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Temporada de avistagem de baleias-francas chega ao fim no litoral catarinense

Quantidade de baleias têm diminuído nos últimos anos, principalmente por falta de alimento para a espécie na Antártida

Felipe Alves
Florianópolis
13/11/2016 às 15H29

As baleias-francas foram embora mais cedo do litoral catarinense este ano, encerrando o fim da temporada de avistagens da espécie que procura as águas quentes para se reproduzir. Geralmente até a segunda quinzena de novembro as últimas espécies estão saindo do litoral com seus filhotes, mas no último sobrevoo feito pelo Instituto Australis e APA da Baleia Franca, em 4 de novembro, nenhuma baleia-franca foi avistada. Nos dois primeiros voos deste ano, foram avistadas 36 baleias em setembro e 45 em agosto, números menores do que em anos anteriores. No voo de novembro, foi avistada apenas uma espécie da baleia bryde.

Nos voos, as baleias são fotografadas e identificadas pelas calosidades - Divulgação/ND
Nos voos, as baleias são fotografadas e identificadas pelas calosidades - Divulgação/ND



Desde o ano passado, as francas têm tido um comportamento atípico e comparecido em menor número. De acordo com a diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca e do Instituto Australis, bióloga Karina Groch, existe uma correlação na taxa reprodutiva das baleias com a disponibilidade de alimento na Antártida. As baleias-francas se alimentam de krills (pequenos crustáceos parecidos com o camarão) e, com a baixa oferta desse animal as baleias têm dificuldade de engravidar e manter-se ativas. “Esse efeito pode acontecer de forma acumulativa e possivelmente por anomalias climáticas. A alteração da temperatura do mar na Antártida prejudica a abundância de krills”, diz.

O monitoramento das baleias é feito por ar e por terra. De julho a novembro, elas costumam aparecer no litoral catarinense para ter seus filhotes. Nesse período, são feitos três voos de helicóptero em cerca de 300 quilômetros da costa e avistagens diárias na terra. Pelo ar, as baleias são fotografadas e cada uma é identificada por meio das calosidades na cabeça. “Ali há piolhos de baleia, que são como impressões digitais. A pele nasce com calos em uma distribuição específica e é colonizada por esses piolhos”, explica Karina.

As francas procuram as águas mais quentes do litoral catarinense - Marco Santiago/ND
As francas procuram as águas mais quentes do litoral catarinense - Marco Santiago/ND



Como as baleias podem ficar por meses aqui, ainda não é possível determinar o número total de animais que passaram pelo Estado. Agora, as equipes vão comparar as fotos das baleias de todos os sobrevoos para identificar exatamente o número que esteve em Santa Catarina.

Jubartes também têm aparecido

As baleias-francas procuram o litoral catarinense em seu período reprodutivo em busca de águas mais quentes e áreas protegidas de predadores, como orcas e tubarões. Os monitoramentos da espécie são feitos do Sul de Florianópolis até Balneário Rincão, no Sul do Estado. Mas outras espécies também aparecem por aqui, como a bryde e a jubarte, que chegaram de forma atípica nos dois últimos anos. Diferente das francas, que podem chegar a 18 metros e 60 toneladas, as jubartes são menores (até 15 metros e 40 toneladas) e acabam ficando presas em redes de pesca ou embarcações.

As francas têm um período de gestação de 12 meses e o monitoramento de sua presença na costa é importante para identificar o comportamento e o deslocamento dos animais pela região. Os sobrevoos fazem parte do Programa de Monitoramento de Cetáceos do Porto de Imbituba e adjacências, implantado pela SCPar Porto de Imbituba e executado pelo Instituto Australis.

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