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Secretário de Saúde estuda negociar área do Hospital Celso Ramos, em Florianópolis

Unidade não tem para onde crescer e a capacidade de energia elétrica e de gás está no limite para atender 15 mil pessoas por mês. A estimativa de avaliação da área do hospital é de R$ 104 milhões

Michael Gonçalves
Florianópolis
25/07/2017 às 23H01

Com 50 anos de serviços prestados à comunidade, o Hospital Governador Celso Ramos, no Centro de Florianópolis, não absorve mais as ampliações necessárias para aumentar o número de atendimentos realizados diariamente. A unidade hospitalar não tem para onde crescer e a capacidade de energia elétrica e de gás está no limite para atender 15 mil pessoas por mês.

Esses são alguns dos argumentos do secretário da SES (Secretaria de Estado da Saúde), Vicente Caropreso, para sugerir a negociação da área do hospital em troca da construção de um novo complexo no aterro da baía Sul. A estimativa de avaliação de área do hospital é de R$ 104 milhões e a previsão de custo de uma obra idêntica à atual estrutura ficaria em R$ 94 milhões.

Cercado por edifícios, o hospital Celso Ramos não tem mais como ser ampliado e capacidade de energia e gás está  no limite - Daniel Queiroz/ND
Cercado por edifícios, o hospital Celso Ramos não tem mais como ser ampliado e capacidade de energia e gás está no limite - Daniel Queiroz/ND


Referência em alta complexidade em especialidades como neurologia, ortopedia, oftalmologia, transplantes de rins e oncologia, o hospital público atende 100% pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A unidade tem uma área física de 22 mil m², em um terreno de quase 15 mil m², com 997 servidores. Em média, são 1 mil cirurgias realizadas mensalmente.

Caropreso defende que o Hospital Celso Ramos é uma unidade que atende pacientes de todo o Estado, e não apenas da Grande Florianópolis. “Estamos fazendo uma inspeção no hospital e acabamos de confirmar que não podemos ampliar a capacidade de energia elétrica consumida, assim como o gás. Além disso, o hospital não tem heliponto. Também não temos para onde crescer na oferta de mais leitos. Queremos melhorar os serviços prestados, mas temos limitações estruturais”, afirmou.

O secretário esclareceu que a negociação não teria custo para a SES. Isso porque quem adquirisse a atual área, que tem acessos pela avenida Gama D’Eça e pela rua Diniz Júnior, teria de construir o novo complexo em terreno determinado pelo Estado. “Em uma área planejada teríamos mais estacionamentos e facilidades para o acesso. O trajeto ao aterro da baía Sul é mais fácil para quem se desloca do Continente e de outras regiões do Estado. O governador achou a sugestão interessante, mas ainda não existe nada de concreto”, justificou.

Negociação pagaria a construção de um novo hospital

Para ter uma dimensão do valor dos 14.944,54 m² do terreno do Hospital Governador Celso Ramos, em uma área nobre no Centro de Florianópolis, o ND pediu o auxílio da corretora de imóveis Ana Maria Bittencourt. Ela explicou que o projeto, o potencial construtivo e a localização são os fatores que interferem no preço do imóvel.

Além disso, Ana Maria lembrou que edificações com mais de 30 anos só podem ser demolidas com a anuência do Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis). “Teoricamente, a zona onde está inserido hospital permite a construção de edifícios de dez pavimentos mais dois, que são os acréscimos de construção. A taxa de ocupação é de 50% e, assim, apenas 7.000 m² estariam disponíveis para construção. Além disso, o imóvel tem várias frentes que necessitam de recuos”, explicou.

A corretora informou que somente com essas informações precisas poderia se chegar a um valor correto. Ela explicou que o valor do m² na região pode oscilar de R$ 4.000 a R$ 10 mil. Fazendo o cálculo pela média de R$ 7 mil o m², o terreno tem uma estimativa de avaliação superior a R$ 104 milhões.

Para saber o valor para construir o mesmo hospital, com 22 mil m², o ND recebeu o auxílio de um engenheiro que prefere não ser identificado. Ele calculou o valor de 2,5 CUBs (Custo Unitário Básico), que tem o valor unitário de R$ 1.722, e multiplicou pela área a ser construída (22 mil m²). Assim, a estimativa de construção da unidade hospitalar fica em R$ 94 milhões.

Comerciante disse ter ouvido comentários

O comerciante Aidos Gemelli, o Dino, tem uma lanchonete em frente à emergência do Hospital Celso Ramos, na Gama D’Eça, há 23 anos. Mesmo sem atravessar a avenida, ele ouviu comentários sobre a venda da unidade hospitalar. Dino trabalha com outras seis pessoas, das 7h às 21h. “A gente escuta o comentário de um, de outro e juntando cada pedra formamos um muro. Para quem tem comércio e depende da clientela dos pacientes e dos funcionários a mudança não é boa, mas a qualidade do serviço deve estar em primeiro lugar. Se for para melhorar, não tem como ser contrário a esse movimento”, disse. O hospital é cercado por lanchonetes e quiosques.

Paciente e vizinho concordam com a mudança

A diarista Claudete Floriano Oliveira, 51 anos, sofreu um acidente, quebrou o braço e foi socorrida no Celso Ramos. A moradora do bairro Ingleses elogiou o atendimento e também é favorável a qualquer mudança que melhore a prestação de serviço. “Para quem mora no Norte da Ilha o hospital no aterro da baía Sul ficaria um pouco mais longe, mas se for para aumentar a capacidade de atendimento, com mais leitos e ambientes mais bem projetados sou favorável à venda do terreno”, afirmou.

Quem trabalha e reside ao lado do hospital é o zelador Jorge Ramos Louback, 60, que nas últimas duas décadas ouve as queixas dos moradores do condomínio onde trabalha. “Minha mulher ficou seis horas à espera de atendimento. A atual situação do hospital é muito ruim. Além disso, os moradores ficam preocupados quando criminosos são internados, incomodados com o barulho das sirenes das ambulâncias e chateados com o movimento constante”, contou.

Hospital ganhará mais 78 servidores até setembro

Enquanto não há definição sobre a mudança do hospital, a Secretaria de Estado da Saúde anunciou a contratação de mais 78 profissionais. Uma pequena parte deverá ser integrada ao quadro de servidores ainda esta semana, mas o restante deve ser chamado somente em setembro.

Segundo a assessoria de imprensa da SES, esta semana começam a trabalhar oito médicos. Eles serão lotados na UTI (Unidade de Tratamento Intensivo).Os outros 70 profissionais, entre técnico e enfermeiros, serão incorporados após o processo de seleção em andamento.

Hospital Governador Celso Ramos

Fundado em 6 de novembro de 1966

Ocupa uma área de 22 mil m²

15 mil pessoas são atendidas mensalmente

Média de 1 mil cirurgias por mês

São 163 leitos

997 servidores

Fonte: SES

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