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Sem diálogo com a comunidade, continua impasse sobre utilização do Campo da Aviação

Reunião intermediada pela prefeitura definiu que a Aeronáutica fará uma limpeza no local

Cristiano Rigo Dalcin
Florianópolis
10/08/2018 às 10H17

O impasse que envolve a comunidade do Campeche e representantes da Aeronáutica para utilização do terreno do Campo da Aviação, no Sul da Ilha, permanece após a reunião intermediada pela Prefeitura de Florianópolis na tarde desta quinta-feira (9). O encontro definiu apenas que a Aeronáutica promoverá uma limpeza nos próximo dias para recolher entulhos e lixo depositados nos terrenos.

Sediada na Base Aérea, a reunião teve a participação de representantes da Aeronáutica, da AGU (Advogacia Geral da União), que defende judicialmente a União, e do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis). A reportagem do ND esteve no local, mas não teve autorização do comando da Base Aérea para acompanhar o encontro.

marco antonio - Marco Santiago
marco antonio - Marco Santiago


Segundo o superintendente do Ipuf, Ildo Rosa, a reunião se limitou a debater “a diferença de abordagem” entre a Aeronáutica e a comunidade. “Queremos aproximar dois grupos que sempre trabalharam pela preservação daquele local nos últimos 40 anos. Não fomos discutir a questão judicial, pois isso será definido pela Justiça”, explicou.

Rosa disse que sentiu a “disposição” do comando da Base Aérea, representado pelo coronel Luiz dos Santos Alves, de dialogar com a sociedade.  Por outro lado, o superintendente do Ipuf disse ter ficado surpreso com a ausência de representantes da comunidade, pois a intermediação da prefeitura teria sido solicitada pela Amocam (Associação dos Moradores do Campeche) após os embargos realizados na área pelo município.

Indagado sobre as alegações da Amocam para não participar do encontro, Rosa disse que um novo encontro poderá ser agendado e negou que o encontro tenha sido sediado na Base Aérea, por uma exigência da Aeronáutica. “Fizemos a reunião lá pela proximidade com o local em discussão, e se fosse preciso, poderíamos fazer o deslocamento até o local”, explicou.

Rosa também não acredita que essa nova movimentação da Aeronáutica possa provocar algum tipo de tumulto na região, diante da revolta dos moradores com as intervenções já realizadas no local, embora reconheça que exista uma desconfiança da comunidade. “Não acredito que a população irá se insurgir. Seria o cúmulo. Conheço as lideranças da região e tudo poderá se resolver com diálogo”, completou. Contatado pela reportagem, o setor de Comunicação Social da Aeronáutica na Base Área não se manifestou após a reunião.

Enquanto a situação era discutida na Base Área, Marco Antonio Dilly acompanhava o filho e um amigo, ambos de 10 anos, que tentavam empinar pipas e andavam de bicicleta no Campo da Aviação. “Se não tivesse essa área, não teria onde levar as crianças, pois outro lugar aqui no Campeche não há”, disse Marco Antonio, ciente de todo impasse que envolve a utilização do local.

Amocam prepara evento neste sábado

A Amocam está organizando o evento “Ocupacuca” neste sábado para mostrar a força e união da comunidade do Sul da Ilha em defesa do Campo de Aviação, que se tornou uma área de lazer com campo de rúgbi, futebol e horta comunitária. De acordo com o presidente da Amocam, Alencar Vigano, os representantes da Aeronáutica estão convidados. “Se eles quiserem aparecer, serão bem recebidos, pois lugar de conversar com a comunidade não é em quartel”, afirmou Vigano.

 O líder comunitário explicou a ausência no encontro promovido pela prefeitura e realizado na sede da Base Aérea.  “Tivemos menos de 24 horas para nos organizar, pois a reunião foi marcada logo após o embargo feito pelo município que impediu a colocação da cerca. Temos nossos empregos, não trabalhamos na Amocam, então não é só agendar um encontro ”, contou.

Além do tempo exíguo, Vigano ressalta que o Campo da Aviação não é uma bandeira apenas da Amocam, mas de outras entidades do bairro, como o Núcleo Distrital do Campeche. “Precisávamos organizar uma pauta de reivindicação junto a outras entidades representativas do bairro”, alegou. Diante dos impedimentos, Vigano disse que solicitou o adiamento da reunião para segunda-feira (13) em contato com o Ipuf, mas não foi atendido, pois, segundo ele, foi informado que a reunião pertencia à agenda da Base Aérea.

O líder comunitário estranha ainda que outras partes não tenham sido convidadas para o encontro como o MPF (Ministério Público Federal) e o (IPHAN) Instituto do Patrimônio Histórico Nacional.  “Não há transparência, era uma armadilha”, definiu Vigano.

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