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Tragédia na Itália reacende alerta sobre reformas nas pontes da Capital

Diretor da Associação Catarinense de Engenharia diz que estruturas da Pedro Ivo e Colombo Salles não correm risco de desabar

Andréa da Luz
Florianópolis
17/08/2018 às 20H55

A queda da ponte Morandi, em Gênova, na Itália, no dia 14 de agosto, que deixou 38 mortos, 15 feridos e 20 pessoas desaparecidas, reacendeu o alerta para a necessidade de manutenção e reforma nas pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Salles, em Florianópolis. No caso da Itália, uma das principais hipóteses para o acidente é a vulnerabilidade da infraestrutura e do material utilizado para a construção, o concreto armado. O material se degrada ao longo do tempo e demanda frequente (e cara) manutenção. A ponte italiana foi construída na década de 1960.

Outro incidente ocorrido em fevereiro deste ano, quando parte de um viaduto desabou no Eixão Sul, área central de Brasília, já havia colocado em alerta os florianopolitanos. O motivo: as únicas travessias Ilha-Continente são feitas pelas pontes Pedro Ivo e Colombo Salles, construídas respectivamente em 1991 e 1975, e que nunca passaram por obras completas de reparo. A falta de manutenção foi a causa do colapso na estrutura do viaduto em Brasília, que apesar de não ter ferido ninguém, deixou dois carros soterrados e outros dois danificados, sem falar nos prejuízos causados aos cofres públicos.

É preocupante ver essas tragédias e lembrar do estado precário das pontes de Florianópolis. Entretanto, apesar de precisarem de reforma urgente, não há perigo imediato de desabamento como o ocorrido na Itália, segundo o diretor da ACE (Associação Catarinense de Engenharia), engenheiro civil Roberto de Oliveira.

Ele não vê semelhanças significativas entre as pontes de Florianópolis e a de Gênova. "Pelo que vi nas imagens da ponte desabando, os pilares de concreto pareciam fracos demais, feitos com pouca ferragem, e o pilar composto que caiu pode ter sido malfeito", opinou. "As nossas pontes, ao contrário, foram bem-feitas e os danos de corrosão não chegam à estrutura principal. Seriam necessários mais dez ou 15 anos sem manutenção para haver algum risco de queda", concluiu.

O problema, de acordo com Oliveira, é que quanto mais as reformas demorarem a ser realizadas, maiores serão as chances de precisar interditar algum trecho das pistas durante as obras. E como as pontes estão superutilizadas - são cerca de 150 mil veículos por dia, qualquer interrupção provocará transtorno no tráfego. Sem falar nas pessoas que atravessam a pé ou de bicicleta pelas passarelas.

Preocupação maior é com a base do bloco de fundação das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos - Flávio Tin/ND
Preocupação maior é com a base do bloco de fundação das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos - Flávio Tin/ND


Reparos necessários

Com 27 anos, a ponte Pedro Ivo necessita de raspagem e pintura. "Como sua estrutura principal é feita de aço e ela é mais recente, a reforma é mais fácil", afirmou o engenheiro Roberto de Oliveira. Já a Colombo Salles, que tem 43 anos, precisa de raspagem e de uma manutenção na proteção das armaduras (ferros).

Oliveira explicou que a estrutura mais antiga foi feita basicamente com concreto armado protendido - material mais reforçado do que o concreto comumente utilizado na construção de prédios, porém mais leve - e que a manutenção em obras desse tipo são mais difíceis e caras. "A correção em uma obra de concreto é mais difícil do que em uma estrutura metálica e também mais cara por precisar montar e desmontar andaimes durante o processo. Além disso, provavelmente parte desses andaimes ficarão apoiados sobre trechos da pista de rolamento, interrompendo parcialmente o trânsito", avaliou.

Fim da novela?

A reforma das pontes passa por um longo processo que se arrasta desde 2011, quando o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) alertou para a necessidade urgente de manutenção. Apenas cinco anos depois, em 2016, uma empresa de Curitiba (PR) venceu a licitação para realizar a obra de manutenção, por R$ 29 milhões.

No entanto, outro processo licitatório para contratar a empresa que fiscalizará a obra foi suspenso por duas vezes pelo TCE/SC (Tribunal de Contas do Estado), em outubro de 2017 e novamente em maio deste ano, por haver inconsistências no edital.

Na quarta-feira da semana passada, 8 de agosto, o Tribunal revogou a medida cautelar que havia suspendido o edital de concorrência nº 008/2018 para a seleção de empresa de consultoria das obras, após as correções feitas no certame pelo Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura). Agora, depende do órgão de infraestrutura correr atrás do tempo perdido e republicar o edital corrigido, com a reabertura dos mesmos prazos previstos na publicação anterior.

Até o fechamento desta edição, a reportagem do ND não conseguiu contato com a diretoria do Deinfra para comentar a questão.

Por meio da assessoria de comunicação, o Tribunal de Contas informou que vai continuar acompanhando o processo para se certificar do cumprimento das determinações e a execução do contrato a ser firmado.

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