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Taxa de casos e tentativas de suicídio aumenta em Santa Catarina

Além de informar sobre serviços de assistência, boletim nacional alerta para a faixa etária envolvendo os idosos com mais de 70 anos

Redação ND
Florianópolis
21/09/2017 às 23H26

O Ministério da Saúde divulgou nesta quinta-feira (21) o primeiro boletim epidemiológico de tentativas e óbitos por suicídio no Brasil. Os dados foram divulgados em alusão ao movimento Setembro Amarelo, liderado pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), que busca conscientizar a população sobre a importância da prevenção do suicídio.

Também nesta quinta, a secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina divulgou, por meio da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), os dados referentes aos casos de tentativa de suicídio e de óbitos por violência autoprovocada notificados no Estado. No ano passado, 2.990 pessoas tentaram o suicídio e 603 foram a óbito por este meio. Em 2015, foram registradas 2.909 tentativas de suicídio e 598 óbitos.

Segundo o Ministério da Saúde, um dos alertas é a alta taxa de suicídio entre idosos com mais de 70 anos no Brasil. Nessa faixa etária, foi registrada uma média de 8,9 mortes por 100 mil pessoas nos últimos seis anos. A média nacional é 5,5 por 100 mil. Também chamam atenção o alto índice entre jovens, principalmente homens, e indígenas.

O diagnóstico do Ministério da Saúde busca orientar a expansão e qualificação da assistência em saúde mental no país. Com base nos dados do boletim, o ministério lançou uma agenda estratégica para atingir a meta da OMS (Organização Mundial da Saúde) de redução de 10% dos óbitos por suicídio até 2020.

“Precisamos conhecer essa triste realidade para podermos desenvolver ações e atitudes para prevenção do suicídio, que é um grave problema de saúde pública no estado e em todo o país”, explica Eduardo Macário, diretor da Dive/SC. Ressalta-se que todos os casos de violência autoprovocada e de tentativa de suicídio são de notificação compulsória imediata, conforme Portaria 204/2016 do Ministério da Saúde.

Em relação aos casos de tentativa de suicídio no Estado, historicamente, as mulheres têm sido maioria: das 2.990 notificações de 2016, 1.972 eram de mulheres e 1.018 eram de homens. Segundo a faixa etária, o maior número de casos, de ambos os sexos, esteve entre pessoas de 20 a 29 anos (757), seguido pelos grupos de 30 a 39 anos (709) e o de 40 a 49 anos (511), conforme dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) do Ministério da Saúde.

Já em relação aos óbitos por violência autoprovocada, os homens são maioria: das 633 mortes registradas em 2016, 488 eram de homens e 145 eram de mulheres. A faixa etária também difere nesses casos. O SIM (Sistema de Informação de Mortalidade) aponta que a maior parte das pessoas que cometeram suicídio tinha entre 50 e 59 anos (145), seguidas pelo grupo com idade entre 40 a 49 anos (131) e os de 30 a 39 anos (115).

Atenção e assistência

Entre os fatores de risco para o suicídio estão transtornos mentais, como depressão, alcoolismo, esquizofrenia; questões sociodemográficas, como isolamento social; psicológicos, como perdas recentes; e condições clínicas incapacitantes, como lesões desfigurantes, dor crônica, neoplasias malignas. No entanto, tais aspectos não podem ser considerados de forma isolada e cada caso deve ser tratado no Sistema Único de Saúde conforme um projeto terapêutico individual.

Os serviços de assistência psicossocial tem papel fundamental na prevenção do suicídio. O boletim do Ministério da Saúde apontou que nos locais onde existem CAPS (Centros de Apoio Psicossocial), o risco de suicídio reduz em até 14%. Atualmente existem 2.463 CAPS no Brasil, incluindo 99 em Santa Catarina.

Outro importante aliado na prevenção do suicídio tem sido o Centro de Valorização da Vida, que oferece apoio emocional gratuitamente, de forma voluntária, 24 horas por dia, por telefone (141), e-mail ou chat pelo site da instituição (www.cvv.org.br). “A prevenção ao suicídio é uma responsabilidade que deve ser compartilhada entre os setores da saúde, da educação, da assistência social e a sociedade em geral”, ressalta a gerente de Vigilância de Agravos da Dive/SC, Gladis Helena da Silva.

Já para a Educação Permanente dos profissionais de saúde na prevenção do suicídio, o Ministério da Saúde oferta, em parceria com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), um curso à distância sobre Crise e Urgência em Saúde Mental. Desde 2014, já foram capacitados 1.994 profissionais. A próxima turma, prevista para 2018, capacitará outros 1.500 profissionais da RAPS, com capítulo sobre suicídio.

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