Publicidade
Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 25º C
  • 17º C

Sargento PM catarinense baleado em Natal conta como os bandidos agiram

O casal comprava pizza para levar para a pousada em Genipabu quando criminosos anunciaram o assalto, matando Caroline com um tiro e desferindo outros dois disparos no sargento, que sobreviveu

Colombo de Souza
Florianópolis
28/03/2018 às 09H51

O sargento PM Marcos Paulo da Cruz, 44, baleado com a mulher, Caroline Ples­ch, 32, durante assalto a uma pizzaria na região Norte de Natal (RN) está fora de perigo. A ação ocorreu às 20h56 de segun­da-feira. Caroline, que também é PM, não resistiu aos ferimentos e morreu a cami­nho do Hospital Santa Catarina.

Na tarde de terça-feira (27), o delegado da DHPP (Delegacia de Homicídio e Proteção à Pes­soa) da região Norte da capital potiguar, Ryskleft Factore, conversou com o sargento catarinense no hospital. “Ele está lúcido, não corre risco de morte segundo médicos e falou sobre a dinâmica da ação criminosa”, contou o policial.

Apesar de versões anteriores de que os assaltantes teriam feito um arrastão em clientes na pizzaria e, quando chega­ram em Marcos Paulo para recolher a carteira, descobriram que ele policial, o delegado Ryskleft disse que prefere ficar com a versão da vítima.

Com base no depoimento do militar, o delegado contou que a pizzaria encerrava o expediente quando Marcos chegou com a esposa. “O casal estava hospedado em uma pousada na praia de Genipabu e foi comprar uma pizza. O sargento olhava o cardápio quando dois bandidos entraram armados. Eles cismaram que Marcos era PM e um deles gritou: mata, mata que ele é polícia”.

O delegado falou que Marcos ten­tou contornar a situação, alegando que não era polícia. Mas o bandido insistia e foi para cima dele de arma em punho. Quando o criminoso encostou a arma na cabeça do sargento, ocorreu reação e luta corporal. “Nesse momento o revólver do PM caiu no chão. Caroline, então, pegou uma cadeira, na tentativa de proteger o marido. Mas o segundo assaltante juntou a arma e deu um tiro na policial. Em se­guida Marcos também foi atingido por dois disparos efetuados pelo primeiro as­saltante” contou o delegado, com base no relato do sargento.

Sargento PM catarinense baleado em Natal, RN, conta como os bandidos agiram - Divulgação/ND
Casal estava em viagem de férias. Caroline Plesch morreu ao tentar ajudar o marido, sargento Marcos Paulo - Divulgação/ND



Câmeras registram fuga dos bandidos 

Câmeras de videomonitoramento da rua registraram a imagem dos dois criminosos fugindo a pé do local. Um deles é canhoto, o outro é destro. “O canhoto levava o revólver do PM. Eles foram resgatados por outros dois com­parsas que os aguardavam em um Cel­ta cinza”, observou o delegado da DHPP. Os ladrões não roubaram nada.

De acordo com o delegado, a região Norte onde o casal estava hospedado é a mais violenta de Natal. Ele revelou que desde o início do ano até terça-feira já foram registrados cerca de 350 homicí­dios na capital potiguar.

O comandante-geral da Polícia Mili­tar de Santa Catarina, coronel Araújo Gomes, acompanha o caso com preocu­pação. Na terça-feira, ele enviou dois oficiais, o coronel Martinez, chefe de gabinete, e uma psicóloga para assistir o sargento Marcos Paulo e providenciar o transla­do do corpo de Caroline.

Ela vai ser sepultada no cemitério Jardim do Eden, em Chapecó, contou o colega do 2º BPM, o cabo Josinei da Sil­va. O cabo falou que ela era referência para as mulheres policiais da cidade. “Caroline amava a profissão, adora­va trabalhar no policiamento de rua. Marcos Paulo comandava o grupo de Operações Preventivas. Eles eram casados há oito anos e sempre que podiam viajavam.” Ambos eram lotados no 2º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Chapecó.

Caroline

Nascida em  1986, em Campo Grande (MS), a soldado Caroline Pletsch veio para Chapecó ainda criança. Ingressou na Polícia Militar em 2013. Fez o Curso de Formação em Chapecó e desde então trabalhou no 2º BPM. Ela atuava na Radiopatrulha da 3ª Companhia do 2ºBPM/Fron, atendendo as mais diversas ocorrências.

Em sua ficha funcional constam pelo menos 13 elogios por bons serviços prestados, principalmente pela prisão de autores de tráfico, apreensão de armas, recuperação de veículos furtados e prisões dos autores de roubo.

Carol era versátil, guerreira e não media esforços para sorrir e nem para bem servir. Ela que, sozinha, dominou dois assaltantes, fez a alegria de crianças no “II Quartel Aberto”, em outubro do ano passado, onde recebia as crianças, mostrando como era a farda, os equipamentos e pousando para fotos com a criançada.

Marcos Paulo

O sargento Marcos Paulo, que ainda luta pela vida, também é um excelente policial, possui mais de 22 anos de Polícia Militar, cerca de 20 elogios por bons serviços prestados e quatro medalhas. Atuou por muitos anos no Canil do 2ºBPM/Fron, trabalhou também na radiopatrulha e ultimamente está comandando o grupo de Operações Preventivas, que diuturnamente luta por uma sociedade mais segura.

Publicidade

2 Comentários

Publicidade
Publicidade