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Saúde e segurança são prioridades para o pré-candidato a governador Leonel Camasão (PSOL)

Mestre em jornalismo pela UFSC, ele defende revisão de contratos, auditorias na saúde e investimento a longo prazo na segurança pública

Redação ND
Florianópolis
11/07/2018 às 22H01

Leonel Camasão (PSOL) disputa o cargo de go­vernador de Santa Catarina pela primeira vez. Mestre em jornalismo pela UFSC, ele é natural de São Paulo e mora em Santa Catarina desde 2001. Em 2012 foi candidato à prefeitura de Joinville e em 2014 disputou uma vaga como deputado estadual. Foi dirigente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina e presidiu o PSOL estadual em 2013.

Para combater a crise financeira do Estado ele aposta na revisão de isenções fiscais a grandes em­presas e uma reforma tributária. Para reverter os problemas na segurança pública, Camasão defende investimento a longo prazo em saúde, educação, assistência social e geração de emprego. Na saúde, quer fazer uma revisão de contratos e auditorias internas, especialmente nas organizações sociais. 

Camasão defende a extinção das agências regionais - Divulgação/ND
Camasão defende a extinção das agências regionais - Divulgação/ND


CANDIDATURA AO GOVERNO

Temos feito uma discussão no PSOL de que é neces­sário que a população ocupe os espaços políticos. A política no nosso país vem sendo ocupada por gran­des empresários, banqueiros, ruralistas, pessoas de famílias tradicionais e nós entendemos que pelo PSOL é importante que o cidadão comum, o trabalhador, artistas, jornalistas, possam ocupar o espaço de po­der e ajudar a decidir os rumos do país. Nos últimos 40 anos são esses setores que têm usufruído do poder no governo e o resultado não tem sido bom.

CRISE FINANCEIRA

O nosso Estado faz um grande número de isenções fiscais para empresas em um volume tão alto que chega a superar em alguns casos o investimento em saúde e educação somados. Muitas empresas de porte grande deixam de pagar impostos enquanto o cidadão comum paga impostos demais. Hoje temos uma carga tributária chamada de regressiva, ou seja, quanto menos você ganha, mais você paga propor­cionalmente. Os muito ricos às vezes gastam até 5% do que ganham em impostos e os mais pobres gas­tam até 60%. Precisamos fazer uma grande reforma tributária, rever as isenções fiscais e alterar a manei­ra como se gasta o dinheiro público. Santa Catarina é um Estado rico, arrecada muito, foi um dos últimos a entrar na crise e está sendo um dos primeiros a sair.

SEGURANÇA PÚBLICA

Esse é um problema de caráter nacional, não apenas sobre o número de policiais, de viaturas e armas. Te­mos o entendimento de que violência gera mais vio­lência. Alguns setores da sociedade defendem um Estado mais policial, a violência como resposta. Isso não tem demonstrado resultados em nenhum lugar do mundo. O problema de segurança pública é algo de longo prazo, precisamos investir em saúde, educa­ção, assistência social, geração de emprego e renda e oportunidades. É preciso dizer que o problema da violência, em especial dos assassinatos, é localizado na população de Santa Catarina. Atinge majorita­riamente homens negros e jovens nas periferias, mu­lheres, e infelizmente o governo ainda não faz essa estatística, mas atinge a população LGBT. Essa dis­cussão que hoje se tem de representatividade não é só de aparecer na televisão, mas sim uma questão de segurança pública. Não é uma coincidência que essas populações sofram mais assassinatos não só no nos­so Estado, como em todo o país.

SAÚDE PÚBLICA

Precisaremos fazer uma grande revisão dos contra­tos, auditorias em todos os setores, não só na saúde, em especial naquilo que atinge as organizações so­ciais, que na saúde são mais presentes que em outros setores do Estado. Nós entendemos que esse modelo no curto prazo aparenta ser mais barato e eficiente, mas no médio prazo de experiências que temos vis­to no Brasil tornam ele mais caro, mais ineficiente e muitas vezes alvos de investigações de corrupção. O governo deve garantir o interesse da população acima do interesse econômico e nem sempre as or­ganizações sociais, as empresas terceirizadas, têm o mesmo interesse, existe um conflito. Entendemos que é preciso revisitar esses contratos, reavaliá-los para verificar de que forma vamos combater esse rombo.

AGÊNCIAS REGIONAIS

Desde 2010 quando o PSOL lançou o companheiro Valmir Martins ao governo do Estado nós defende­mos a extinção das secretarias de desenvolvimento regional. O governador extinguiu uma parte, mas mantém ainda 15 dessas estruturas, e entendemos que são usadas mais para fazer caber na estrutura do Estado os partidos aliados do que efetivamente es­truturas para fazer serviços para a população. Hoje se tem um debate na sociedade sobre Estado mínimo e Estado grande. Sempre que se fala de Estado míni­mo temos que perguntar: mínimo onde? Na saúde e educação ele tem que ser máximo, ser serviço para atender a população, mas em Santa Catarina é ao contrário. Nós já fomos o Estado com maior núme­ro de secretarias de primeiro escalão do Brasil, foram 54. A aliança que governa o Estado era muito ampla e precisava caber muita gente. Entendemos que temos que fazer diferente e não é com loteamento de cargos que vamos melhorar a qualidade do serviço público em Santa Catarina.

ALIANÇAS POLÍTICAS

Temos uma aliança já afirmada com o PCB com a socióloga Caro­line Bellaguarda que vai compor de vice na nossa chapa. O PSOL também vai apresentar duas can­didaturas ao senado: o professor Pedro Cabral, de Florianópolis, e o professor Antônio Campos, de Chapecó. É uma chapa ao senado que representa dois extremos do nosso Estado, mas também em defesa da educação formada por dois professores. Hoje o PSOL tem uma tradição de lançar candida­turas próprias, entendemos que quem tem projetos para o Estado e o país precisa lan­çar candidatura própria e não apenas fazer alianças em troca de tempo de televisão. Essa coisa da velha política que as pessoas já estão cansadas. Nós vamos de cara própria com essa aliança de esquerda para concluir um projeto alternativo para Santa Catarina.

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