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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Solução para déficit federal é corte de gastos, defendem parlamentares catarinenses

Deputados e senadores avaliaram o que pode ser feito para reverter problema financeiro no governo Dilma

Stefani Ceolla
Florianópolis

O governo federal entregou na segunda-feira ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a proposta de Orçamento da União de 2016 com a previsão de déficit primário de R$ 30,5 bilhões. O envio foi feito junto com o pedido de que o Congresso ajude a encontrar soluções para o problema, sugerindo medidas que elevem a arrecadação e reduzam os custos. Para os parlamentares catarinenses, a solução é simples: o governo precisa cortar gastos enxugando a máquina pública.

Waldemir Barreto/Agência Senado/ND
Palácio do Planalto pediu ao Congresso Nacional ajuda para reduzir gastos 

 

O senador Paulo Bauer (PSDB), membro da comissão mista de orçamento, tem uma visão bastante negativa da situação. “O que o governo fez comprova com clareza a falta de competência na gestão do país”, critica. “Quando o governo aponta um déficit de R$ 30 bilhões e pede ao Congresso que corte os programas, as obras, o governo nada mais faz do que tentar transferir para outro poder uma responsabilidade que é exclusivamente sua. Ou seja, a Dilma quer lavar as mãos”, completa.

Para ele, a solução é que o governo diminua ministérios, propaganda, subsídios e demita comissionados. O senador Dalírio Beber (PSDB) também defende que é o Executivo que deve dizer o que deve ser cortado. “Não é só cortar ministério, são inúmeros cargos de confiança. Isso deveria ter sido feito antes. Quem está no governo tem que se antecipar”, opina.

O deputado federal Jorginho Mello (PR) segue a mesma linha. “Isso é descontrole das contas públicas. Tem que diminuir gasto, enxugar a máquina”, aponta. João Rodrigues (PSD) concorda. “A primeira coisa que o Congresso tem que fazer é impedir o aumento de impostos. A medida ideal é sugerir corte de gastos”, diz.

Da oposição, o deputado Marco Tebaldi (PSDB) vê o envio do orçamento como uma “brincadeira de mau gosto”. “O governo que corte as despesas, ministério, gastos. Não precisa de ajuda”, enfatiza.

Na tarde desta terça-feira (1º), líderes de bancadas fizeram uma reunião em que discutiram sugerir a Renan Calheiros que seja feita uma emenda e o governo apresente onde serão feitos os cortes. “É o governo que vai gastar, então é natural que ele descida”, analisa a deputada Carmen Zanotto (PPS).

Orçamento realista

Esperidião Amin (PP), deputado federal, avalia que “o governo agiu corretamente mandando um orçamento realista”. “Assim ela [a presidente] pelo menos para de errar. Quando para de errar começa a ‘despiorar’”, analisa. Ele pontua que o Congresso tem responsabilidade. “Aprovamos aqui coisas, o próprio governo aprova coisas que não pode pagar”, admite. Mas a culpa, para ele, é do Executivo, “que gerenciou essa falência”. Amin sugere que os parlamentares tratem o orçamento “com responsabilidade, mais do que nunca”.

Mauro Mariani (PMDB) vê uma “parte positiva”. “Nós precisamos desse choque de realidade, acordar para o mundo real. Claro que vejo com preocupação, porque sugere o aprofundamento da crise. Mas por outro lado, para você sair de uma dificuldade é preciso admitir que ela existe”, opina. Para ele, a solução está no corte de custos.

Deputado federal de situação, Décio Lima (PT), diz que o momento “impõe responsabilidade com o país”. “Estamos assistindo uma crise do mundo todo na economia. Todo mundo pode dar uma contribuição”, defende. Mas ameniza: “Esse déficit, considerando o crescimento do PIB nos últimos anos e a linha do horizonte, não é algo que traga qualquer susto a não ser a responsabilidade”.

FRASES

“Isso comprova com clareza que a presidente Dilma Rousseff, na campanha do ano passado, faltou com a verdade ao dizer que todas as contas públicas estavam em ordem”, senador Paulo Bauer (PSDB)

“O Brasil tem instrumentos muito serenos para enfrentar esse momento, mas não podemos ser irresponsáveis”, deputado federal Décio Lima (PT)

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