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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Rodrigo Maia é eleito presidente da Câmara dos Deputados; Esperidião Amin fica em quinto

Rogério Rosso ficou em segundo lugar

Redação ND
Florianópolis

Atualizada às 0h57

Rodrigo Maia (DEM-RJ) venceu a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados e vai ocupar o cargo até 1º de fevereiro de 2017. O deputado teve 285 votos contra 170 de Rogério Rosso (PSD-DF), com quem disputou o segundo turno. A sessão encerrou no início da madrugada de hoje. Único catarinense a concorrer, Esperidião Amin (PP) ficou em quinto lugar, com 36 votos no primeiro turno.

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil/ND
Maia assumiu a cadeira de presidente, ocupada por Maranhão, desde o afastamento de Cunha

 

A eleição faz a Casa superar um período de incerteza marcada pela interinidade de Waldir Maranhão (PP-MA), que assumiu a presidência da Casa em 5 de maio, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu por unanimidade afastar o ex-presidente Eduardo Cunha (PMBD-RJ).

O processo eleitoral já vinha sendo discutido desde então, mas foi deflagrado na última quinta-feira, quando Cunha cedeu à pressão de aliados e renunciou à presidência.

A vitória expressiva de Maia representa uma grande derrota de Cunha que tinha preferência por Rosso, seu fiel aliado. Para o peemedebista, convinha ter um nome próximo na sessão em que será votada sua cassação, que deve ocorrer em agosto.

Desde o início, Rosso era dado como favorito, mas no primeiro turno da eleição, que teve 14 candidatos, Maia já saiu na frente – teve 120 votos, enquanto o deputado do Distrito Federal conquistou apoio de 106 parlamentares.

Embora desde que confirmou sua candidatura já se desenhasse um apoio da antiga oposição a ele, somente na tarde de ontem o PSDB, PPS e PSB anunciaram formalmente estar com o deputado. Juntando o DEM, o bloco agrega 117 parlamentares.

Maia chegou a ter promessas de apoio no PT. O partido contudo acabou rachado no primeiro turno com as candidaturas de Orlando Silva (PCdoB-SP) e Luiz Erundina (PSOL-SP). A bancada foi liberada no segundo turno e alguns votos acabaram com Maia.

No discurso que fez no primeiro turno, Maia disse estar pronto para liderar a Casa num momento de crise. “Estive no centro de todos os acordos parlamentares que tentaram evitar que o Brasil naufragasse”, afirmou.

No segundo discurso, antes do resultado final, voltou a prometer uma Câmara “soberana”. “Uma Câmara dos Deputados forte, que nos orgulhemos dos atos.” Destacou, mais uma vez, sua experiência com cinco mandatos.

 

Maryanna Oliveira/Câmara dos Deputados/ND
Votação em primeiro turno foi revelada por volta das 21h50

 

Resultado - primeiro turno

Rodrigo Maia 120 votos; Rogério Rosso 106; Marcelo Castro 70; Giacobo 59; Esperidião Amin 36; Luiza Erundina 22; Fábio Ramalho 18; Orlando Silva 16; Cristiane Brasil 13; Carlos Gaguim 13; Carlos Manato 10; Miro Teixeira 6; Evair de Melo 5

Resultado - segundo turno

Rodrigo Maia 285 votos; Rogério Rosso 170

 

Maia quer "resgate da política" e Rosso propõe "recomeçar história"

Candidato mais votado em primeiro turno, com 120 votos, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que pretende resgatar o protagonismo da Câmara nas grandes decisões do país. “É política com P maiúsculo que queremos regatar, política onde as grandes ideias e os grandes projetos saiam dessa Casa”, disse Maia, recordando que chegou a Casa pela primeira vez aos 15 anos, quando seu pai, César Maia, era deputado Constituinte. “Quando eu cheguei a esta Casa, eu fiquei lá no fundo, porque meu pai me disse: senta lá atrás e fica aprendendo”, lembrou.

Maia defendeu ainda o direito de cada deputado de exercer sua responsabilidade e criticou o que chamou de “império dos líderes”. O deputado também comentou a importância do diálogo, sobretudo com a oposição. “Fui muito criticado porque dialogava com a esquerda. Esta Casa precisa de diálogo. Esse plenário tem 513 deputados eleitos e nenhum pode ser excluído. Quem quer calar a oposição, não quer democracia. Queremos uma oposição forte, que nos ajude a enxergar nossos erros”, completou.

O deputado Rogério Rosso (PSD-DF), que recebeu 106 votos no primeiro turno, ao início de seu discurso, convidou Maia a um abraço para sinalizar a unidade entre os parlamentares. “Qualquer que seja o vencedor, um segundo depois da eleição, que a gente possa recomeçar a história dessa Câmara”, propôs.

De acordo com Rosso, independente do resultado da votação, o Parlamento já venceu. “Já venceu a democracia, a renovação, a esperança por dias melhores”, afirmou. Ele disse que, por morar em Brasília, estará à disposição dos demais parlamentares para atender a cada um. “Vocês têm eleição e eu não. Estarei à disposição de todos o tempo todo.” 

 

Esperidião Amin defende tolerância para superar "maior crise da história"

O deputado federal catarinense Esperidião Amin (PP) foi o penúltimo candidato à presidência da Câmara a discursar. Ex-prefeito de Florianópolis, ex-governador de Santa Catarina e ex-senador, Amin afirmou que deseja o posto para enfrentar “a maior crise da geração”.

Luis Macedo/Câmara dos Deputados/ND
Esperidião Amin foi o único catarinense inscrito na disputa

 

O catarinense começou o discurso saudando os colegas, em especial a bancada feminina. “Um dia nós vamos ter o remédio para que as mulheres do Brasil não reclamem e prestem contas por ter superado a subrepresentação que ainda afligem não só as mulheres, mas prejudica o Brasil”, projetou.

A missão imediata, de acordo com o catarinense, é recuperar a confiança do povo brasileiro no parlamento. “Que o povo possa dizer, ‘vocês nos representam’. Esse desafio não é de uma pessoa, nem de um partido, esse desafio une a todos”, convidou.

Para isso, o caminho defendido pelo parlamentar é o da tolerância. “Se cada um souber compreender a posição do outro, nós estaremos transformando diferenças em somas, uma possibilidade de aprendizado”, alertou.

Amin lembrou que, em 17 anos de vida parlamentar, na Câmara e no Senado, nunca reivindicou cargos em mesas diretoras ou em presidências de comissões. “Até me estranho, e me pergunto, ‘por que queres cumprir essa missão?’ Quem for eleito, não vai cumprir um mandato, vai cumprir uma missão, em um dos momentos mais difícil da nossa história”, assegurou.

O catarinense listou três graves crises vividas atualmente: econômica, social e moral. “Essa última tem um vínculo muito estreito com o próprio parlamento. Nós temos que dar um passo decisivo”, conclamou.

Amin encerrou pedindo voto aos demais colegas. “Gostaria de dirigir a palavra a você que me disse ‘vai Esperidião, vai por que tu estás talhado para essa missão’, e agora me diz, ‘eu tenho condicionantes que me impedem de votar em mim’. Você que acredita no Esperidião, não vai ter outra chance. Essa é a única chance. Por que nós não queremos outra crise como essa”, concluiu.

O pepista ainda agradeceu aos correligionários, em especial à cúpula do partido e ao deputado Fausto Pinato (PP-SP), que renunciou à candidatura pela sigla. (Altair Magagnin)

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