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SUS terá que oferecer remédio à base de canabidiol para catarinense de 4 anos

O medicamento tem a substância encontrada na maconha e é utilizado no tratamento da menina que tem epilepsias constantes

Redação ND
Florianópolis
11/07/2017 às 13H09

A União, o Estado de Santa Catarina e a cidade de Blumenau terão que fornecer o medicamento canabidiol, substância encontrada na maconha, para uma criança de quatro anos, portadora da Síndrome de Aicardi. A decisão é do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). A decisão foi julgada na última semana.

A Síndrome de Aicardi provoca epilepsias constantes e de difícil controle. A mãe relata que a menina de apenas quatro anos, na época, tinha de 6 a 10 convulsões por dia, dormindo ou acordada. Com os tratamentos fornecidos pelo SUS não surgindo efeito no controle da doença, a família da menina tomou conhecimento do tratamento à base de canabidiol. O ofício que garante o direito da criança de adquirir legalmente o medicamento já foi expedido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No entanto, o custo do fármaco é muito alto para a renda da família.

A menina, representada pela mãe, ajuizou ação solicitando antecipação de tutela para o fornecimento do remédio, uma ampola a cada 15 dias, por prazo indeterminado. O pedido na 1ª Vara Federal de Blumenau foi julgado procedente.

A União, o estado de Santa Catarina e o município de Blumenau recorreram ao tribunal. A União e o estado alegam a impossibilidade da determinação de concessão do medicamento sem registro na Anvisa. O município alega a existência de alternativas no SUS para a doença da autora.

O relator do caso, desembargador federal Luis Alberto d’Azevedo Aurvalle, reformou a sentença para apenas assegurar a possibilidade de ressarcimento administrativo entre os réus. “O documento médico também esclareceu que a autora já se havia submetido a tratamentos com medicamentos fornecidos pelo SUS, reforçando a necessidade de utilização do canabidiol no caso concreto”, afirmou o desembargador.

Segundo o magistrado, ainda que o medicamento, objeto da lide, não possua registro na Anvisa, foi concedida autorização excepcional de importação, deferida por esse órgão à parte autora, pelo que, inaplicável o entendimento que veda o fornecimento de medicamentos sem o registro respectivo.

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