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Sem barracas e colchões suficientes, indígenas são encaminhados para o Tisac, na Capital

São quase 150 índios das etnias Xokleng e Kaingang, do Oeste catarinense, do Paraná e do Rio Grande do Sul, que vêm todo ano vender seu artesanato na temporada de verão

Michael Gonçalves
Florianópolis
21/12/2017 às 22H33

Os indígenas que chegam diariamente a Florianópolis estão sendo encaminhados para o terminal de ônibus desativado do Saco dos Limões, o Tisac, desde a última segunda-feira (18). São quase 150 índios das etnias xokleng e kaingang, do Oeste catarinense, Paraná e Rio Grande do Sul, que vêm todo ano vender artesanato na temporada de verão. Nesta quinta-feira (21), uma equipe da Prefeitura de Florianópolis trabalhava na instalação de chuveiros, sanitários e pias, que foram vandalizados no inverno. O problema é que não há barracas suficientes e nem colchões para atender a demanda, que deve chegar a 200 indígenas nos próximos dias.

Para Maria Lopes, 58, que ficou sem barraca e dorme no piso do terminal ao lado dos filhos e dos oito netos, as noites chuvosas estão sendo um obstáculo. “Para nos proteger da chuva com vento improvisamos dois compensados nas laterais. Também não temos fogão e um local apropriado para guardar os alimentos, já que tudo aqui foi destruído. Tudo está sendo feito no improviso, mas pelo menos não estamos sob um viaduto ou na rua”, disse a índia kaingang, que há 20 anos vem à capital catarinense.

Na semana passada, a procuradora Analúcia Hartmann, do MPF (Ministério Público Federal), coordenou uma reunião com os representantes do município, Estado, da União e Funai (Fundação Nacional do Índio) para recuperar o Tisac e prestar auxílio aos indígenas. Isso porque em novembro a Justiça Federal determinou que as partes constituíssem um grupo de trabalho para definir os critérios de construção de uma casa de acolhimento em prol dos indígenas.

Para Sidclei Cardoso, 34, a expectativa é de tomar um banho tranquilo. “Estávamos tomando banho de canequinha e, agora, isso deve mudar. A energia elétrica no banheiro não faz tanta falta para o banho, porque estamos acostumados com temperaturas bem inferiores. Precisamos é de colchão e barracas”, destacou. Os índios estão ocupando três barracas cedidas pela Defesa Civil Estadual.

Quase 150 indígenas que estavam nas ruas da Capital foram para o terminal - Flávio Tin/ ND
Quase 150 indígenas que estavam nas ruas da Capital foram para o terminal - Flávio Tin/ ND


Hábito cultural que coloca os índios em vulnerabilidade social

A secretária executiva do Cepin-SC (Conselho Estadual dos Povos Indígenas), Maria Íris Bessa Machado Lopes, explicou que os índios têm o hábito cultural de durante a temporada vender o artesanato nos balneários turísticos do Estado. Assim, eles ficam em vulnerabilidade social, porque não existe um espaço adequado para recebê-los. “Nas reuniões do grupo de trabalho interinstitucional conversamos sobre a necessidade de incluir Paraná e Rio Grande do Sul nas obrigações com essa casa de acolhimento, porque vários dos indígenas têm essas origens. O problema é que a cada dia chegam mais indígenas. Já fiz a solicitação à Defesa Civil para tentar conseguir mais barracas”, afirmou.

O coordenador regional da Defesa Civil Estadual, Ricardo Angelo Volpato, informou que cedeu três barracas, e que outras estão em uso e, por isso, não há a disponibilidade de mais equipamentos. A assessoria de imprensa da Secretaria de Assistência Social de Florianópolis informou que a sua responsabilidade é somente com a manutenção das instalações do Tisac.

Indígenas que chegam na Capital estão sendo encaminhados para o Tisac - Flávio Tin/ ND
Indígenas que chegam na Capital estão sendo encaminhados para o Tisac - Flávio Tin/ ND



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