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Sistema de monitoramento será usado para melhorar produção de mel em Santa Catarina

Projeto da Epagri deverá contar com a colaboração dos 9 mil apicultores do Estado e com um monitoramento de seis regiões catarinenses

Felipe Alves
Florianópolis
29/09/2017 às 19H32

Com colmeias monitoradas em seis regiões do Estado, o Sistema de Monitoramento Apícola (Apis On-line), lançado esta semana, irá contribuir para qualificar ainda mais a produção de mel em Santa Catarina. Além de controlar as principais regiões de produção no Estado, o projeto da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) irá contar também com a colaboração dos quase 9 mil apicultores catarinenses para criar um grande mapa e banco de dados detalhado sobre a apicultura de Santa Catarina.

Produtor Osvaldino Huberto Gesser, de Antônio Carlos. Projeto da Epagri terá colaboração de 9.000 apicultores - Marco Santiago/ND
Produtor Osvaldino Huberto Gesser, de Antônio Carlos. Projeto da Epagri terá colaboração de 9.000 apicultores - Marco Santiago/ND





O sistema será formado por um conjunto de tecnologias, como site, aplicativo e estação de monitoramento apícola, que estão sendo implantados. A partir da próxima semana, a Epagri começa a instalação de seis equipamentos em áreas diferentes do Estado, que irão monitorar o microclima de Florianópolis, São Miguel do Oeste, Caçador, São Joaquim, Araranguá e Canoinhas/Mafra.

“Vamos ter uma colmeia monitorada em cada um desses locais para medir a temperatura, a umidade interna, o peso da colmeia, a umidade relativa do ar, a chuva e o orvalho. Essas informações vão ser transmitidas para a Epagri de hora em hora e, assim, vamos identificar os impactos do clima sobre a apicultura e a produção de mel”, explica Éverton Blainski, pesquisador da Epagri/Ciram e coordenador do projeto.

A proposta é que os apicultores também contribuam de forma colaborativa com informações de cada uma de suas apícolas para criar uma grande rede de informações no Estado. Dados do dia a dia dos apicultores poderão ser informados no sistema, como a fase de floração das plantas, o número de colmeias e os tipos de produtos e abelhas do local.

“Nosso principal objetivo é identificar as melhores estratégias para aumentar a produtividade e modernizar as técnicas de manejo das colmeias, gerando maior visibilidade para a cadeia”, afirma Blainski.

 

Seis equipamentos serão instalados no Estado para monitorar microclima em em regiões produtoras de mel - Marco Santiago/ND
Seis equipamentos serão instalados no Estado para monitorar microclima em em regiões produtoras de mel - Marco Santiago/ND



Canal de comunicação da apicultura

A qualidade do mel catarinense é reconhecida internacionalmente. Mas apesar de existir um conhecimento muito grande sobre a produção, essas informações são dispersas. Tudo que for coletado pelos equipamentos da Epagri e as informações repassadas pelos apicultores estará disponível no site ciram.epagri.sc.gov.br/apicultura. Este será o principal canal de comunicação entre Epagri e os apicultores. “Ali poderemos enviar informações oficiais para os apicultores, como recomendações técnicas, boletins e outros informativos”, explica Blainski.

Os seis equipamentos de monitoramento foram adquiridos com recursos do Programa SC Rural, num total de R$ 300 mil. A Epagri já firmou um convênio com o Instituto Federal de Santa Catarina para desenvolver unidades de monitoramento apícola de baixo custo, que serão usadas para adensar a rede.

 

Em cada região, um colmeia será monitorada para medir temperatura, umidade interna, peso da colmeia, entre outros dados - Marco Santiago/ND
Em cada região, um colmeia será monitorada para medir temperatura, umidade interna, peso da colmeia, entre outros dados - Marco Santiago/ND



Apicultor acredita que sistema melhorará produção

Com o sistema da Epagri o consumidor também terá à disposição várias informações sobre os produtores de mel de todo o Estado. Em um mapa interativo, as pessoas poderão saber detalhes de cada produtor, como informações de contato, seus produtos e detalhes da apícola.

O apicultor Osvaldino Huberto Gesser, 71, acredita que o sistema irá beneficiar toda a cadeia de produção de mel no Estado. “É preciso que as autoridades saibam onde têm abelhas, quanto produzem, por que não estão produzindo, se morrem e por que morrem. Tem que ter tudo monitorado para aumentar a produção do Estado”, afirma ele, que tem a família inteira envolvida na produção.

Em Antônio Carlos, Osvaldino também é secretário de agricultura da cidade. Ele tem cinco apícolas e cerca de cem colmeias. Em média, cada uma produz 30 kg de mel por mês, mas na safra passada houve colmeias produzindo até 100 kg em um mês. O apicultor aprendeu o ofício com o pai e, desde a década de 1960, quando chegaram as abelhas africanas ao país, ele trabalha com abelhas africanizadas – um híbrido entre as africanas e as europeias. Com mata nativa nas apícolas, seu Osvaldino produz mel silvestre, que é colhido agora em novembro e dezembro. Além do mel, a produção gera também cera, pólen, própolis e apitoxina (o veneno das abelhas que é usado para fins terapêuticos).  

 

Mel em números em Santa Catarina

- São quase 9.000 apicultores de diferentes portes no Estado e 315 mil colmeias

- Na safra 2016/217 foram produzidas 8 mil toneladas de mel - recorde em Santa Catarina

- A produção da safra ficou na média em 25 kg por colmeia – superior à média dos últimos anos, que foi de 20,42 kg

- No Brasil, a média é de 10 kg e, há cinco anos, a média catarinense era de 13 kg por colmeia

- A safra do mel acontece entre agosto e janeiro, meses em que é colhida 70% da produção. O restante é coletado entre fevereiro e abril, quando acontece a safrinha

- Metade do mel catarinense é exportado e 42% do total produzido tem certificação orgânica

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