Publicidade
Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 25º C
  • 19º C

Segunda estiagem de 2017 castiga produtores agrícolas de Santa Catarina

Prestes a completar um mês de seca, Santa Catarina deve ter redução de 29% da produção das lavouras de trigo

Gustavo Bruning
Florianópolis
21/09/2017 às 18H40

Pela segunda vez em 2017, os produtores agrícolas de Santa Catarina estão lidando com um longo período de estiagem. Desde 23 de agosto, o Estado registra seca em praticamente todas as regiões, com volume de chuva abaixo da média climatológica. “A chuva cai de forma ocasional em algumas regiões, como no Extremo Oeste e no Extremo Sul, mas com volumes pequenos”, explica o engenheiro agrônomo João Alves, da Epagri/Cepa (Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola).

A estimativa é que 29% das lavouras de trigo tenham redução de produção em 2017 - Fábio Sidney Thiesen/Cidasc/Divulgação/ND
A estimativa é que 29% das lavouras de trigo tenham redução de produção em 2017 - Fábio Sidney Thiesen/Cidasc/Divulgação/ND


A situação está ainda mais preocupante em municípios do Planalto Norte, como Canoinhas e Mafra, e do Planalto Sul, como Campos Novos, Joaçaba e nas proximidades de Curitibanos. Nesta época do ano, costuma ocorrer o plantio das lavouras de verão, que incluem milho, soja e feijão, por exemplo. Em função da seca, os agricultores precisaram atrasar parte do plantio do inverno.

No fim de maio e no começo de junho, como explica Alves, os agricultores que plantavam trigo, cebola, alho e fumo pegaram um período de seca. “Isso provocou o desenvolvimento de plantas de porte baixo, bastante amarelecidas e deficientes. E os produtores não conseguiram entrar com adubação de cobertura porque precisavam de chuva”, afirma. Os 30 dias de estiagem, de acordo com a Cepa, prejudicaram aproximadamente 50% da produção estadual. “Depois disso choveu e essas plantas se recuperaram, mas também acabaram pegando a seca de agosto, bem na fase crítica do florescimento”, garante o engenheiro agrônomo.

Alguns agricultores, na primeira ocasião, conseguiram segurar o plantio para o final de julho. Tais lavouras ainda estão em desenvolvimento vegetativo e, se a chuva retornar a Santa Catarina, têm chance de recuperação. Conforme Alves, estima-se que 29% das lavouras de trigo terão redução em produção em relação ao ano passado. “A safra de 2016/2017 foi uma super safra em todas as culturas. As produções desse ano, seguramente, não iam alcançar o que ocorreu no último ano, e com a estiagem está prejudicando ainda mais”, conta Alves. A expectativa é que a produção de trigo seja de 163,4 mil toneladas na próxima safra, contra 229 mil toneladas colhidas na safra anterior. Já a área plantada passou de 69 mil hectares para 50,9 mil hectares este ano.

Para que a situação seja normalizada, como explica o engenheiro agrônomo, é necessário um período de pelos menos 60 dias de chuva regular. “Precisamos de um regime de chuva bastante regular. Não adianta chover uma tromba d’água e depois o sol voltar a rachar”, diz.

Economia de água

Em Florianópolis, há previsão de chuva para este sábado (23). No entanto, como destaca Alves, esse volume de água não chega a ser muito relevante. “Essa chuva ajuda mananciais e rios, e como aqui não é uma região de lavouras não faz muita diferença”, declara.

No fim da tarde desta quinta-feira (21), a Epagri emitiu um aviso hidrológico confirmando alguns locais onde ocorre o regime hídrico extremo: os complexos hidrográficos Jacutinga, Rio Camboriú, Rio Negro e Rio Peperi-Guaçú, além das bacias hidrográficas do Rio Tubarão, Rio Araranguá, Rio do Peixe, Rio do Chapecó, Rio Itajaú-Açú, Rio Canoinhas e Rio Tijucas.

Diante da falta de chuva, a Casan alerta para que a população economize ainda mais a água tratada, evitando a lavagem de calçadas e carros, por exemplo. Técnicos da companhia acreditam que a estiagem é uma das maiores da últimas décadas e, apesar dos investimentos em reservatórios, estações de tratamento, poços e adutoras, é necessário que a população se concientize sobre o uso responsável da água.

Como economizar água?

  • Feche a torneira quando estiver escovando os dentes ou fazendo a barba;
  • Não tome banhos demorados;
  • Cheque vazamentos e não deixe torneiras pingando;
  • Antes de lavar pratos e panelas, limpe os restos de comida com uma escova, toalha de papel, guardanapo ou esponja e jogue no lixo;
  • Deixe pratos e talheres de molho antes de lavá-los. Ensaboe toda a louça e depois enxágue todas as peças;
  • Não lave roupa com água corrente e, no caso de máquina de lavar, ligue o equipamento quando estiver com sua capacidade completa;
  • Em vez da mangueira, use vassoura e balde para lavar pátios e quintais;
  • Não jogue água na rua ou calçadas para evitar a poeira;
  • Planas devem ser regadas pela manhã ou ao final do dia, com regador, e não mangueira.
Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade