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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Supermercados investem em carnes embaladas e começam a fechar açougues em Santa Catarina

Escassez de mão de obra especializada, segurança alimentar e aumento da procura dos clientes pelos cortes embalados está mudando o serviço prestado para os clientes de duas redes no Estado

Alessandra Ogeda
Florianópolis

Duas das quatro principais redes de supermercado de Santa Catarina estão investindo na venda de carnes embaladas e abrindo mão do atendimento ao público nos açougues dentro das unidades. As marcas Imperatriz e Bistek fecharam, cada uma, pelo menos quatro açougues, apostando no autosserviço dos clientes.  

Segundo Paulo Passos, supervisor da área de açougues da rede Bistek, a marca foi uma das pioneiras na venda de carnes embaladas em Santa Catarina. "Nos preocupamos com a segurança alimentar, com a agilidade no atendimento e em garantir a qualidade da carne. Como possuímos 15 lojas no Estado, fica difícil fazer com que toda a mercadoria fosse cortada do mesmo jeito. Com a carne embalada, atendemos as 15 lojas com o mesmo padrão", argumenta.

Daniel Queiroz/ND
Unidades do Bistek contam com equipamento que acondiciona produto à vácuo


Além da padronização da carne, que é cortada e embalada na central do Bistek em Nova Veneza, Passos afirma que a mudança foi motivada pela escassez de mão de obra qualificada nos açougues e pela tendência crescente do número de clientes que preferem o autoatendimento, evitando perder tempo nas filas dos açougues. 

De acordo com o diretor executivo da Acats (Associação Catarinense de Supermercados), Antonio Carlos Poletini, a decisão de fechar os açougues não segue nenhuma mudança de legislação ou determinação da entidade. "Essa é uma decisão de cada empresa, com base em processos internos", comentou por e-mail através da assessoria de imprensa.

O diretor da Acats confirmou que a rede Imperatriz é uma das que está optando pelo fechamento dos açougues. A reportagem do Notícias do Dia identificou pelo menos quatro unidades da marca, que possui 16 supermercados no Estado, passaram a vender apenas carnes embaladas: a do Córrego Grande, da Avenida Mauro Ramos e do Rio Tavares, as três em Florianópolis, e a do Kobrasol, em São José.

Através da assessoria de imprensa, a rede Imperatriz informou apenas que "o tema tratado pela reportagem ainda não tem uma definição por parte da rede".

 

Rede investe em equipamento alemão para oferecer carne vermelha

Atualmente, 85% das vendas de carne dos supermercados Bistek é feita através do autosserviço. Há cinco anos, segundo Paulo Passos, supervisor da área de açougues da rede, a empresa começou a investir mais nas carnes embaladas.

Mesmo com a maioria dispensando o atendimento no açougue, 11 das 15 lojas da marca no Estado ainda oferecem esse serviço para os clientes. "Esse 15% talvez seja um público formador de opinião, que ainda precisa conhecer a qualidade da carne embalada. Mas é fato que as pessoas estão cada vez com menos tempo e, por isso, a tendência é que, a curto prazo, diminua ainda mais os açougues nos supermercados", projeta.

Acostumada a trabalhar com todo o tipo de cortes e tamanhos de carne embaladas à vácuo, a rede Bistek começou a trabalhar, há quatro meses, com as carnes acondicionadas com a tecnologia da atmosfera modificada. A empresa importou um equipamento da Alemanha para implantar a novidade.

De acordo com Passos, muitos clientes têm medo da carne a vácuo porque no processo de acondicionamento é retirado todo o oxigênio, para as bactérias não se proliferarem, e a carne escurece. Para ela voltar a ficar vermelha, a pessoa deve deixar a carne fora da embalagem durante dois ou três minutos. "A atmosfera modificada garante que, por 12 dias, a carne fique com a coloração vermelha como se o boi tivesse sido morto naquele momento", explica. 

 

Outras redes vão seguir apostando no atendimento no balcão

Enquanto Bistek e Imperatriz tomaram a decisão de fechar alguns dos açougues de seus supermercados, as redes Angeloni e Giassi vão continuar com o atendimento direto ao público no balcão. De acordo com o gerente operacional da rede Giassi, Jalmor De Assis, os açougues vão continuar funcionando para atender ao público que está, gradativamente, migrando para o segmento das carnes embaladas.

"O que estamos vendo nas lojas é esta tendência de uma migração muito grande para os cortes prontos. Isso acontece porque existem muitas opções de tipo e tamanho de corte, o que facilita a escolha do cliente que procura praticidade", avalia. Com 14 lojas em Santa Catarina, a rede Giassi trabalha com cortes já preparados para alguns tipos de pratos que serão preparados pelos clientes.

Há pouco mais de dois anos a rede Giassi fez a migração completa da linha de pescados para os produtos embalados. Através da assessoria de imprensa, a rede Angeloni informou que disponibiliza na seção de carnes "produtos manipulados e pré-embalados pelos fornecedores", além de "cortes e porções processados em nossas unidades, que visam facilitar a vida dos clientes". 

A terceira opção oferecida pelo Angeloni é voltada para "aqueles consumidores mais tradicionais e que preferem ver a carne sendo preparada na hora, com o balcão de atendimento personalizado". O Angeloni informou que não tem, "no momento", intenção de eliminar esta terceira forma de atendimento.

 

Açougue de rua registra aumenta da procura de clientes tradicionais

A preservação dos açougues em alguns supermercados procura atender a clientes como o bancário Ervino de Oliveira, de 51 anos. Mesmo percebendo a tendência da venda de carnes embaladas, ele prefere o atendimento nos açougues. "Acho que a carne é mais fresca e eu consigo escolher melhor as peças que vou comprar", conta.

Morando em Florianópolis, mas acostumado com as opções especializadas de Lages, cidade aonde morava anteriormente, Oliveira diz que prefere comprar em açougues que ficam fora dos supermercados. Fã de churrasco e de entrevero, o bancário disse que não deixará de comprar carne no futuro, mesmo que a única opção for a dos produtos embalados.

Proprietário do Comércio de Carnes Pauli, há 20 anos em atividade no bairro Trindade, Djalma Antônio Pauli registrou aumento de pelo menos 10% nas vendas nos últimos dois meses. "Aos poucos percebemos que as pessoas que estão acostumadas a comprar em açougue e que encontram os supermercados sem essa opção, estão procurando pelo açougue fora", conta. 

Informado de que até o final do ano mais supermercados vão fechar os açougues próprios, Pauli espera que as vendas aumentem ainda mais. Sobre o custo da carne, o empresário afirma que o açougue consegue ter preços competitivos em dias normais, mas que os supermercados têm vantagem nos dias de promoções. "Mas quem nos procura sabe que terá corte diferenciado e qualidade de carne, que é toda de Santa Catarina".

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