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Temer cancela viagem internacional após avanço de investigações

Decisão coincide com pedido da Polícia Federal de prorrogação de inquérito que investiga o presidente sobre a edição de um decreto que favoreceria empresa portuária

Folha de São Paulo
Brasília (DF)
29/04/2018 às 21H05
Segundo relatório da Polícia Federal, Temer teria praticado o crime de corrupção passiva - Agência Brasil/Divulgação/ND
Presidente foi aconselhado durante a semana passada a encurtar ou cancelar a viagem internacional - Agência Brasil/Divulgação/ND


TALITA FERNANDES E GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Michel Temer desistiu de viagem internacional que faria na próxima semana ao Sudeste Asiático. A programação inicial era que ele embarcasse no dia 5 e só retornasse em 14 de maio. É a segunda vez que ele cancela o roteiro. Na primeira, desistiu por recomendação médica.

A decisão coincide com pedido da Polícia Federal de prorrogação de inquérito que investiga o presidente sobre a edição de um decreto que favoreceria empresa portuária.

Além disso, foi marcado para a próxima semana o depoimento da filha do presidente, Maristela Temer, que teve o material para a reforma de sua casa pago por Maria Rita Fratezi, esposa do coronel João Baptista de Lima Filho. 

Com o avanço das investigações, o presidente foi aconselhado durante a semana passada a encurtar ou cancelar a viagem internacional. No país, ele teria melhores condições de cuidar da estratégia de reação jurídica.

A principal suspeita de investigadores da Polícia Federal, como mostrou a Folha de S.Paulo, é de que o presidente tenha lavado dinheiro de propina no pagamento de reformas em casas de familiares e dissimulado transações imobiliárias em nomes de terceiros.

O envolvimento de seus familiares irritou o presidente, que fez pronunciamento na última sexta-feira (27) dizendo ser vítima de perseguição criminosa disfarçada de investigação.

"É contra a minha honra e pior ainda. São mentiras que atingem minha família", disse.

Segundo o Palácio do Planalto, o presidente também decidiu permanecer para acompanhar a votação de proposta no Congresso Nacional que inclui R$ 1,3 bilhões ao orçamento federal.

Na semana passada, o governo federal foi informado que a Venezuela e Moçambique deixaram de pagar R$ 1,5 bilhão por obras e serviços.

Nesta semana, por conta do feriado, não deve haver sessão legislativa, o que jogou a tramitação da proposta para a outra semana, quando o presidente já estaria em viagem.

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