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Taxa de turismo pode solucionar problemas de infraestrutura e de serviços em Florianópolis

Quem frequenta as praias da Ilha de Santa Catarina sabe que os problemas de infraestrutura começam nas estradas e terminam na areia da praia. Contribuição poderá solucionar alguns dos entraves

Michael Gonçalves
Florianópolis
08/05/2018 às 22H10

Pela primeira vez na praia dos Ingleses, em Florianópolis, o pecuarista Ilário Bodanese, 69 anos, de Porto Velho (RO), teve dificuldade em caminhar sobre uma passarela para conseguir ver o mar. Um buraco entre as madeiras chamou a atenção do visitante, que se mostrou favorável à cobrança de uma taxa de turismo para reverter em serviços e infraestrutura a moradores e turistas. A proposta de criar uma tarifa exclusivamente para o turismo está sendo discutida pelo trade turístico e Poder Público. A estimativa é arrecadar R$ 40 milhões por ano.

Deques em Jurerê Internacional precisam de manutenção para tornar mais seguro o acesso à praia - Marco Santiago/ND
Deques em Jurerê Internacional precisam de manutenção para tornar mais seguro o acesso à praia - Marco Santiago/ND


O estudo usa como base as cobranças realizadas em Ilhabela (SP), Fernando de Noronha (PE) e Bombinhas. “Desde que não seja uma cobrança muito alta, acredito que nenhum turista vai reclamar. A pessoa que viaja já está programada para gastar e se for para ter mais conforto em determinadas situações de prestação de serviço e de infraestrutura sou favorável”, disse Bodanese.

Quem frequenta as praias da Ilha sabe que os problemas de infraestrutura começam nas estradas e terminam na areia. Buracos e lixo no morro da Lagoa da Conceição, além do matagal na SC-403, que é o principal acesso às praias de Ingleses e Santinho, são alguns dos problemas corriqueiros.

Na SC-405, o elevado do Rio Tavares já poderia estar concluído, se a cobrança da taxa de turismo estivesse em vigor, segundo o aposentado Sidny Gervásio, 57, morador do Carianos. “A cidade não tem como comportar quase um terço a mais dos moradores em determinadas épocas do ano. A taxa traria a solução para investimentos em infraestrutura de mais banheiros e chuveiros nas praias, além de uma coleta de lixo e limpeza mais eficiente dos nossos balneários”, afirmou.

O presidente da Abrasel-SC (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Rafael Dabdab, informou à RICTV que é preciso políticas públicas para o setor. “Precisamos pensar em incentivos para investir no turismo, como já existe em outras cidades. Hoje temos políticas de incentivo para indústrias e áreas de tecnologia, mas não para o turismo”, lamentou.

Turista não para onde há lama ou poças de água

Marcel Bernardes, 36 anos, gerente de res­taurante na praia do Campeche, lamenta a falta de investimento do poder público no turismo do Sul da Ilha. No fim da avenida Pequeno Príncipe, o acesso principal à praia vira um lamaçal em dias de chuva. O desnível na rua de terra também com­promete o deslocamento de pessoas com dificulda­de de locomoção. Isso sem falar na inexistência de banheiros e de chuveiros.

Elisa contabiliza diversos problemas na Lagoa - Marco Santiago/ND
Elisa contabiliza diversos problemas na Lagoa - Marco Santiago/ND


Na opinião de Marcel, ninguém viaja para passar aperto ou trabalho. “Já cansei de ver turista pas­sando de carro e não parando pelo excesso de poças de água e de lama. Pelo que sei essa área é parti­cular, mas o proprietário não consegue as licenças para fazer as melhorias necessárias. Enquanto isso, o visitante chega e não tem um banheiro público e, na temporada, colocaram um chuveiro durante um mês, que nem funcionou”, lamentou.

Na Lagoa da Conceição, a vendedora de passeios de barco Elisa Cristina de Souza, 47, também conta­biliza os problemas apresentados pelos visitantes. A falta de acessibilidade e a limpeza dos canais da rede pluvial são algumas das demandas. “Faltam quiosques, banheiros públicos, ciclovia e calçadas com acessibilidade. Sem falar no lixo aqui. Na pra­ça Renato Antônio de Souza [no fim da avenida das Rendeiras], a gente é que faz manutenção e limpe­za”, afirmou. A falta de faixa de areia em Canasviei­ras, os trapiches e os chuveiros sem manutenção de Jurerê Internacional e da Cachoeira do Bom Jesus são mobiliários urbanos que poderiam estar em melhor estado com a taxa de turismo.

Buracos no asfalto do Morro da Lagoa - Marco Santiago/ND
Buracos no asfalto do Morro da Lagoa - Marco Santiago/ND


Projeto de cobrança de veículos será enviado à Câmara

O superintendente de Turismo de Florianópolis, Vinícius De Lucca, explicou que existem duas situações distintas. A primeira é a taxa de ônibus, vans, micro-ônibus e trailers. O projeto será encaminhado nas próximas semanas à Câmara de Vereadores. Essa cobrança será válida por todo ano e deve entrar em vigor ainda este ano.

A estimativa de arrecadação somente com os veículos de turismo é de R$ 2 milhões por ano. “O dinheiro cai diretamente no Fundo de Turismo e poderá ser utilizado para construção e manutenção de banheiros, chuveiros, acessos e toda a infraestrutura ligada ao setor”, explicou.

Já a taxa de turismo ainda está em análise. “Hoje, não tenho certeza se a taxa nos moldes de Bombinhas seria a melhor para Florianópolis, por se tratar de uma Capital. Da mesma maneira que muita gente elogia, ainda existem pontos negativos que precisam ser debatidos“, afirmou.

Cobrança por período dos veículos de turismo

Ônibus

  • Sem pernoite: R$ 210
  • Com pernoite: R$ 105

Vans, micro-ônibus e trailers

  • Sem pernoite: R$ 105
  • Com pernoite: R$ 52,50
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