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Rota do Milho reduzirá tempo e custos para chegada do insumo a SC

Abastecimento poderá vir do Paraguai, passando pela Argentina e entrando por Dionísio Cerqueira

Redação ND
Florianópolis
27/06/2018 às 18H08

A implantação de uma "rota do milho" vai reduzir a distância entre a agroindústria catarinense e um dos seus principais insumos - o milho, utilizado para abastecer as cadeias produtivas de suínos, aves e leite. Com isso, Santa Catarina consolida uma alternativa mais viável e barata para suprir a demanda de grãos.

Rota do Milho reduzirá prazos e custos do frete para agroindústrias de SC - Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação
Rota do Milho reduzirá prazos e custos do frete para agroindústrias de SC - Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação


A nova rota permitirá ao Estado ser abastecido pelo Paraguai, com os caminhões passando pela Argentina e chegando a Santa Catarina pela aduana de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste catarinense.

Segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca, todos os anos, 4 milhões de toneladas do grão saem do Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul, com destino a Santa Catarina, num percurso de cerca de 2 mil quilômetros. Com a "rota do milho", o percurso do grão pelo modal rodoviário deve ser reduzido para 350 quilômetros.

“Manter a competitividade do nosso setor produtivo passa, essencialmente, por melhorias de logística e de infraestrutura. Do contrário, corremos o risco de a nossa agroindústria migrar para outros Estados”, salienta o governador Eduardo Pinho Moreira.

Novos caminhos

Pelo novo trajeto, os caminhões carregados com milho partem do Porto 7 de Agosto, em Carlos Antonio López, no Paraguai, seguem em balsa pelo rio Paraná, chegando até o Porto Piray, na Argentina, e entram no Brasil pela aduana de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste catarinense.

A Rota do Milho é resultado de intensas negociações protagonizadas pela Secretaria do Planejamento do governo do Estado. “Queremos provar que é possível o caminhão sair e chegar ao destino no mesmo dia”, diz Flávio Berté, sub-coordenador do Núcleo Estadual de Faixa de Fronteira, que coordenou as ações para a implantação da rota em conjunto autoridades dos governos paraguaio e argentino, empresários do Mercosul e com o Fórum de Competitividade e Desenvolvimento para a Região Oeste.

Para a agroindústria catarinense, a Rota do Milho passa a ser uma das melhores alternativas para suprir a demanda do grão. "Hoje é melhor comprar milho no Paraguai do que no Mato Grosso, por exemplo. As cooperativas afiliadas à Fecoagro (Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina) já são parceiras do Paraguai na compra de trigo, milho e farelo de soja. Além disso, abre uma via para exportação de produtos catarinenses, principalmente frutas e carnes", aponta Claudio Post, presidente da Fecoagro.

Hoje, as agroindústrias catarinenses já trazem um milhão de toneladas de milho do Paraguai via Foz do Iguaçu e boa parte dessa quantidade pode começar a entrar no Estado por Dionísio Cerqueira. “A Rota do Milho dará fôlego para o agronegócio catarinense, que hoje sofre com sérios problemas de logística para conseguir matéria-prima para as suas cadeias produtivas. Ela, literalmente, abrirá caminho para o desenvolvimento”, afirmou o secretário de Estado do Planejamento, Francisco Cardoso de Camargo Filho.

Desafio a ser vencido

Investir na logística para o transporte do milho é fundamental para manter a competitividade do agronegócio catarinense. Com fortes investimentos em sanidade, produtividade e manejo, o setor se consolidou ao longo dos anos como um gigante que produz e exporta, especialmente a carne, para os mais importantes mercados mundiais.

Colheita de milho em Santa Catarina - Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação
Colheita de milho em Santa Catarina - Julio Cavalheiro/Secom/Divulgação


A necessidade de milho, no entanto, tem imposto um desafio caro para a indústria, e aponta para alternativas como aumentar a produção do milho no Estado; investir no aumento da capacidade de armazenagem; e usar outros grãos para completar a alimentação dos animais, como trigo e cevada.

Santa Catarina produz em média 3 milhões de toneladas de milho por ano e utiliza 7 milhões na alimentação de suínos e aves. “Temos um déficit que ultrapassa 55% da demanda, que tem sido suprida com milho que vem do norte do Mato Grosso, com distâncias que chegam a 2 mil quilômetros e o transporte é feito via caminhões”, ressalta o secretário da Agricultura e da Pesca, Airton Spies.

Outro agravante, conforme o secretário, é que o milho que chegava ao Estado a um preço relativamente competitivo, encontrou outros destinos: a exportação e a fabricação de etanol. “Ou viabilizamos a oferta de milho para Santa Catarina ou o Estado irá perder a competitividade”, afirma o diretor de relações institucionais da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) Ariel Mendes.

Melhorias na aduana

A porta de entrada dos grãos que sairão do Paraguai será a aduana de Dionísio Cerqueira, no Extremo-Oeste catarinense. A estrutura da unidade da Receita Federal do Brasil naquele município, no entanto, precisa de melhorias para ampliar a capacidade e o fluxo da aduana. 

Para garantir movimentação financeira, com aumento significativo na geração de renda e desenvolvimento para a região e para o Estado, o município calcula que seria necessária uma estrutura que comportasse, no mínimo, 5 mil caminhões por mês. Em 2017, o movimento médio de veículos na ACI-Cargas foi de 1,1 mil/mês.

Atualmente, a aduana conta com Área de Controle Integrado (ACI) Cargas; ponto de fronteira alfandegado para atender ao fluxo de turistas e comércio de fronteira; prédio sede da alfândega e três unidades jurisdicionais. Também dispõe de 10 auditores fiscais da Receita, 19 analistas tributários da Receita e seis servidores administrativos. A ACI Cargas conta com 137 vagas para caminhões e oito vagas para conferência física de mercadorias.

Por ser uma área de controle integrado, o local abriga representantes de órgãos brasileiros (Receita Federal do Brasil, Anvisa, Mapa, Cidasc) e argentinos (AFIP, Senada Gendarmeria Nacional, Migraciones).

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