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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Saiba quais são os cinco inquéritos de João Pizzolatti na Operação Lava Jato

Ex-deputado federal catarinense, principal alvo da atual fase da operação, teve documentos recolhidos em imóveis no Estado

Stefani Ceolla, Lúcio Lambranho
Florianópolis

Em maio deste ano, o ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou a quebra do sigilo bancário do ex-deputado João Pizzolatti (PP). A Justiça também autorizou, a pedido da PGR (Procuradoria Geral da República), a abertura das transações financeiras de advogados e empresas ligadas ao deputado.

Segundo a advogada do político, Gabriela Peixoto, “o sigilo seria disponibilizado de qualquer  forma”. “Não foi surpresa. Optaram por quebrar, mas nós forneceríamos a informação”, afirma. Nesta terça-feira (14), a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em propriedades do ex-deputado em Santa Catarina.

Pizzolatti é suspeito de ter se beneficiado do esquema de corrupção da Petrobras. Na delação premiada, o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa, afirmaram que o catarinense teria recebido, em 2010, R$ 5,5 milhões para financiamento de campanha e R$ 560 mil para pagamento de um advogado. Pizzolatti responde a cinco inquéritos no STF.

 

Flávio Tin/Arquivo/ND

OS CINCO INQUÉRITOS

Leia abaixo os detalhes dos processos que Pizzolatti responde no STF

1. Propina da Braskem e doação de R$ 500 mil da Jaraguá Equipamentos - inquérito nº 5.280

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, narra o pagamento de vantagens indevidas ao Partido Progressista (PP) "por meio de João Pizzolatti" com base em contratos de compra de produtos da estatal pela Braskem, empresa do grupo Odebrecht. O esquema funcionava a partir da compra de produtos com preços inferiores aos praticados no mercado interno. Anualmente eram feitos pagamentos de em média US$ 5 milhões, dos quais 30% eram destinados a Paulo Roberto e o restante ao PP. Na delação, Paulo Roberto afirma que quando José Janene, líder do partido, deixou de ser deputado, dinheiro era entregue "na residência oficial de João Pizzolatti, em Brasília". Aparecem declarações do doleiro Alberto Youssef confirmando que Pizzolatti "compunha o grupo de parlamentares do PP que, de maneira estável e permanente, atuavam visando a manutenção e operacionalização do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro relacionado à Petrobras." Neste mesmo depoimento, Youssef diz que fez entregas de dinheiro para Pizzolatti em Santa Catarina.

 

2. Propina paga pela Mendes Júnior e imagem de Pizzolatti no escritório de Youssef - inquérito nº 5.290

Pagamento de vantagens indevidas pela empresa Mendes Júnior ao PP, por meio de Pizzolatti e com base em contratos referentes às Refinarias de Paulínia/SP e de Araucária/PR. Paulo Roberto Costa confirmou o pagamento na delação e que "esteve nos apartamentos funcionais dos deputados federais Mario Negromonte e João Pizzolatti para tratar de assuntos relacionados ao esquema ilícito". Neste inquérito, o procurador-geral da República pede que seja anexado "às imagens e aos registros de acesso aos escritórios de Youssef nos quais aparece e figura João Pizzolatti".

 

3. Dinheiro para campanha em Santa Catarina - inquérito nº 5.291

Pagamento de propina ao PP para Pizzolatti e o também ex-deputado Roberto Teixeira (PP-PE) pela empreiteira Andrade Gutierrez. Youssef diz que "esse dinheiro foi usado para financiar a campanha do PP de 2010, sendo que parte foi para Brasília, parte para Recife a fim de subsidiar a campanha de Teixeira e parte para Santa Catarina para a campanha de Pizzolatti".

 

4. “Repasses extraordinários” - inquérito nº 5.267

Trata de documentos que comprovariam o pagamento de propina diretamente ao ex-deputado. Paulo Roberto Costa confirma informações que constam da sua agenda incriminando Pizzolatti. Seriam "R$ 5,5 milhões destinados ao político catarinense e R$ 560 mil para pagamento de advogados do mesmo ex-parlamentar". O ex-diretor da estatal afirma ainda que tratavam-se de "repasses extraordinários, pois não era comum que um único parlamentar do PP recebesse uma quantia desta monta do “caixa” de propinas do PP".

 

5. Na lista do PP - inquérito nº 5.260

Relaciona todos os parlamentares do PP que teriam se beneficiado do esquema, incluindo Pizzolatti. Pelo sistema de cartelização e comissionamento da Petrobras teria ficado acertado que as empreiteiras que fossem contratadas iriam pagar "uma percentagem de 0,5 a 1,0% sobre o valor do contrato o qual seria destinado ao PP".

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