Publicidade
Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 25º C
  • 16º C

Serte é exemplo de trabalho social e voluntário

Entidade funciona 24 horas por dia, na Ilha, e atende idosos e crianças

Letícia Mathias
Florianópolis
Débora Klempous/ND
“Onde se viu analfabeto ser poeta”, brinca Vicente Francisco da Fonseca que, em 2010, publicou um livro e tem a Serte como lar

 

Acolher idosos e menores em situação de risco, abandono ou violência e proporcionar educação gratuita para a comunidade são os principais projetos da Serte (Sociedade Espírita de Recuperação, Trabalho e Educação), entidade filantrópica de Florianópolis, fundada em 1956, por Leonel Pereira, o Nelito. A instituição dá assistência a 59 idosos em tempo integral, 25 crianças encaminhadas pelo Juizado da Infância e da Juventude, e 120 crianças da comunidade, de zero a seis anos, no Educandário, um projeto de educação e atividades gratuitas em período integral.

O trabalho funciona 24 horas por dia. Além dos 120 funcionários, a instituição tem 200 voluntários e 280 associados, que também são voluntários, mas contribuem financeiramente. Cada criança ou idoso que mora no abrigo custa R$ 2 mil mensais. A instituição mantém convênios com a prefeitura por meio das secretarias de Assistência Social, Educação e Saúde, que suprem 40% dos gastos. Os outros 60% são por meio de doações, eventos e bazares.

A ideia é investir na educação básica e cursos profissionalizantes. O primeiro projeto é fazer uma padaria escola para formar padeiros e confeiteiros. A Serte já ganhou equipamentos, mas precisa finalizar a construção de um prédio, que está 50% encaminhado. “Faltam parcerias e gente compromissada”, lamentou o presidente Jorge Cameu.

Fonseca encontrou a ‘dona felicidade’

É visível o cuidado e o bom trato com a comunidade e moradores dos lares. Na área dos idosos, histórias surpreendentes e cativantes são ouvidas. O resultado deste trabalho pode ser visto principalmente na vida daqueles que vivem no lar, como é o caso de Vicente Francisco da Fonseca. Gaúcho e acostumado com o trabalho braçal, Fonseca ficou viúvo em 1984. Ele buscou um lugar de descanso. Finalmente encontrou um lar na Serte, há dois anos.

Com 94 anos, lúcido e animado, contou que encontrou uma boa velhinha como companhia, a “dona felicidade”. Antes de entrar na Serte, ele conhecia só algumas letras do alfabeto e não sabia escrever, mas já dominava, oralmente, as palavras com rima e poesia.

Em 2010,  aprendeu a escrever e, com a ajuda dos funcionários da Serte, publicou um livro intitulado “Poemas de Um Velho Gaudério”. Em um dos versos, diz que deixou de ser “um gaudério abandonado” e hoje tem muito amor onde vive.

 

Débora Klempous/ND
Telmo Gomes costuma ler o jornal também para a mulher Anadyr

 

Necessidade recíproca de doar e receber

Entre uma área e outra, Telmo Gomes, 92, lê atenciosamente o jornal Correio do Povo. Interessado no que acontece no mundo, ele lê em voz alta para a sua mulher, Anadyr Gomes, 84, ouvir. “Gosto de ler essas mentiras que contam aqui. Ela (Anadyr) só quer saber de histórias de bailão e do horóscopo. Prefiro saber o que está acontecendo agora”, brincou Gomes.

Dona Dautina Dias de Jesus, 84, mostra, feliz, seu caderno de cânticos e o coelho que ganhou da assistente social com carinho. “Faço de tudo aqui. É maravilhoso. Além dos amigos, faço pinturas, aula de dança e gosto de cantar. Tenho muita a aprender.”

 Os voluntários garantem que é uma necessidade recíproca de doar e receber. Jorge Peres, 55, trabalha como voluntário há 15 anos e não se arrepende de doar seu tempo. “É simplesmente a prática do bem. Saio daqui feliz da vida, realizado”, disse.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade