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Temporada de verão em Florianópolis empolga apenas pela movimentação de turistas

Aumento no número de passageiros no Terminal Rodoviário Rita Maria e no Aeroporto Internacional Hercílio Luz confirma o incremento de visitantes, mas com menos dinheiro para gastar

Michael Gonçalves
Florianópolis
31/01/2018 às 08H36

Em época de locação de imóveis por aplicativos, além do tradicional boca a boca, o termômetro da temporada de verão 2017/2018 de Florianópolis não pode ficar unicamente na ocupação dos hotéis. Para saber se os visitantes estão nas praias e nos principais pontos turísticos, o ND ouviu ambulantes e comerciantes que dependem exclusivamente dos visitantes. Para eles, a temporada empolga em partes. A opinião é compartilhada pelo superintendente de Turismo de Florianópolis, Vinícius De Lucca, que confirma um pequeno acréscimo no número de visitantes, mas uma redução dos gastos.

Os argentinos Brenda, Facundo e Diego estão vendendo menos lanches e porções na praia de Canasvieiras este ano - Marco Santiago/ND
Os argentinos Brenda, Facundo e Diego estão vendendo menos lanches e porções na praia de Canasvieiras este ano - Marco Santiago/ND




“Ainda não temos os números, mas em conversa com o trade turístico e olhando pelas ruas percebemos um acréscimo no número de turistas. Notadamente, um incremento no número de argentinos e de paulistas”, disse. “Infelizmente, esse aumento não está refletindo no crescimento da receita, porque ainda estamos sob o efeito de uma crise financeira”.

A Floripa Airport, que administra o Aeroporto Internacional Hercílio Luz, confirmou o aumento no número de voos regulares. Nos primeiros 28 dias do ano, a operadora registrou o incremento de 124 voos domésticos e de 70 internacionais nas chegadas em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o gerente da Aerolineas Argentina, Marcelo Onofre, os voos charters estão mantidos e chegando com 80% da capacidade.

Já o gerente administrativo do Terminal Rodoviário Rita Maria, Laurino Peters, percebeu um crescimento médio de 15% no número de passageiros no período de festas. Somente nos primeiros nove dias de janeiro, a rodoviária registrou um movimento de 115 mil passageiros.

Para o ambulante argentino Facundo Scoglietti, 26 anos, que trabalha na praia de Canasvieiras pela terceira temporada preparando drinques, lanches e porções, a percepção é de que os turistas vão ao supermercado antes de ir à praia. “Continuamos vendendo a mesma média de bebidas, mas caíram os pedidos de comida. A temporada está boa, pero no mucho. Acredito que deveriam proibir o cooler na praia”, brincou o ambulante, que trabalha ao lado da namorada Brenda Ludeña, 23, e do sócio Diego Ponti, 30. 

Conforme Facundo, a enxurrada prejudicou a imagem de Florianópolis. Isso porque os noticiários da Argentina deram ênfase aos problemas de balneabilidade em função da chuva.

OS NÚMEROS

Terminal Rodoviário Rita Maria

                                               Ônibus/passageiros          2016                2017    

22, 23 e 24/dezembro                                             1.547/32.900     1.686/35.840

29, 29 e 30/dezembro                                             1.781/37.800     2.031/45.657

Aeroporto Hercílio Luz*  

                                              Chegadas/partidas           2017                 2018

Voos domésticos                                                       1.298/1.295         1.422/1.420

Voos internacionais                                                     179/180            249/248

* Voos regulares de 1º a 28 de janeiro

Fontes: Deter e Floripa Airport

 

Ocupação da rede hoteleira foi extraordinária até a chuva

Para a diretoria de Eventos e Capacitação da Abih-SC (Associação Brasileira da Indústria Hoteleira), Lara Perdigão, a ocupação do Natal até o período de chuva oscilou entre 80% e 90%. Ela acredita que o visitante está fazendo as contas e, por isso, pensa e negocia cada centavo gasto com mais cuidado.

A intenção do turista é passear, mas sem se endividar. “Até o período de chuva a ocupação estava ótima. Tivemos algumas desistências durante esse tempo e negociamos com quem já estava no destino ou com a reserva marcada. A previsão é de uma redução no número das ocupações na segunda quinzena de janeiro, mas estamos com uma expectativa de recuperação em fevereiro, principalmente, até o Carnaval”, prevê.

O superintendente de Turismo de Florianópolis, Vinícius De Lucca, acredita que a temporada será ótima, mas abaixo de recordes anteriores. “Teremos um incremento no número de visitantes, mas ainda abaixo das temporadas de 2010 e 2011. Além disso, a temporada é mais curta, porque o Carnaval termina no dia 14 de fevereiro. A gente quer que os turistas gastem mais e deixem mais renda aqui, mas não podemos esquecer que ainda estamos sobre o efeito da crise”, comentou.

Ambulantes paraibanos vêm em busca de argentinos

Há mais de uma década, o ambulante Edmilson Cavalcante, 29 anos, deixa o interior da Paraíba para vender redes e mantas na praia de Canasvieiras. Ele e o sócio Giomarcos da Silva, 41, estão atrás dos argentinos carregando dezenas de peças em um carrinho improvisado.

“Quem compra na praia é o estrangeiro, principalmente o argentino. E é por causa deles que todos os anos o meu destino, do Natal ao Carnaval, é o Norte da Ilha. Se não fosse por eles não compensava. Este ano eles estão em grande número, mas gastando menos. A média de venda em janeiro de 2017 era superior a 40 redes por dia e, hoje, não alcança 30”, contou Edmilson, que comercializa redes de R$ 20 a R$ 60.

A percepção é de que os visitantes estão gastando menos em Florianópolis neste ano - Marco Santiago/ND
A percepção é de que os visitantes estão gastando menos em Florianópolis neste ano - Marco Santiago/ND



Verão com movimento de inverno

Dono de um restaurante de frente para o mar na praia de Canasvieiras, o comerciante Valdecir Flores Vingla, 49 anos, lamentou o período chuvoso. Ele acredita que esse verão será conhecido como a temporada da pizza, do lanche e do choripan (pão com linguiça). Com o cardápio à “la carte”, ele lamenta a redução de até 50% no movimento em determinados dias. “A temporada começou bem animada, mas a chuva atrapalhou o movimento. Depois foi a balneabilidade, sem falar na redução da faixa de areia em função da ressaca marítima. Parece que tudo atrapalha. Hoje estou no verão com um movimento de inverno”, lamentou.

Quem também reduziu os lucros foi o vendedor de passeios de barco Erick Mendonça, 37, que trabalha com as embarcações Pérola Negra e Velas Negras. Para regularizar a situação de autônomo, ele abriu uma microempresa. “O câmbio não está favorável para os argentinos e ninguém quer gastar muito. Cada 100 pesos argentinos equivalem a apenas R$ 14. Em função disso, estou deixando de ganhar R$ 600 por dia para lucrar R$ 200”, afirmou.

Para quem aluga imóveis na rua, a situação também está difícil. Nos últimos quatro dias, o corretor informal Júlio César Moraes, 29, conseguiu locar apenas um imóvel. Ele alugou um apartamento por oito dias e ganhou R$ 200 de comissão. “Os argentinos só querem saber do preço e se o imóvel tem ar-condicionado, garagem e wi-fi gratuito. Eles não estão preocupados com outras vantagens e benefícios. Tem proprietário reduzindo o valor, porque não consegue alugar. Estou com um imóvel para alugar que o dono reduziu a diária de R$ 250 para R$ 170”, disse.

Para o vendedor de espetinho de camarão e choripan Frederico Nogueira, 33, o problema é o excesso de ambulantes. Ele conta que há quatro anos trabalhava praticamente sozinho vendendo pão com linguiça e, atualmente, são mais de dez pessoas comercializando o mesmo produto. Com isso, deixou de vender 50 peças por dia e passou a comercializar 30.

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