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Sistema Integrado de Mobilidade completa um ano de operação em Florianópolis

Usuários, operadoras e prefeitura reconhecem que poucas mudanças foram realizadas até o momento

Alessandra Oliveira
Florianópolis

Um ano depois da implantação do SIM (Sistema Integrado de Mobilidade), pela Prefeitura de Florianópolis, as principais alterações anunciadas e que estão contidas no edital da licitação vencida pelo Consórcio Fênix ainda não foram colocadas em prática. “As grandes mudanças para os passageiros ainda não aconteceram”, diz Vinícius Cofferri, secretário de Mobilidade Urbana da Capital. Ele se refere à implantação do CCO (Centro de Controle Operacional) e do SAO (Serviço de Apoio à Operação), previstas para junho de 2016, para melhorar o acompanhamento dos horários e linhas pelos passageiros. Enquanto as duas siglas não saem do papel, usuários mantêm as tradicionais e históricas críticas ao transporte coletivo da Capital, operado pelo Consórcio Fênix desde 1 de novembro de 2014.

Flávio Tin/ND
Usuários perceberam poucas mudanças com novo sistema

 

Os ônibus das empresas Transol, Canasvieiras, Insular, Estrela e Emflotur, que compõem o Fênix, estão padronizados nas cores azul e branco. A mudança exigiu adaptação dos usuários, que precisam se ater mais aos nomes e numeração das linhas, principalmente fora dos terminais. “Um ano de sistema novo e tudo que percebi foi a padronização dos uniformes dos funcionários e dos veículos. Florianópolis está longe de ter o transporte de qualidade que uma capital exige”, critica a atendente em saúde Edna Dias, 48 anos. A moradora do Ribeirão da Ilha diz que raramente vê ônibus novos circulando no Sul da Ilha, de onde se desloca diariamente para o Centro. “Eu pensava que teríamos grandes melhorias, mas quase nada mudou”, lamenta.

A ausência de oferta na linha Porto da Lagoa, aos sábados à tarde e aos domingos, é razão de uma das críticas da professora Gabriela Oliveira, 34. Ela se queixa ainda do fato de ter de ir ao Centro para poder chegar ao aeroporto. “Essa postura é elitista, porque priva o trabalhador do lazer. Muita coisa precisa ser melhorada nesse serviço”, desaprova.

Frota renovada e aposta na tecnologia

Ao reconhecer que as inovações dos últimos 12 meses foram pouco sentidas pelos usuários, o secretário Vinícius Cofferri destaca que as alterações serão menos sutis em 2016. “Neste primeiro ano, implantamos a tarifa social para estudantes e também conseguimos uma substancial melhoria na idade média da frota, que era de 7,66 anos e caiu para 5,51 anos, com a entrada de mais de cem veículos novos”, defende.

Segundo Cofferri, muitas questões referentes às melhorias do sistema dependem da implantação do SAO. Sobre a demora na liberação das licenças pela SMDU (Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) para a construção do Serviço de Apoio à Operação, o secretário afirmou que por se tratar de um projeto grande e complexo, foi necessária uma avaliação detalhada da proposta apresentada pelo Consórcio Fênix. “Precisávamos garantir que o projeto estava compatível com o edital até porque trata-se de um serviço que poucas capitais têm”, disse.

O prazo, previsto em edital, para o início da operação do SAO e do CCO é de 270 dias a 360 dias após a emissão das licenças, que saíram em setembro. A central onde funcionará o SAO e o CCO será construída no bairro Capoeiras. Custará R$ 30 milhões e deverá entrar em atividade em junho de 2016, com tecnologias para melhor controle dos horários e percursos dos ônibus, pelos passageiros e também pela SMDU.

Sobre ar-condicionado nos ônibus, Cofferri afirmou que o equipamento não é unanimidade entre os usuários, conforme a ouvidoria da prefeitura. “Os novos veículos estão vindo com renovadores de ar que possibilitam a redução de até 6°C na temperatura dentro dos ônibus. Não é o conforto térmico do ar-condicionado, mas é relativamente bom”, garante.

Opiniões distintas dos usuários

A auxiliar administrativa Simoni Quadra, 40 anos, acredita que os usuários reclamam demais do transporte coletivo e elogia o funcionamento do serviço na Capital. “Acredito que as ruas, avenidas e rodovias sejam o grande problema da cidade. Quando estão desobstruídas o deslocamento ocorre dentro do previsto e não enfrento problemas para ir ou voltar ao trabalho, na Lagoa da Conceição. Os maiores problemas foram enfrentados no primeiro mês de operação, quando alteraram alguns horários e cores dos ônibus”, aponta a moradora do Campeche.

O farmacêutico Carlos Eduardo Bastos, 38, discorda de Simoni. Nos últimos oito anos ele morou na Lagoa da Conceição, na Trindade e agora mora no Rio Tavares, de onde se desloca para o trabalho, na Armação do Pântano do Sul. “Acredito que o Sul da Ilha seja o pior lugar para andar de ônibus. Qualquer fila por aqui torna a vida do usuário um caos. Perdemos conexões e temos de esperar mais de 40 minutos no terminal. O que não entendo é porque um ônibus - na linha Direto-Centro, por exemplo - tem de esperar o horário de saída se está superlotado”, questiona. Bastos acredita que a qualificação do serviço atrairia mais usuários e consequentemente melhoraria a mobilidade ao diminuir o número de automóveis nas ruas.

Nem rápido e nem pontual, diz coordenador do Fênix

Questionado sobre o que de fato mudou para o usuário neste primeiro ano de operação do SIM, o coordenador técnico do Consórcio Fênix, Rodolfo Guidi, reconhece que é difícil fazer grandes alterações no sistema, em uma cidade que tem a malha viária voltada ao transporte individual. “Falamos em atendimento a usuário, aplicativos, renovação de frota, treinamento e cumprimento de diversas metas. Porém, o que afasta os clientes do coletivo é a falta de pontualidade e regularidade do serviço. Os novos projetos anunciados neste setor, como os anéis viários corredores e faixas exclusivas proporcionarão melhorias na questão de confiabilidade e tempo de viagem. Sem resolvermos a causa dos atrasos, o cliente não terá uma boa impressão ou notará melhorias no serviço”, diz.

Guidi ressalta que não basta ofertar ônibus extras se eles ficam presos no congestionamento. “Hoje, o transporte coletivo de Florianópolis não é nem rápido, nem pontual”, afirma.

Para o coordenador do Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável da Grande Florianópolis), Guilherme Medeiros, a maior vantagem da implantação do SIM foi a possibilidade de melhor fiscalização do sistema pela prefeitura. “A licitação permitiu maior segurança nas questões legais, que antes eram nebulosas”, aponta.

Medeiros defende ainda a melhoria na mobilidade para que o tempo das viagens seja reduzido. “Enquanto o transporte coletivo não for privilegiado os usuários vão preferir andar de carro, porque a viagem leva a metade do tempo, em média”, diz.

Tudo igual do portão da empresa para dentro

Há 19 anos o motorista R., 37 anos, trabalha no transporte coletivo da Capital. Experiente, ele é taxativo ao avaliar as poucas mudanças durante o primeiro ano do SIM. “Do portão da garagem para fora mudaram as cores dos ônibus e nossos uniformes, coisa que a maioria dos passageiros ainda não percebeu. Do portão da empresa para dentro tudo está absolutamente igual. Mudou o quê, então?”, questiona.

O motorista diz que não percebeu um grande aumento na quantidade de passageiros, nos últimos meses, mas reconhece que o crescimento tem se acentuado na última década. No último ano o aumento foi de mais de 10 mil passageiros, conforme a Secretaria de Mobilidade Urbana. “É natural que a redução das linhas de financiamento, o aumento de juros e especialmente dos custos de manutenção de veículos e combustíveis, que mais clientes considerem viável o uso de modalidades coletivas de transporte, especialmente o serviço executivo, quando tratamos de clientes que trocam o carro particular pelo sistema coletivo”, observa o coordenador técnico do Consórcio Fênix, Rodolfo Guidi.

Quantidade de linhas:

Convencional:

Outubro de 2014:183

Agosto de 2015:174

Executivo:

Novembro de 2014: 22

Junho de 2015: 29

Frota:

Convencional:

Antes do SIM: 476

Depois: 466

Executivo:

Antes do SIM: 89

Depois: 80

Idade média da Frota:

Convencional:

Antes: 7,66

Depois: 5,51

Executivo:

Antes: 5,63

Depois: 4,43

Utilização do cartão tarifa social de R$ 1,86: 1.142,490 vezes.

Utilização do cartão tarifa social estudante (R$0): 2.212,962

Estudantes beneficiados com tarifa zero: 11.775

Número de passageiros transportados diariamente:

Outubro de 2014: 236.826

Outubro de 2015: 243.841   

Frota com acesso para deficientes:

Outubro de 2014: 48,6%

Outubro de 2015: 59%

Portadores de necessidades especiais com acompanhante: 2.086

Portadores de necessidades especiais sem acompanhante: 8.070

Número de usuários do aplicativo do SIM (APP Fênix): 30.000 (dowload)

Valor da tarifa transporte convencional:

Maio de 2014: R$2,90 em dinheiro- R$ 2,70 no cartão

Junho de 2014: R$2,75 em dinheiro- R$2,58 no cartão

Novembro de 2015: R$ 3,10 em dinheiro-R$ 2,98 no cartão

Valor da tarifa transporte executivo:

Maio de 2014: R$ 6

Janeiro de 2015: R$7

Sobre o SIM e Consórcio Fênix:

Empresas: Estrela, Transol, Canasvieiras, Insular e Emflotur

Valor do contrato com a prefeitura da Capital: R$ 122.415.802,20

Prazo de concessão: 20 anos

Frota mínima exigida: 517 veículos

Idade da média da frota: 6 anos

Repasse da SMU para pagamento das gratuidades: R$2 milhões mês

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