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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Salões de beleza são o novo alvo de criminosos em São José

Estabelecimentos registram ocorrências de roubos e assaltos diariamente

Colombo de Souza
Florianópolis

O novo alvo dos ladrões em São José são os salões de beleza. Ali, os suspeitos têm o que que­rem: carro, dinheiro e eletrônicos. Além dos objetos de valor estarem bem à mão, os locais frequenta­dos por mulheres são frágeis, não oferecem resistência. Nos quatro primeiros meses deste ano, cerca de 20 salões foram assaltados. O 7º Batalhão da Polícia Militar, com sede em Barreiros, atendeu nesse período apenas a cinco ocorrên­cias. Porém, a maioria das vítimas procura a delegacia da Polícia Civil mais próxima.

Basta ir a um salão que a pro­prietária indica mais três ou quatro ocorrências. “A gente faz o BO na delegacia, mas não resolve nada”, reclamou uma microempresária assaltada duas vezes este ano.

Se o suspeito não é preso na hora, o assalto entra na estatística relacionada a roubos em estabele­cimentos comerciais. Assim, a in­vestigação se diluiu e o novo alvo do assaltante passa despercebido pelos policiais civis. “Não sabia que isto está ocorrendo. Vou falar com os delegados da área”, prometeu o diretor de Polícia Metropolitana, Ilson Silva.

 

Janine Turco/ND
Violência em salões de beleza em São José
Proprietários trabalham com portas fechadas para tentar se proteger

 

O comandante do 7º BPM, tenente-coronel Marcos Vinicius Bedretchuk, 47, diz que faz o que pode. “Se apertamos o cerco em um determinado local, os crimino­sos agem em outro. O crime migra. Não existe uma estatística de horá­rio e local, onde os bandidos agem. No caso dos salões de beleza, eles estão espalhados por toda a cida­de. Tivemos ocorrências nos bair­ros Floresta, Ponte de Imaruim e em outras regiões”, afirmou.

Ladrões não escondem rosto e são violentos

Na maioria das ações, os bandidos agem na “cara dura” e são violentos. Depois de ser assaltada pela primeira vez, Dainy Cristina, adotou a precaução. Agora trabalha com a porta fechada e só atende em quem bate na porta por meio de interfone.

Porém, numa quinta-feira do mês passado, dia de movimento intenso, um fornecedor saiu e deixou a porta aberta. Dois suspeitos aproveitaram a oportunidade e de armas em punho anunciaram o assalto. “Ao lado havia homens trabalhando, mas os bandidos foram frios e calculistas: fecharam as cortinas e mandaram todo mundo para a sala de massagens”, contou.

Os assaltantes foram extremamente violentos: deram coronhadas em que demorava a entregar dinheiro, celular e outros objetos. “Cinco minutos depois fugiram no carro de uma cliente, estacionado ao lado de homens trabalhando numa placa de publicidade”, lembra. Por causa destes assaltos, muitas mulheres sequer levam dinheiro para esses locais. Fabiana Beker, 23, que fazia mechas e luzes no “Daiany Guimarães”, é uma delas. “Uso somente cartão e evito trazer bolsa”, diz.

Pressentiu o assalto, mas não escapou

O dono do salão “Degrade”, localizado num excelente ponto, com amplas portas de vidro na esquina da rua Célio Veiga, Rodrigo Gomes, 35, tem uma explicação para a nova cobiça: “Onde tem mulher, tem bolsa; e onde tem bolsa, tem dinheiro”. Há onze meses estabelecido em São José, ele também foi alvo duas vezes de ladrões nos últimos três meses.

Acostumado com a violência nos grandes centros, ele tinha salão no Rio de Janeiro, Rodrigo sentiu que ia ser assaltado na última terça-feira, quando dois suspeitos começaram a forçar as portas de vidro. “Tentei sair para rua como se fosse um cliente, mas eles me empurraram para dentro. Levaram celulares, bolsas de clientes e fugiram no meu carro”, disse. Horas depois, o Renault Sandero do cabeleireiro foi localizado no final da avenida das Torres.

Em outra ocorrência no Salão La Belle, na Praia Comprida, os suspeitos saquearam joias e eletrônicos dos clientes e ainda ameaçaram cortar o dedo do proprietário, Cléber Marques, 30 para arrancar a aliança de casado. Amulher dele, Chaine, chegou 10 minutos depois e ficou com tanto pavor que desde aquele dia tirou a aliança do dedo anelar.

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