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Tarcísio Motta diz que caso Marielle revela sucateamento da Polícia Civil no RJ

Vereador do PSOL defendeu que o governo priorize o investimento em inteligência e prevenção para combater a violência

Folha de São Paulo
Rio de Janeiro
12/06/2018 às 20H32

O vereador Tarcísio Motta (PSOL), pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, afirmou nesta terça-feira (12) que a não elucidação do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) revela que o sucateamento da Polícia Civil tem impedido o avanço das investigações no estado. Marielle morreu há três meses e os mandantes do crime ainda não foram identificados.  

Vereador Tarcísio Motta (PSOL/RJ) - Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação/ND
Vereador Tarcísio Motta (PSOL/RJ) fala em sessão da Câmara no Rio de Janeiro - Fernando Frazão/Agência Brasil/Divulgação/ND


"Não há possibilidade de combater o tráfico de armas nem a milícia se não aparelhar a Polícia Civil dos mecanismos suficientes para fazer investigação. No caso Marielle a gente está vendo como o sucateamento é um dos impeditivos para que a polícia consiga avançar nas investigações", disse.

Em sabatina promovida pela imprensa, o pré-candidato defendeu que o governo priorize o investimento em inteligência e prevenção para combater a violência. Segundo ele, é necessária uma mudança estratégica na atual política de confronto com o crime. "Você está enxugando gelo e derramando sangue", disse. Seguindo a mesma lógica, Tarcísio também quer valorizar os servidores da segurança pública e mudar o currículo de formação da polícia. 

Neste sentido, o vereador afirmou que a intervenção militar no Rio de Janeiro tem como lógica a continuidade do confronto, sem planejamento. Ele disse que setores de inteligência das Forças Armadas poderiam ser importantes, por exemplo, no controle das armas. 

Tarcísio também defendeu anistia para pequenos delitos, antiga pauta de integrantes do PSOL. O objetivo seria oferecer alternativas para o jovem envolvido com o tráfico e, ao mesmo tempo, desafogar o sistema carcerário. "É preciso garantir que esses jovens que hoje estão dentro do esquema do tráfico tenham saídas", afirmou. Segundo ele, esta anistia não englobaria crimes contra a vida. 

Ainda sobre o caso Marielle, o vereador chorou ao afirmar que a não elucidação do crime é um desespero e que é preciso transformar o luto em luta. "Se a gente não sabe quem foi o autor daquele tiro, a gente sabe por que ela morreu. Porque ela defendia as pautas que a gente vai estar defendendo." Marielle era cotada para ser vice na chapa de Tarcísio.

Crise fiscal

Para combater a crise fiscal no Estado, Tarcísio defendeu renegociar a dívida com o governo federal e cobrar a dívida ativa de empresas. Ele também quer rever o que chama de "política criminosa de isenção fiscal" e tornar progressiva a cobrança de impostos. "Não dá para dar isenção para os amigos do rei que, de fato, não geram nenhum emprego."

Segundo o vereador, a crise foi mais aguda no estado por ter sido uma opção política da "máfia" que governou o Rio na última década e que teria construído uma política econômica dependente de uma única mercadoria de preço volátil - o petróleo. Para o pré-candidato, não aproveitou-se os megaeventos (Copa e Olimpíada) para promover uma política econômica sustentável. 

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