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Suposto alvo de duas tentativas de resgate é transferido da Penitenciária de Joinville

Preso de 29 anos está condenado a 17 anos de reclusão por tráfico de drogas e ainda responde a diversos processos em São Francisco do Sul, onde nasceu

Colombo de Souza / ND
Florianópolis
15/08/2018 às 07H58
Policiais militares conseguiram tirar uma pessoa com vida do helicóptero - Divulgação
Investigação apontou que helicóptero foi sequestrado e seria usado para resgatar preso - Divulgação

O suposto alvo de duas tentativas de resgate na Penitenciária Industrial de Joinville, Paulo Henrique Artmann dos Santos, o Calango, 29 anos, está condenado a 17 anos de reclusão por tráfico de drogas e ainda responde a diversos processos em São Francisco do Sul, onde nasceu. De acordo com fontes da penitenciária, Calango integra o PGC (Primeiro Grupo Catarinense), mas não exerce nenhuma expressão na hierarquia da facção. Ontem, Calango e outros três presos faccionados foram transferidos para a Penitenciária Sul de Criciúma.

Calango entrou na penitenciária há um ano e seis meses. Antes, porém, se envolveu em conflito na rua com rivais. Foi baleado e teve que usar muletas para se locomover. “Ele ainda tem dificuldades em caminhar”, revelou ontem, por telefone, um agente prisional.

O agente contou ainda que não existe uma certeza de que o alvo do resgate de segunda-feira (13) seria Calango. “Não temos certeza se era uma invasão na penitenciária ou se queriam apenas levá-lo, pois não capturamos ninguém. Houve confronto e um dos invasores, que também é natural de São Francisco do Sul, Luís Marcelo Zuzarte, morreu no confronto. Os demais conseguiram fugir”, disse.

Na madrugada de segunda-feira, nove criminosos armados e com explosivos tentaram invadir a penitenciária. A outra tentativa de resgate ocorreu no dia 8 de março, quando dois homens alugaram um helicóptero em Penha, que caiu em Joinville antes da ação na penitenciária.
A morte de Zuzarte está sendo investigada pela DIC (Divisão de Investigação Criminal) de Joinville. A direção da penitenciária Industrial de Joinville ainda não está apurando o resgate porque não tem certeza se o objetivo era este. Além de Calango e os três faccionados, outros detentos, considerados de alta periculosidade, também foram removidos para unidades do Estado ontem.

Queda de helicóptero

Cinco meses depois do acidente com o helicóptero utilizado para tentar resgatar Calango da Penitenciária Industrial de Joinville, a Polícia Federal concluiu a investigação e indiciou cinco suspeitos. A queda da aeronave ocorreu dia 8 de março. O inquérito revela como dois homens entraram na aeronave, a sequestraram e como a queda teria sido provocada. Além dos dois homens que estavam a bordo, outras três pessoas teriam ajudado no plano de resgate de Calango.

“Eles pretendiam içar Calango de dentro do pátio de sol. Eles jogariam uma corda com uma cadeirinha, tipo cadeirinha de alpinista, e dali eles iam içá-lo”, contou o delegado da PF Cristian Juliano Cardoso. Segundo a PF, o único sobrevivente, Daniel da Silva, 18 anos, já tinha registros criminais e estava participando do resgate, porque estaria devendo para a facção criminosa.

Ivan Alexssander Zurman Ferreira, 21, companheiro de Daniel no voo, não tinha passagens pela polícia, mas era um dos mentores do sequestro. “O Ivan trabalhou intensamente para que isso acontecesse. Inclusive, indo até Piçarras num outro momento para fazer um voo de helicóptero para ver como era o voo, se o plano daria certo”, disse o delegado.

No inquérito também consta que não houve qualquer sinal de alerta pelo piloto ao Cindacta (Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo), pois o voo era baixo, panorâmico. Outro motivo foi o anúncio do sequestro, segundo o inquérito, ter sido feito em Joinville, minutos depois de terem saído de Penha.

Para a polícia, houve luta corporal dentro da aeronave. “Em declarações, o Daniel confirmou que houve luta do Ivan com o ajudante do piloto e com o piloto. Provavelmente, isso provocou a queda do helicóptero”, explicou Cardoso.

No acidente, morreram o piloto Antônio Mário Franco Aguiar, o auxiliar Bruno Siqueira e Ivan Alexssander, que acompanhava Daniel. A PF indiciou, além do sobrevivente, o preso Paulo Henrique Artmann dos Santos, o irmão dele, Creuzinei Artmann Cunha, Bruna Talita Iastrenski e Roni Telmo Teixeira. Eles teriam ocultado provas, falsificado documentos e participado no planejamento e apoio à tentativa de resgate do detento.

O MPF (Ministério Público Federal) acatou a denúncia e, no dia 24 de agosto, será realizada a audiência de instrução. Os indiciados responderão por associação à organização criminosa e Daniel da Silva, além desse crime, responderá ainda por atentado e sequestro de aeronave com morte.
“É uma ousadia e isso mostra o quanto que essas pessoas que estão ligadas ao mundo do crime estão dispostas a confrontar as autoridades e a Justiça. Principalmente, a vida do cidadão, a vida do trabalhador, das pessoas de bem”, lamentou o delegado

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