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Rotina ajuda crianças e adolescentes a tratar a insônia, diz especialista

Distúrbios respiratórios, como a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, é um dos motivos para a falta de sono

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
08/07/2018 às 20H58

SÃO PAULO, SP - (FOLHAPRESS) - Ter uma boa noite de sono é essencial para a saúde dos adultos, mas ainda mais importante para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Isso porque, quando eles não dormem direito ou o suficiente, vão apresentar cansaço durante o dia, o que pode prejudicar as atividades na escola, o relacionamento com os pais e amigos e o humor, além de gerar outras complicações.

"Existem situações em que alterações do sono podem ser um sintoma de doenças do sistema nervoso central, de doenças das vias aéreas ou de doenças sistêmicas. Portanto, é necessário investigar as causas da insônia nessa faixa etária e tratá-las", explica o pediatra José Colletti, do Hospital Santa Catarina. A pediatra Taluana Morandim, da clínica Megamed, acrescenta que ansiedade e terror noturno também podem provocar problemas para dormir.

Ter uma boa noite de sono é essencial para o desenvolvimento de crianças e adolescentes - Cristiano Prim/Divulgação/ND
Ter uma boa noite de sono é essencial para o desenvolvimento de crianças e adolescentes - Cristiano Prim/Divulgação/ND


Ambos explicam que outros motivos muito comuns são transtornos comportamentais, falta de rotina e maus hábitos. "As crianças, hoje, testam os limites dos pais, não só com relação à hora de dormir, mas a outras situações cotidianas", explica Colletti. Uma das situações típicas é querer jogar videogame até tarde, por exemplo.

Ele salienta que essa situação é diferente da de bebês e crianças pequenas que ainda mamam. "Nesses casos, uma simples cólica pode ser a causa da insônia. Já as crianças maiores e os adolescentes demandam uma investigação mais minuciosa", orienta.

A médica Patricia Marchi Barros, 41, já sofreu muito com as dificuldades de dormir do filho, Gabriel, 11 anos. Quando ele era bebê, acordava constantemente. Ao ir crescendo, o sono foi se estabilizando, mas, ainda assim, até hoje ele dorme pouco. "Mesmo indo cedo para a escola, antes das 23h ele não dorme. Se eu deixar, ele vai dormir ainda mais tarde", relata.

O pediatra Colletti explica que mais importante do que o número de horas de sono é observar o comportamento da criança, o seu rendimento escolar, se ela cochila de dia e se aparenta cansaço. "Oito horas de sono é um número médio, porém, há crianças e adolescentes que necessitam de mais ou menos horas. O essencial é observar se o tempo está sendo suficiente."

No caso de Gabriel, Patricia conta que, apesar de ele dormir entre seis e sete horas por noite, não tem problemas decorrentes disso. "Percebi que é realmente o necessário para ele", diz.

No caso de crianças que não querem dormir, por problemas comportamentais ou para não perderem tempo de brincar, a psicóloga Rayanne Campos explica que os pais devem criar uma rotina do sono. Evitar celular, televisão e videogame a pelo menos uma hora de ir para a cama ajuda, assim como fazer atividades físicas durante o dia.

Agora, nas férias, é normal que os filhos saiam dessa rotina. Por isso, cerca de cinco dias antes da volta às aulas, o indicado é retomar gradativamente o padrão anterior de sono.

MOTIVOS PARA A FALTA DE SONO

- Distúrbios respiratórios, como a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (conhecida como Saos), que é caracterizada pela obstrução parcial ou completa da via aérea durante o sono

- Doenças do sistema nervoso central

- Doenças sistêmicas

- Ansiedade

- Depressão

- Terror noturno

- Transtornos comportamentais

- Hábitos errados

O QUE FAZER

A causa deve ser investigada pelo pediatra e tratada

DICAS PARA MELHORAR O SONO

- Dormir e acordar sempre no mesmo horário

- Parar atividades estimulantes, como jogar videogame ou mexer no celular, cerca de uma hora antes de dormir

- Evitar cafeína

- Fazer exercícios físicos regularmente

- Usar técnicas de relaxamento antes de dormir

Fonte: José Colletti, pediatra do Hospital Santa Catarina; Rayanne Campos, psicóloga; e Taluana Morandim, pediatra da Clínica Megamed

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