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Série 'Lei Seca': motoristas buscam opções para não dirigir depois da cerveja com amigos

Mudança de hábitos nos bares vem após legislação ficar mais rígida para cri­mes de trânsito cometidos por pessoas embriagadas

Alícia Alão (Especial para o Notícias do Dia)
Florianópolis
09/05/2018 às 22H43

Na mesa do bar, do restaurante ou na balada, o consumo de bebidas alcoó­licas faz parte dos momentos de lazer e favorece a descontração, a interação so­cial e o relaxamento. O problema começa quando os consumidores de álcool assu­mem a direção de um veículo. É nos fins de semana que ocorrem a maioria dos acidentes de trânsito envolvendo moto­ristas embriagados.

“Motorista da rodada” fica só na água para levar amigos com segurança - Marco Santiago/ND
“Motorista da rodada” fica só na água para levar amigos com segurança - Marco Santiago/ND


No início da criação da Lei Seca no Brasil, há dez anos, foi observada uma di­minuição do público que frequenta esses estabelecimentos, de acordo com a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restau­rantes). Com o tempo, a frequência voltou aos níveis normais, na constatação de Ra­phael Dabdab, presidente da Abrasel/SC. “Os consumidores se adequaram à nova realidade da legislação, ampliando a cons­ciência e a responsabilidade. Muitas cam­panhas contribuíram para isso”, afirmou.

Com a pouca oferta de transporte pú­blico durante a madrugada nas cidades, um fator que impactou positivamente foi a regulamentação do transporte prestado por meio de aplicativos, como Uber, 99 Pop e Cabify. “É um serviço que tem um custo bem mais atrativo e soluciona essa ques­tão”, observou Dabdab.

Outra alternativa encontrada por al­guns estabelecimentos foi oferecer servi­ços de vans itinerantes para levar os clien­tes em segurança para casa. “São opções que trazem mais conforto”, acrescentou.

Consumidores se adaptam e aprovam a nova legislação

No happy hour da empresa, a bancária Mariana Bohn, 29 anos, e seus colegas de trabalho celebraram com responsabilidade: todos voltariam para casa de Uber. "Quem bebe, sabe que não fica 100% em condições para dirigir. Essa mudança na nova lei é ótima, porque pesa no bolso e retira a CNH do motorista que dirige embriagado", disse, revelando que mudou seus hábitos por causa da lei nos últimos anos.

Mariana e colegas voltaram de Uber para casa depois do happy hour da empresa - Marco Santiago/ND
Mariana e colegas voltaram de Uber para casa depois do happy hour da empresa - Marco Santiago/ND


Mesmo depois de algumas cervejas, o bancário Márcio Matos, 33 anos, sabe de cor a pena para quem dirige sob efeito de álcool. “Multa de R$ 2.934 e suspensão do direito de dirigir”, disse, sem hesitar. O colega Marco Monguilhott, 45, explica que com planejamento é fácil ser prudente. "Tenho condições de ir trabalhar com o carro, mas hoje vim de ônibus porque sabia que ia beber", relatou.

Direção estimula uma disputa de poder

 A bebida leva a uma sensação de prazer e a direção de um veículo estimu­la uma disputa de poder. A mistura des­sas duas condições potencializa o risco de acidentes graves. A psicóloga Amabi­le Daiane Nogueira Rubin, em um artigo sobre embriaguez ao volante, relatou que, ao analisar o comportamento dos motoristas, é comum identificar o dese­jo de ganhar. “É comprovado que adoles­centes mostram tendência maior para se envolver em acidentes, enquanto pes­soas mais velhas apresentam compor­tamento relapso em relação à direção. Já os homens assumem atitude de risco maior que as mulheres”, registrou.

Na Capital, blitz da balada orienta de forma lúdica e preventiva

Atenta à importância da fisca­lização para evitar a ocorrência de acidentes de trânsito, a secretária de Segurança Pública de Florianópolis, Maryanne Mattos, afirma que a fre­quência da blitz aumentou desde o ano passado na Capital, a partir do projeto Floripa Segura. “A Guarda Municipal realiza pequenas blitze com frequência diária, praticamente. Mas também são feitas as operações integradas com outras instituições, como Polícia Militar, Polícia Civil, Po­lícia Militar Rodoviária e Polícia Ro­doviária Federal”, afirmou.

Maryanne, que também comanda a Guarda Municipal, explica que a escolha do local da fiscalização va­ria conforme os eventos do dia, como uma festa grande ou um show. “A maior dificuldade é a conscientização das pessoas. Não tem problema sair com os amigos, tomar uma cerveji­nha, desde que não dirija”, alertou.

Além da blitz de fiscalização, a Guarda também promove a blitz educativa da balada. De uma forma mais lúdica e preventiva, os agentes vão até estabelecimentos comerciais, como bares e restaurantes, e distri­buem panfletos, fazem testes com bafômetros descartáveis e orientam as pessoas se estão ou não em condi­ções de dirigir. O motorista da rodada ganha um adesivo. “O papel do em­presário é apoiar e dar espaço para essas campanhas acontecerem”, re­conheceu o presidente da Abrasel/SC, Raphael Dabdab.

Série "Lei Seca"

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