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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Schürmann planeja nova volta ao mundo após caçada ao submarino nazista

Vilfredo Schürmann revela que não pretende mais caçar reliquías perdidas no oceano. Ele já projeta mais uma viagem a bordo do veleiro Aysso

Everton Palaoro
Itajaí
Flávio Tin/ND
Capitão revelou detalhes da expedição que encontrou o U-513 na noite de quinta-feira

 

A família Schürmann é conhecida pelas longas cruzadas ao redor do mundo a bordo de veleiros. Na sexta-feira, desembarcaram em Itajaí com sucesso na jornada que travavam há dois anos. Eles comandaram o grupo que encontrou os destroços de um submarino nazista abatido na Segunda Guerra Mundial. Após a caça ao equipamento militar, o capitão projeta nova volta ao mundo ano que vem.

O U-513 foi localizado a 84 quilômetros de Florianópolis, na costa catarinense. O trabalho para encontrar a embarcação alemã se intensificou há duas semanas quando pesquisadores da família e da Univali (Universidade do Vale do Itajaí) fizeram uma varredura em pontos onde pescadores relatavam existir objetos que danificavam redes de pesca.
Utilizando um magnetômetro de césio– equipamento que detecta metal – encontraram uma estrutura com aproximadamente 600 toneladas no fundo do oceano. A comprovação do achado foi feita por volta das 21h30 da quinta-feira. Após retornar ao continente e buscar um sonar. Segundo Vilfredo Schürmann a emoção foi grande dentro do veleiro Aysso. “Não acreditava que estava a apenas 130 metros desse fato histórico”, comemora o navegador.
Localizar os despojos foi apenas a primeira parte da missão. A próxima etapa será descer até onde o submarino está. O capitão da expedição, Vilfredo Schürmann, explica que um robô será enviado para fazer imagens do equipamento. São 130 metros de profundidade.


Divulgação
Pesquisadores utilizaram equipamentos modernos para localizar o U-513


 Briga para saber quem fica com os despojos

 

Para o historiador e especialista na história dos U-boat, Telmo Fortes, os despojos submarino devem gerar uma disputa. “Os nazistas pagaram para montar o U-513. Os americanos são os vitoriosos da guerra e hoje as águas onde ele foi localizado pertencem ao Brasil. Em minha opinião, a família Schürmann é a dona legítima”, opina Fortes, que escreveu um livro sobre a última viagem do submarino.
A expedição para encontrar o equipamento militar teve aval da Marinha Brasileira. Os planos de Vilfredo Schürmann, pelo menos no momento, não incluem a retirada da máquina de guerra do fundo do oceano. “O U-513 é o primeiro dos 11 submarinos que afundaram na costa brasileira. Queremos fazer uma réplica e expor na Capital”, projeta. O capitão revela que já houve casos de retirada de U-513 das profundezas do mar. “Na Dinamarca um foi retirado com um custo aproximado de R$ 10 milhões”, ressalta.
Questionado sobre seguir em busca de relíquias perdidas no fundo do oceano, Vilfredo foi taxativo. "Não. Foi uma experiência única. Agora já estamos preparando uma nova volta ao mundo", revela.
Máquina de guerra alemã

O lobo solitário, como o submarino foi batizado, já havia afundando três navios: dois americanos e um da Marinha Brasileira. O Tutóia foi torpedeado no dia 30 de junho de 1943, no Litoral Sul de São Paulo. Sete tripulantes morreram. O capitão do U-513, Karl Fridrich, tinha orientações para afundar qualquer embarcação aliada na rota Rio de Janeiro – Buenos Aires, na Argentina.
O U-513 foi abatido na manhã de 19 de julho de 1943 na costa de Santa Catarina. Com 77 metros de comprimento e 6,75 metros de largura, o submarino foi detectado pelo radar do navio Barnegat quando emergiu a superfície. O hidroavião norte americano decolou da embarcação que estava em Florianópolis.
O piloto do hidroavião, tenente-capitão Roy Seldon Whitcomb, jogou seis bombas de 225 quilos em cima do equipamento nazista. Duas delas atingiram a o casco do submarino, que afundou dez segundos depois. Entre os sete tripulantes foram resgatados e presos estava o comandante.

 

Divulgação
Sombra gerada pelo sonar foi comparada com detalhes da planta do submarino
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