma das fiscais pediu para que Lara corrigisse a assinatura: “ela disse 'ah, meu filho, você não pode assinar nome fictício aqui'. Reparei em volta todo mundo olhando para minha cara. Fiquei apavorada”, desabafou.

Quem também deixou a prova relatando discriminação foi Tyfany Stacy. Ela disse que foi humilhada por fiscais e encaminhada para o banheiro de deficientes e não para o feminino.

“Tenho cabelo na cintura, prótese de 400 mililítros nos seios, 113 centímetros de bumbum e nenhum pelo no rosto. Vou ter que aumentar minha silhueta para ser reconhecida como (mulher) trans? Perguntei para a coordenadora se eu tenho alguma deficiência”, relatou.

Ela disse, ainda, que conseguiu manter a concentração, mas quer evitar a situação no segundo dia de Enem. “Amanhã (domingo) estarei aqui de novo, vou passar pelos mesmos problemas, frequentar banheiro de deficiente, ser tratado como 'ele' e ainda ouvir chacotas?”, questionou.

O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), responsável pela aplicação das provas, não comentou os relatos de constrangimento. Em nota, disse que todas as “ocorrências” na prova são relatadas em ata e analisadas, posteriormente, “caso a caso”. Perguntado quais critérios para inscrição com nome social, o instituto não respondeu.

Informações da Agência Brasil.

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