Publicidade
Sábado, 22 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 18º C

Santa Catarina é o 2º estado em gastos com acidentes de trabalho e doenças ocupacionais

Foram registrados 132.749 auxílios-doença no Estado, de 2012 a 2017, resultando em um impacto previdenciário de R$ 1,375 bilhão, equivalente a 9,3% de todos pagamentos por acidente de trabalho do INSS

Michael Gonçalves
Florianópolis
03/04/2018 às 19H31

Nos últimos cinco anos foram registrados 132.749 auxílios-doença em Santa Catarina, que representaram um impacto previdenciário de mais de R$ 1,375 bilhão, o equivalente a 9,3% de todos os pagamentos por acidente de trabalho do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Esse número coloca o Estado na segunda posição em gastos previdenciários com afastamentos devido a doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, apesar de ter apenas 5,2% dos empregos formais no país. Pensando na redução dos acidentes e das doenças ocupacionais, o MPT (Ministério Público do Trabalho) lançou nesta terça-feira (3) a campanha Abril Verde, que fomenta a prevenção no trabalho. O dia mundial em memória das vítimas de acidentes e doenças do trabalho é lembrado em 28 de abril.

Em Florianópolis, a coleta de resíduos não-perigosos é a principal causa do afastamento de trabalho. De 2012 a 2017, essa atividade retirou 1.701 empregados. Logo atrás, com 1.536 afastamentos, também no mesmo período, estão as atividades de atendimento hospitalar. No Estado, a fundição de ferro e aço afastou 9.932 trabalhadores nos últimos seis anos.

Construção de edifícios é o 5º setor com mais acidentes de trabalho em Florianópolis entre 2012 e 2017 - Marco Santiago/ND
Construção de edifícios é o 5º setor com mais acidentes de trabalho em Florianópolis entre 2012 e 2017 - Marco Santiago/ND


As instituições do Fórum de Saúde e Segurança do Trabalhador de Santa Catarina querem despertar a consciência na sociedade. “Precisamos trabalhar na prevenção, que é muito mais barato do que a reparação e o custo dos acidentes de trabalho, pelo pagamento de pensões e prejuízos familiares. O foco é ter um trabalho seguro, sem doenças ou acidentes, porque a vida do trabalhador não é negociável mantendo as apurações das denúncias”, informou o procurador do MPT, Acir Hack.

Este ano, em Santa Catarina, 118 pessoas morreram em acidentes de trabalho. Na capital catarinense foram três casos registrados. Segundo o procurador, a principal causa de morte no Estado está relacionada ao transporte de carga. “A letalidade do transporte de carga é muito maior do que a construção civil. O excesso de horas trabalhadas, a falta de cuidados, as estradas sem manutenção e a grande quantidade de tráfego são alguns dos motivos. Já a agroindústria é responsável pelo maior número de afastamentos de doenças ocupacionais”, acrescentou Hack.

Relação das doenças com ambiente de trabalho ainda é desafio

A Justiça do Trabalho implantou em 2012 o programa trabalho seguro. O Estado foi dividido em 11 regiões e os magistrados realizam voluntariamente a orientação e a informação para empresas, entidades e funcionários sobre a prevenção no ambiente de trabalho, segundo o desembargador Roberto Luiz Guglielmetto.

Para o magistrado, a comprovação na relação de doenças com o ambiente de trabalho ainda é um desafio. “Em situações de queda ou de outros acidentes de trabalho o nexo causal fica claro, mas com as doenças ocupacionais o nexo precisa ser investigado. Os transtornos mentais, por exemplo, não sabemos até onde eles são fruto do trabalho. Independente disso, o custo do afastamento do trabalhador é muito alto e todos pagam”, disse.

Guglielmetto ainda destaca a importância do trabalho de esclarecimento nas escolas de ensino fundamental. Para o desembargador, o interessante seria criar um dia do ano letivo para tratar especificamente sobre o tema.

Dez setores com mais acidentes de trabalho (2012 a 2017)

Florianópolis

1º Coletas de resíduos não-perigosos: 1.701

2º Atividades de atendimento hospitalar: 1.536

3º Comércio varejista, hipermercados e supermercados: 808

4º Limpeza em prédios e domicílios: 727

5º Construção de edifícios: 625

6º Restaurantes e comércios de alimentos e bebidas: 409

7º Atividades de Correios: 400

8º Condomínios prediais: 274

9º Atividades de vigilância e segurança privada: 265

10º Atividades de atenção à saúde humana não especificadas anteriormente: 236

Santa Catarina

1º Fundição de ferro e aço: 9.932

2º Atividade de atendimento hospitalar: 9.851

3º Abate de suínos, aves e pequenos animais: 8.181

4º Comércio varejista, hipermercados e supermercados: 5.278

5º Coleta de resíduos não-perigosos: 3.911

6º Construção de edifícios: 3.874

7º Administração pública em geral: 3.858

8º Transporte rodoviário de carga: 3.641

9º Fabricação de produtos cerâmicos: 3.350

10º Confecção de peças de vestuário: 2.898

Fonte: Observatório do MPT

 

Brasil (2012 a 2017)

14.412 mortes acidentárias notificadas

R$ 26 bilhões gastos com benefícios acidentários

3,8 milhões de acidentes de trabalho registrados

Mais de 305 milhões de dias de trabalho perdidos

Fonte: MPT

Publicidade

1 Comentário

Publicidade
Publicidade