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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Terapia ocupacional para reabilitar funções

Atividade pode ser desenvolvida nas áreas neurológica, ortopédica e mental

Mariella Caldas
Grande Florianópolis

Marcelo Bittencourt/ND
O pequeno Théo realiza terapia há oito meses e apresenta melhora nos estímulos

As funcionalidades da terapia ocupacional ainda são pouco conhecidas, mas sua eficácia é comprovada. A profissão é regulamentada desde 1969, mesma data do reconhecimento da fisioterapia, porém a discussão e aplicação da atividade são recentes. Hoje, as consultas e tratamentos são oferecidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no Estado e algumas prefeituras. Na Grande Florianópolis, nos municípios de São José e Biguaçu é possível encontrar o serviço de forma gratuita.

Muitas pessoas não sabem o que é terapia ocupacional, a confundem com a fisioterapia ou ainda com atividades manuais desenvolvidas em escolas profissionais. Conforme o terapeuta ocupacional Lourival Jaime Filho, do IPQ (Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina), o principal objetivo é a reabilitação.

No IPQ, há uma equipe com quatro terapeutas ocupacionais que desenvolvem atividades nas áreas neurológica, ortopédica e mental. De acordo com Zelita Rech, é feito um resgate das habilidades que o paciente já tem para que ele tente recuperar a funcionalidade perdida através de atividades grupais de socialização, expressão e inserção social.

“Somos profissionais, avaliamos a pessoa e trabalhamos no que ela mais precisa”, destaca Zelita. Ela exemplifica que um paciente que sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) e teve paralisia em um dos lados do corpo pode ser readaptado a usar os membros que não foram atingidos.

Oficinas terapêuticas

Diariamente, são realizados cerca de 200 atendimentos por dia no IPQ. Lourival Jaime Filho explica que um paciente percebe a participação do outro e se interessa. No Instituto, há 12 oficinas oferecidas, entre elas a de tapeçaria, cerâmica, expressão corporal e reciclagem.

Uma das pacientes é Sandra*, 32. A terapeuta ocupacional Zelita Rech comenta que ela chegou há três anos com um quadro de transtorno bipolar e foi interditada judicialmente pela família. “A atividade faz bem pra memória, distrai e posso conversar com o pessoal”, conta Sandra.

Outra paciente-moradora atendida é Maria*, 55, que vive no IPQ há 30 anos. “Epilética, ela foi abandonada pela família e, hoje, tem uma vida praticamente comum. Vai à missa, ao salão de beleza fazer as unhas e participa das atividades comunitárias do bairro”, ressalta Zelita.

Tratamento gratuito

A Prefeitura de Biguaçu e a FCEE (Fundação Catarinense de Educação Especial), em São José, oferecem terapia ocupacional gratuitamente. Conforme a profissional que atende na Unidade Central de Saúde de Biguaçu, Camille Weiser, 38, todo paciente que não consegue desenvolver algum movimento ou ação que prejudique seu cotidiano pode procurar a atividade.

Crianças, adultos e idosos, tanto homens ou mulheres são atendidos. O pequeno Theo, de um ano e meio, é um exemplo.  Ele é paciente de Camille há oito meses, que comemora os avanços do tratamento com o pai do menino, Luciano Nicássio, 28. Aos nove dias de vida, Theo foi diagnosticado com meningite bacteriana e permaneceu duas semanas na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

“Meses depois percebemos que o Theo não desenvolvia certas atividades como outras crianças. Ele foi encaminhado à fisioterapia e à terapia ocupacional”, conta Luciano. Camille explica que o bebê era preguiçoso, não pegava as coisas na mão, não sentava sozinho Nem engatinhava. “Usamos o brinquedo de forma funcional, para estimulá-lo. Hoje, o Theo consegue sentar, rolar, pegar os objetos e acredito que conseguirá caminhar sozinho”, reforça a terapeuta.

(*)Os sobrenomes das pacientes não puderam ter divulgados.

BOX: Onde encontrar gratuitamente

-Unidade Central de Saúde de Biguaçu: rua Vereador Emídio Amorim Veríssimo, nº 114, Praia João Rosa. Telefone: (48) 3039-8452
-Fundação Catarinense de Educação Especial: rua Paulino Pedro Hermes, nº 2785, Nossa Senhora do Rosário, São José. Telefone: (48) 3381-1600.

BOX: Profissionais

-O Crefito 10 (Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 10ª Região) reconhece os profissionais da área no Estado
-Há 406 terapeutas ocupacionais registrados em Santa Catarina
-Na Grande Florianópolis, o número é bem menor, cerca de 40
-No Estado, somente duas instituições de ensino oferecem graduação em terapia ocupacional: a ACE (Faculdade de Ciências da Saúde de Joinville) e a Uniplac (Universidade do Planalto Catarinense)
-Mais informações no site do Conselho (www.crefito10.org.br) ou no telefone (48) 3225-3329

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