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Sábado, 15 de Dezembro de 2018
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Depois das denúncias, representantes do Estado vistoriaram o presídio de São Pedro de Alcântara

Reportagem do Notícias do Dia acompanhou vistoria com exclusividade

Saraga Schiestl
São Pedro de Alcântara
Washington Fidélis
Comitiva do governo percorreu dependências da penitenciária

 

Após denúncias de tortura e maus tratos aos internos da Penitenciária Estadual de São Pedro de Alcântara, que vieram a conhecimento público na última semana, representantes do Estado abriram as portas do presídio para vistoria classificada como rotineira aos pavilhões carcerários. O jornal Notícias do Dia teve acesso exclusivo à estrutura do presídio, que hoje abriga 1244 internos no regime fechado.  

Dentro da estrutura gigantesca, dividida em quatro pavilhões, o promotor da Vara de Execuções Penais, Raul Rabelo, explica que mensalmente visita o presídio para averiguar as condições da estrutura. “Essas acusações de tortura só aparecem para desestabilizar a direção da penitenciária. Hoje eu considero a situação da penitenciária como de regular a boa”, classifica Rabelo. De acordo com o promotor, todas as exigências básicas da Secretaria Estadual de Segurança são cumpridas no local.

Por questões de segurança, a direção do presídio não pode revelar quantos agentes penitenciários trabalham no local, que em toda sua extensão é circundado por enormes guaritas. Todos os dias, os agentes fiscalizam as pouco mais de 300 celas, atividade considerada importantíssima, afinal, na segunda-feira foram encontrados dois espetos artesanais, feitos com pedaços de ventiladores e até com escovas de dentes. Esses instrumentos costumam ser utilizados para render os agentes em tentativas de fuga.  

Acompanhado do diretor do presídio, Carlos Antônio Gomes Alves, do Secretário Executivo de Justiça e Cidadania, Cel. João Luiz Botelho, do Conselheiro Geral da Secretaria, Sady Beck Junior e do diretor do Deap (Departamento de Administração Prisional), Adércio Welter, o Promotor Rabelo visitou as principais áreas do complexo.

Saúde e alimentação

A comitiva iniciou a vistoria no centro de triagem, onde presos doentes são encaminhados para tratamentos médicos. No local, uma fileira de portas azuis formam as celas que abrigam os internos portadores de doenças contagiosas, como a tuberculose. Para cuidar dos presos, dividem-se em turnos dois dentistas, um médico, duas enfermeiras, quatro auxiliares de enfermagem. “Contamos ainda com três assistentes sociais e três psicólogas”, completa o diretor do presídio.

Uma ambulância foi cedida pelo Ministério da Justiça para o presídio, objetivando a agilidade para o transporte dos casos mais graves. “Por enquanto esse veículo vai permanecer no posto do Corpo de Bombeiros de Palhoça”, explica o diretor do Deap.

Toneladas de alimentos circulam semanalmente no presídio. Os números são impressionantes: nas quatro refeições diárias, saem da saem da cozinha industrial 210 kg de carne bovina e 4.500 unidades de pães de trigo. Por semana, a penitenciária consome 1590 kg de arroz, 300 kg de macarrão e 450 kg de feijão. “Apenas em um jantar são consumidos 1400 pedaços de frango e todo o cardápio é elaborado por nutricionistas”, lembra o diretor do Deap.

Trabalho

Dentro de uma enorme estrutura de galpão, onde por todos os cantos existem câmeras de vigilância e seguranças armados, os presos dividem espaço com as celas, uma gigante cozinha industrial, padaria, lavanderia, biblioteca e até uma área destinada ao trabalho onde foi firmada uma parceria com a empresa de tecnologia Intelbrás. “Temos 170 presos que, por bom comportamento, trabalham produzindo componentes eletrônicos”, explica o diretor Carlos Alves.

Não se envolver em confusões garante aos presos rentabilidade e menos dias encarceramento. Além da empresa de tecnologia, os presidiários podem auxiliar na cozinha, limpeza ou na biblioteca. Cada ano trabalhado diminui três meses de pena e ainda rende um salário de aproximadamente R$ 135, correspondente a 25% do salário mínimo.

Nos setores de manutenção da penitenciária trabalham cerva de 30 presos. C. V., 45, é um deles - a pedido da Secretaria de Estado de Justiça e Cidadania, sua identidade será preservada. Ele trabalha a oito meses na biblioteca e garante que o contato com os livros o dá mais esperança de sair com outra mentalidade do cárcere. “Trabalhar faz toda a diferença, a gente para de pensar besteira”, conta.

Hoje a biblioteca da penitenciária tem um acervo de 5400 livros. Os mais concorridos na prateleira são os de aventura, poesia e direito. “A penitenciária está aberta para a doação de livros”, anuncia o diretor do Deap, Adércio Velter. Para doar, basta encaminhar as obras para a guarita, todas passam por uma minuciosa revista e recebem um carimbo de doação. “Tem presos que, fora daqui, nunca tiveram acesso aos livros”, enfatiza C. V.

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