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Sexta-Feira, 18 de Janeiro de 2019
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Situação é crítica no cemitério do Itacorubi, em Florianópolis

Diante do abandono, parentes tentam deixar os túmulos mais limpos

Saraga Schiestl
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Cemitário do Itacorubi, o maior de Florianópolis, abandonado dez dias antes do Dia dos Finados

Faltam dez dias para o Dia de Finados, comemorado em 2 de novembro. Às vésperas da data, familiares começam a visitar o Cemitério São Francisco de Assis, no bairro Itacorubi, o maior de Santa Catarina, para deixar os túmulos limpos e ficam revoltados com a sujeira.  Em uma tentativa de organizar o abandono encontrado no cemitério, 15 funcionários da Comcap (Companhia Melhoramentos da Capital) tentam, a passos lentos, tirar o mato que cresce entre as ruelas que ligam as covas.


A situação do cemitério é complicada, por todos os lados restos de flores e até  de caixões estão largados pelo chão. De acordo com Paulo Nunes, responsável pelo departamento de limpeza da Comcap, o mutirão iniciou no dia 17 de outubro. “Eles estão amontoando a sujeira em alguns cantos para que a própria administração do cemitério faça a retirada dos entulhos”, explica. A previsão é que a limpeza termine na quarta-feira (26).


Em contraponto, o funcionário do cemitério, Jairo Figueiredo, não acredita que dê tempo para que operação termine até o feriado. Isso porque a administração só tem uma tobata – espécie de pequena carroça motorizada – e dois funcionários para retirar o lixo. “Vamos ter que contar com o apoio da Comcap para tirar esses volumes”, admite Jairo.

Sem acreditar nos serviços públicos, as irmãs Zenilda Lima, 75, e Zenaide Lima, 78, trouxeram um arsenal de limpeza para o cemitério do Itacorubi, onde estão enterrados alguns familiares. Baldes de água, vassouras, produtos químicos e flores novas de plástico estavam entre os objetos carregados pelas aposentadas. “Nós visitamos nossos parentes todos os meses e nunca vimos esse lugar limpo. É uma falta de respeito”, reclama Zenilda, enquanto ajuda a irmã a capinar os matinhos que crescem ao lado do túmulo. “Sem contar que é um perigo andar aqui, as ruas estão cada dia mais estreitas e sem cuidado nenhum”, completa Zenaide.

 

Limpeza tem que ser por conta
Depois de uma semana de limpeza, apenas alguns montes de lixo e uma tinta amarela berrante, utilizada para delimitar meios-fios e postes, têm chamado a atenção dos primeiros familiares que visitam o cemitério para limpar os túmulos. “Está horrível, só porque está chegando o Dia de Finados a Prefeitura vem até aqui para maquiar o cemitério. Esse lugar está completamente abandonado”, observa o aposentado pela prefeitura Diomar Wilperte, 71, que todas as semanas vai até o Cemitério do Itacorubi, para limpar 22 jazigos cujos familiares pagam por este serviço. “Trabalhei aqui durante 20 anos em uma época que o cemitério tinha 16 funcionários. Isso aqui era lindo. Hoje dá muito desgosto vir aqui”, completa.


Pela primeira vez o funcionário da Comcap (Companhia de Melhoramentos da Capital), Moacir João Bernardo, trabalha na limpeza do cemitério. “Quando chegamos na semana passada a condição estava bem pior. Tem muita gente que não tem o menor respeito pelos seus parentes que já foram”,  aponta o funcionário.


A gerência do Cemitério São Francisco de Assis, no bairro Itacorubi, esclarece que a partir do dia 28 de outubro, próxima sexta-feira, estará impedido o acesso para carros no interior do cemitério em razão do aumento no número de visitas e a entrada do espaço fica complicada. A expectativa é que, no dia 2 mais de 20 mil pessoas visitem o cemitério. Lá estão enterradas 62.335 pessoas em uma área de mais de  90 mil metros quadrados.

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