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Sábado, 19 de Janeiro de 2019
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Terreno que abrigará o Jardim Botânico de Florianópolis está sem manutenção e tomado por mato

A área é da Epagri e foi cedida à Fatma, mas por questões judiciais o Estado ainda não pode investir nem intervir na região

Letícia Mathias
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Débora Klempous/ND
Terreno de 25 hectares no Itacorubi vai abrigar o futuro Jardim Botânico de Florianópolis, que terá centro de visitação, arboreto digital e física, pista de caminhada e bosque

 

A área que deverá servir ao Jardim Botânico de Florianópolis hoje se encontra praticamente abandonada, sem manutenção e com mato alto. O projeto apresentado e discutido desde 2009 ainda não saiu do papel. Se fosse cumprido de acordo com o projeto original hoje estaria funcionando e aberto ao público. Mas devido a impasses sobre as questões legais da área e a falta de recursos garantidos, a região do Itacorubi de 25 hectares que fica às margens da rodovia Admar Gonzaga, está sem uso.

O terreno que abrigará o projeto foi cedido à Fatma (Fundação do Meio Ambiente), mas ainda permanece sob a responsabilidade da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina). A equipe de reportagem do Notícias do Dia esteve no local conversando com os moradores da região, e eles reclamam do abandono da área. Segundo os vizinhos desde que tiraram a placa que indicava futuras instalações do jardim botânico o local não foi mais cuidado e de vez em quando usuários de droga invadem a região.

Na última semana o vereador Guilherme Botelho também fez uma visita ao local e além da falta de manutenção da vegetação, encontrou objetos e produto químicos abandonados e pneus com água parada. Ele protocolou um documento que pretende entregar à Fatma na próxima semana pedindo a limpeza e maior atenção à região. “Estamos na expectativa que esse projeto saia logo, mas enquanto não sair é preciso que pelo menos a área seja mantida limpa”, afirmou Botelho.

Vizinhos também reclamam do descaso

A aposentada Lúcia Casagrande mora no bairro há 40 anos, os fundos da casa dela dão para a lateral do terreno. Ela conta que praticamente todo mês o marido e os filhos roçam o mato anexo ao muro para que a vegetação não invada a sua casa. “É ruim, eles tem o maior trabalho, mas é melhor do que esse mato invadindo aqui”. Ela lamenta o descaso e torce para que o projeto finalmente saia do papel, mas não vê ações. No mês passado, os filhos dela tiveram que jogar baldes de água em uma parte da vegetação que começou a pegar fogo logo depois da invasão de usuários de droga no local.

O projeto do jardim botânico é de responsabilidade da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável em conjunto com a Fatma, que ficará responsável pela gestão operacional quando a área for aberta ao público.  A Epagri garante que o terreno já foi cedido oficialmente à fundação, mas uma questão jurídica do terreno, que hoje serve de garantia em um processo judicial, impede que o Estado invista recursos na área e por isso a Secretaria não fez mais nenhuma intervenção no terreno.

O presidente da Epagri Luiz Hessmann afirmou que desconhece o abandono de objetos e de pneus com água acumulada no terreno, mas se comprometeu em ir até o local verificar a situação. Ele acredita que até o dia 30 de maio o processo de troca de garantia, que permitirá a concessão e investimento do Estado na área, esteja resolvido.  Quanto à segurança, ele informou que há dois vigilantes que monitoram a área 24 horas.  “Havia especulação imobiliária constante aqui, mas nós limitamos para preservar. É de nosso interesse disponibilizar a área ao jardim botânico e por isso vamos acompanhar todo o processo”, afirmou Hessmann.

Projeto é dividido em fases de implantação que custarão mais de R$2 milhões

Segundo coordenador de projetos especiais da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, Eduardo Lorenzetti, também responsável pelo projeto do jardim botânico, a secretaria lançará o edital assim que a área for liberada. A instalação do jardim botânico está dividida em seis fases e a primeira delas, que inclui a limpeza da área, construção de um centro de visitação com arboreto digital para educação ambiental e uma pista de caminhada, já está com o projeto executivo pronto. A expectativa é que esta etapa esteja pronta até o fim deste ano. 

As fases seguintes que compõem a construção do jardim botânico fisicamente, com um bosque, arboreto físico com mil mudas diferentes e duas passagens que ligam a área ao manguezal o Itacorubi e ao terreno da Comcap, serão no próximo ano. O investimento só na primeira fase pode chegar até R$2 milhões, mas o restante das etapas ainda não tem orçamento. Lorenzetti adianta que o governo pretende fazer parcerias com a iniciativa privada, mas o complexo todo, se conseguir os recursos necessários, só deve ficar pronto no primeiro trimestre de 2015.

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