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Temer sanciona Lei federal que ignora imigração italiana em Santa Catarina

Segundo texto aprovado no congresso, primeiro imigrantes teriam chegado ao Brasil no Espirito Santo

Marcos Horostecki
São João Batista
16/01/2018 às 09H20

Uma lei sancionada na última sexta-feira (12) pelo presidente Michel Temer (PMDB) retirou de Santa Catarina a condição de berço da colonização italiana no Brasil. A lei 13.617/2018 reconhece a cidade de Santa Teresa, no Espirito Santo, como “Pioneira da Imigração Italiana no Brasil”. O município teria recebido os primeiros imigrantes em 1875. Santa Catarina, no entanto, recebeu os primeiros italianos 39 anos antes. Eles fundaram a Colônia Nova Itália, hoje município de São João Batista, na região da Grande Florianópolis.

Paulo Kons no cemitério de Nova Itália e o túmulo de um dos colonizadores morto em 1919 - Divulgação/ND
Paulo Kons no cemitério de Nova Itália e o túmulo de um dos colonizadores morto em 1919 - Divulgação/ND


Lideranças da comunidade, da Associação dos Descendentes e Amigos do Núcleo Pioneiro da Imigração Italiana no Brasil e do município de São João Batista já estão mobilizadas para, primeiro, aprovar uma lei estadual sobre o assunto e em seguida contrapor a legislação aprovada no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente. “Já estamos tratando com os deputados estaduais. Temos como provar que os primeiros imigrantes aportaram em Santa Catarina”, diz o diretor da entidade, Élio Paulo Satori. “Eu fiquei até mais tranquilo, porque a nossa imigração é bem anterior e temos como provar. A Colônia Nova Itália é o berço da imigração no Brasil”, acrescenta Plácido Vargas, secretário de administração e desenvolvimento econômico de São João Batista.

O historiador Paulo Vendelino Kons, responsável pela organização recente da festa dos 180 anos da Imigração Italiana no Brasil, na Colônia Nova Itália, trata a questão como um erro histórico do governo federal e do Congresso Nacional. “Devemos enviar um manifesto ao Congresso para que seja corrigido esse erro. Creio que, demonstrando que há colonização mais antiga, como a da Colônia Nova Itália, a Lei pode ser revogada ou substituída”, ponderou.
As lideranças catarinenses e os descendentes dos primeiros italianos no Estado avaliam, ainda, que a votação e a promulgação da lei se deu sem o devido levantamento histórico. Foi apresentada no Congresso e votada sem que ninguém fosse verificar fatos anteriores ao proposto.

Expedição ao Espirito Santo era comandada por austríacos

Paulo Vendelino Kons também critica o fato de a colonização de Santa Teresa estar associada à chegada do navio La Shofia, que era chefiado por um austríaco, embora trouxesse italianos. Ele lembra que a chegada em Santa Catarina se dá em 1836, com 132 imigrantes católicos do Reino da Sardenha, precursor da Itália. Eles desembarcaram em março daquele ano na baía norte de Florianópolis, a bordo no navio Correio.

Igreja na comunidade Nova Itália, em São João Batista - Divulgação/ND
Igreja na comunidade Nova Itália, em São João Batista - Divulgação/ND


O fato de a Itália não existir em 1836, no entanto, é um dos motivos pelos quais os defensores de Santa Teresa buscam o reconhecimento da cidade, o que não é aceito pelos catarinenses. Outro argumento trata da “imigração em massa”, o que não teria acontecido antes de 1875, segundo eles.
O município de Santa Teresa é o maior produtor de uva e vinho do Espírito Santo, representando 80% da produção estadual. Foi fundada em 26 de junho de 1875, por um grupo de 150 imigrantes do Norte da Itália.

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