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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Técnicos estudam liberação de ostras a partir de quarta-feira

Medida busca minimizar as perdas na cadeia produtiva da maricultura, principalmente nas áreas de cultivo, onde a falta de remuneração causa demissões e férias coletivas

Edson Rosa
Florianópolis

A reabertura pontual dos pontos de comércio e consumo de ostras será discutida nesta quarta-feira (21) pelos mesmos técnicos que, desde 24 de maio, monitoram a maré vermelha em 610 fazendas produtivas de 40 diferentes áreas do litoral catarinense – de Palhoça, ao Sul, a São Francisco, ao Norte. A provável volta parcial à atividade, exceto para mariscos (mexilhões), é uma das medidas emergenciais em estudos do governo do Estado para ao menos minimizar as perdas na cadeia produtiva da maricultura - principalmente nas áreas de cultivo, onde a falta de remuneração causa demissões e férias coletivas.

Marco Santiago/Arquivo/ND

 

Segundo o secretário adjunto de Estado da Agricultura e da Pesca, Airton Spies, a decisão caberá a técnicos do Laboratório Laqua/IFSC (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina, campus de Itajaí) e da Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina), responsáveis pela coleta e análises de amostras de água e de moluscos bivalves (ostras, mexilhões, vieiras e berbigões). “As últimas quatro análises deram negativo para ostra em cultivos localizados mais ao Sul. Então, é importante avaliar se é possível liberar as ostras em áreas não contaminadas”, diz Spies.

O consumo de mexilhões, no entanto, continuaria interditado. Como este molusco é o indicador universal para contaminação pela toxina diarreica DST, causada pela alta concentração de microalgas trazidas pelas correntes marinhas das Malvinas, os testes são mais específicos. “São utilizados camundongos, e os últimos testes laboratoriais realizados com mariscos ainda indicam contaminação”, alerta Spies.

O secretário ressalta que a interdição preventiva da maricultura, desde 24 de maio, está baseada em protocolos do Programa Nacional de Controle Higiênico-Sanitário de Moluscos Bivalves. “É questão de saúde pública. Não tem como remediar, apenas tentar reduzir as perdas do produtor”, acrescenta.

A estimativa da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Santa Catarina), com base na produção de 2014, é que 1.800 toneladas deixem de ser consumidas em um mês de maré vermelha, em torno de R$ 5,8 milhões.

Seguro emergencial e feira são alternativas em estudos

A criação de grupo de trabalho para estudar mecanismos de defesa da produção da maricultura por condições naturais, como ocorre na agricultura, também foi anunciada na segunda-feira (20) pelo secretário adjunto da Agricultura Airton Spies. “Trata-se de atividade nova, sem estrutura compensatória para casos de grandes perdas. Precisamos pensar alternativas, como o seguro safra ou o Fundo Estadual de Sanidade Animal, para proteger o produtor, sem colocar em risco a saúde pública”, pondera.

Em Florianópolis, para o diretor da Secretaria Municipal da Pesca, Maricultura e Agricultura, Khauê Silva Vieira, uma das alternativas em estudos para amenizar a falta de remuneração dos produtos é popularizar o consumo. A ideia, segundo ele, é fazer campanhas para a população local comer ostras e mariscos, depois da desinterdição da maré vermelha, para o preço não cair e manter a remuneração de produtores e restaurantes da orla.

A interdição do consumo de moluscos foi anunciada depois da detecção de ficotoxinas e algas produtoras da toxina diarreica – DSP, sigla em inglês para Diarrhetic Shellfish Poisoning, em cultivos de moluscos bivalves de diferentes regiões do Estado. De acordo com as últimas análises, a concentração de toxinas e algas, que em maio chegou a 650 mil unidades por litro de água em diversas áreas do litoral, caiu para 100 unidades.

A expectativa dos técnicos é que a chegada de vento sul forte e de novas correntes marinhas das Malvinas impulsionem a concentração de algas para mar aberto, limpando as baías. A previsão de chuva é outro indicativo positivo, pois, sem sol, as algas em floração não fazem fotossíntese e, consequentemente, não se proliferam com tanta rapidez.

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