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Os Desafios de SC: como os candidatos pretendem manter as qualidades de Santa Catarina

Destaque em expectativa de vida, baixo desemprego e baixa desigualdade social, o último desafio da série de reportagens do Grupo RIC é fazer o Estado continuar mantendo o padrão de excelência

Vanessa da Rocha
Florianópolis
04/10/2018 às 22H12

Há muito tempo, em uma ilha encantada, uma área especial era capaz de inspirar a todos. A terra era boa, a vegetação era bela e as praias eram estonteantes. Os imigrantes foram chegando e seguindo para a parte continental. A economia se desenvolvia, havia trabalho e a atmosfera era propícia para o desenvolvimento. Não se sabe ao certo se era pela qualidade de vida ou pelo bem estar gerado pelo contato com a natureza, mas havia um ambiente favorável ao processo criativo. Tanto, que ideias inovadoras começam a pintar por ali, e Santa Catarina começou a atrair cada vez mais talentos de várias regiões do Brasil e do mundo.

Leny Baessa  - Marco Santiago/ND
Leny Baessa - Marco Santiago/ND

Décadas e décadas se passaram e, para alguns, nada mudou. Não há como chegar em Santa Catarina e não se encantar com os 500 quilômetros de litoral envoltos por lagoas, animais nativos e pelo verde da mata. O Estado preserva a maior área proporcional do território de Mata Atlântica do país. E o turismo continua atraindo cada vez mais visitantes. “Santa Catarina é um destino muito procurado para eventos. Como destino turístico, atraímos cada vez mais os vizinhos da América Latina para as nossas praias e no inverno estamos tendo um crescimento de pessoas que desfrutam da nossa serra e do vinho catarinense”, diz a presidente da Federação de Convention & Visitors Bureau de SC, Jo Cintra.

Durante quase dois meses, o Notícias do Dia mostrou na série de reportagens Os Desafios de SC nove gargalos na economia, saúde, segurança e educação catarinense, além de ouvir as propostas dos candidatos ao governo do Estado. Agora, o décimo desafio para o próximo governador está lançado: valorizar o que o Estado tem de bom e manter o investimento nas áreas de grande potencial. Setor de destaque para o PIB catarinense, o turismo é um exemplo: tem entregue ótimos resultados, mesmo com um incentivo menor. “Imagina o quanto poderíamos ir mais longe se tivéssemos maior investimento”, diz Raphael Dabdab, presidente da Abrasel (Associação dos Bares e Restaurantes de SC).

O desafio pode parecer simples, mas não é. Santa Catarina já foi referência e chegou a ser vista como a “suíça brasileira” na opinião do cientista político Eduardo Guerini. Para o especialista, esses números positivos são de um período em que Santa Catarina teve um modelo de desenvolvimento regionalizado em que havia uma diversidade produtiva. Da década de 1990 para cá, está ocorrendo um processo de desindustrialização e crise fiscal. O resultado é a gradual “deterioração dos serviços públicos”, segundo Guerini. Está dado o alerta para o próximo governador manter e valorizar os potenciais de Santa Catarina.

Celeiro de oportunidades

Os moradores de Santa Catarina têm a maior expectativa de vida do país. É daqui também a maior taxa de doadores de órgãos. Apesar dos pontos a evoluir, o SUS de SC é considerado um dos mais eficientes do país. Os números mostram que aqui há qualidade de vida, sobretudo para a terceira idade. Um pouco antes da reunião do Conselho Municipal do Idoso de Florianópolis, uma pergunta foi lançada para Leny Baessa, presidente da entidade. “É bom envelhecer em SC?”. Ela solta uma gargalhada e responde. “Eu acredito que sim. Estou com 82 e já tô aqui há 36 (...) Amo a natureza, amo a minha vida em SC,” diz.

Leny, que também integra o Núcleo de Estudos da Terceira Idade da UFSC, morou em diversos estados, mas escolheu Santa Catarina para viver. “Eu nasci em Minas, casei no Rio, fui mãe em São Paulo e casei com um sergipano”, conta. “O meu irmão tinha vindo pra cá e nós nos apaixonamos pelo local. Quando nasceu meu segundo filho, eu não podia ficar em qualquer lugar e decide morar aqui”, diz.

São Paulo, Paraná e diversos outros estados também oferecem qualidade de vida, mas SC tem uma carta na manga: é o Estado com menor desigualdade social. “Esse índice equitativo (índice de Gini) certamente impacta na vida das pessoas que estão aqui. Quanto mais as pessoas têm poder de compra, mais potencializado fica o desenvolvimento econômico. Também temos o menor índice de desemprego do país,” diz o economista da Fecomércio, Luciano Córdova.

Em bares, restaurantes, na praia e em todos os lugares é possível ouvir sotaques diferentes. Além dos gaúchos e argentinos que tomam conta do litoral no verão, os catarinenses também têm ouvido o chiadinho carioca, o “jeitim” mineiro e vozes estrangeiras em diversas épocas do ano. O presidente do Sindimóveis (Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado), Antonio Moser tem percebido essa diversidade, “Temos atraído pessoas interessadas em viver, morar, trabalhar aqui. Também percebemos a chegada de muitos investidores,” diz.

Mas é preciso aproveitar essa terra de oportunidades. O alerta foi dados pelos representantes de diversos setores. “Já ouvi gente dizendo que nos Estados Unidos abre uma empresa em 7 horas e aqui leva uns 3 meses e não tem evolução. Eles (os empresários) esperam mais incentivo e menos burocracia,” diz Moser. “Precisamos manter a divulgação do Estado no Brasil e no exterior para captação de eventos e turismo. Nosso maior competidor é o nordeste porque os estados de lá oferecem subsídios para atrair os eventos, diz Jo Sintra, presidente da Federação dos Conventions Bureau de SC. “Nós temos observado a redução sistemática de verbas”, diz Raphael Dabdab, presidente da Abrasel. Indústria, Tecnologia Agropecuária e diversos outros setores que entregam resultados para o PIB catarinense têm reivindicado uma atenção especial do próximo governador para manter e melhorar o que Santa Catarina tem de bom.

O que dizem os candidatos

Santa Catarina é referência em diversos aspectos. Somos o Estado com o maior índice de longevidade, o que mostra boa qualidade de vida. Também temos bom desempenho no turismo, no empreendedorismo e em inovação e tecnologia. Se eleito, o que você vai fazer para manter esses aspectos positivos?

Carlos Moisés (PSL)
Não apenas manter, mas fomentar a capacidade de expansão que nosso Estado possui, tanto no turismo, quanto no empreendedorismo e nas áreas de inovação e tecnologia, reforçando investimentos que irão mostrar como essa força pode impactar positivamente na economia de Santa Catarina, levando o Estado ao hall de crescimento e desenvolvimento que as famílias catarinenses tanto buscam


Gelson Merisio / PSD
Nossos bons indicadores em muitas áreas refletem decisões acertadas no passado, mas mostram também que é preciso trabalhar para manter e obter novas conquistas e melhorias para sociedade. Um dos caminhos é interiorizar o desenvolvimento, garantindo equilíbrio entre todas as regiões. Valorizando nossas tradições e nosso jeito, do trabalho duro e superação dos desafios, vamos investir em mais segurança, saúde e educação.


Leonel Camasão / PSOL
Vamos investir em um sistema forte saúde, assistência e previdência. Na perspectiva da economia, vamos diversificar a estrutura produtiva com o fortalecimento das pequenas e médias empresas, da economia solidária, dos trabalhadores individuais e do cooperativismo, criar um modelo de desenvolvimento sustentável, com investimento em tecnologia e estimular programas de cooperação agrícola e agroecologia. Quanto ao turismo, vamos estimular iniciativas não predatórias que valorizem nossas riquezas culturais e naturais, além de investir em saneamento básico e outras obras que promovam o bem-estar social.

Rogério Portanova / REDE
Plano de governo sistêmico e integrado à Inovação Tecnológica e Sustentabilidade. Melhor saúde através de aplicativos que simplifique exames e acabem com as filas. Incentivo ao turismo rural, cultural, de parques e sustentável com segurança e qualidade de vida. Propor o marco regulatório das starts up e isenções fiscais só para o setor de TI e inovação


Mauro Mariani / MDB
Inovação, tecnologia e turismo serão as bases econômicas do futuro para SC. São indústrias sem chaminés. Nosso governo tratará esses setores com importância que eles merecem. Não criaremos taxas que inviabilizem a atração de empresas ao Estado. Pelo contrário, vamos incentivar aqueles que querem vir para cá.

Décio Lima (PT)
Vamos trabalhar para que o estado seja forte na Saúde, Educação e Segurança e melhorar estes indicadores. No Turismo: descentralização a verba do Fundo de Turismo e articular PPP. No empreendedorismo: estabelecer uma Nova Convenção para retirar as MPE do Serasa para que elas voltem a gerar emprego e renda. A prioridade na Inovação e Tecnologia é garantir recursos previstos em lei e estabelecer parcerias com universidades tornando SC referência para o país.

Ingrid Assis (PSTU)
Para melhorarmos a qualidade de vida será preciso atender aos metalúrgicos de Joinville, os têxteis de Blumenau, os operários da construção civil e ao conjunto da classe trabalhadora, garantindo emprego, renda e direitos. Para isso vamos ter que questionar os privilégios dos ricos e poderosos.

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