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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Segurança no canteiro de obras para preservar a integridade do trabalhador

Olhar atento do engenheiro de Segurança do Trabalho e uso de equipamentos de segurança baixam a estatística de acidentes na construção civil

Carol Ramos
São José
Marcelo Bittencourt
Cintos de segurança acima de dois metros de altura é uma das exigências

Acidentes de trabalho na construção civil ocorridos na Grande Florianópolis nos últimos dias atentam quanto às normas de saúde e segurança dos trabalhadores, que devem ser seguidas pelas construtoras e engenheiros civis. Na sexta-feira, 24 de junho, Willian Antunes da Silva, 25, trabalhava na reforma de um prédio no bairro Estreito, em Florianópolis, quando o teto desabou e o tirou a vida do jovem pedreiro. Três dias após, outro operário perdeu a vida em uma obra no bairro Pedra Branca, em Palhoça, ao cair do sétimo andar no poço do elevador.

Prevenir acidentes de trabalho e preservar a integridade física e mental dos funcionários da construção civil é a principal função do engenheiro de Segurança do Trabalho, Carlos Alberto Xavier. Kita, como é conhecido no ramo, acompanha todas as fases de uma obra, do início ao fim. “Os riscos são cíclicos, mudam de acordo com a etapa da obra. Por isso, os funcionários têm de ser treinados e vistoriados diariamente”, diz o diretor técnico da ACE (Associação Catarinense de Engenheiros). KIta observa que a conscientização de construtoras e profissionais tem colaborado para a diminuição de acidentes de trabalho.

Marcelo Bittencourt
Kita fica atento ao cumprimento das normas e uso de equipamentros de segurança

“A construção civil já foi campeã em acidentes de trabalho, hoje estamos em quarto lugar”, destaca, citando entre os mais comuns acidentes de queda, aterramento elétrico e em elevadores de obra. Segundo Kita, o numero de acidentes caiu depois que as empresas passaram a adotar EPC (Equipamentos de Proteção Coletiva) e EPI (Equipamentos de Proteção Individual). “Sempre que o funcionário estiver acima de dois metros de altura, por exemplo, é obrigatório o uso de cinto de segurança acoplado a um trava quedas, com cabo individual. Sem falar no uso de capacete para qualquer pessoa que entre na obra”, ressalta.

Fiscalização, notificação e penalidades

O CREA-SC (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Santa Catarina) é responsável pela orientação e fiscalização do exercício profissional na construção civil. Cerca de 60 fiscais percorrem o estado vistoriando empresas e os respectivos engenheiros responsáveis. “Fizemos um roteiro e dividimos os fiscais, que atuam em 23 inspetorias no estado. Temos frota própria, que é equipada com aparelhos de GPS para facilitar o trabalho”, explica o engenheiro civil, Luiz Henrique Pellegrini, superintendente CREA–SC.

O engenheiro diz que tanto a construtora quanto o profissional responsável por uma obra devem ser devidamente registrados. “Fizemos com que se cumpra a lei 5194/1966. Somos limitados e não temos poder polícia. Mas penalizamos o proprietário por não ter profissional habilitado ou ART (Anotação de Responsabilidade Técnica)”, conta. Pellegrini destaca que o objetivo não é o multar, mas orientar e prevenir problemas. “No primeiro contato notificamos e o empresário tem 10 dias para se regularizar. Se não atender é multado quantas vezes for necessário, podendo chegar a R$ 4 mil”, diz.

Prevenir para conservar mão de obra

Garantir o respeito às normas de saúde e segurança nos canteiros de obras da Grande Florianópolis, evitando acidente de trabalho. Este é o principal papel do Seconci (Serviço Social da Indústria da Construção Civil). “Identificamos os riscos que o trabalhador está exposto e ajudamos a conservar a mão de obra e diminuir afastamentos”, expõe o gestor, Marcos Petri. Apesar dos benéficos, apenas 25% das construtoras da Grande Florianópolis são associadas. “Os demais têm seu próprio SESMT (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho), não fazem os programas ou contratam uma empresa de assessoria”, diz Petri.

Saiba mais:

- O CREA emite cerca de 14 mil notificações por ano em Santa Catarina, sendo que pelo menos duas mil viram multas

- 65% das multas são referentes a obras que não têm profissionais habilitados

- Em 2010, o CREA regularizou 12 mil empresas e/ou profissionais

- O CREA não vistoria obras, se a obra está irregular e se respeita o código de posturas, o que é de responsabilidade de cada município

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