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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Ritmista mais vezes campeão do Carnaval diz que Copa e Protegidos nasceram no mesmo morro

Bairro conhecido como Canudinhos, na região da rua Major Costa, era considerado o berço do samba em Florianópolis, conta ex-rainha da Copa Lord

Edson Rosa
Florianópolis
Eduardo Valente/ND
Augustinho é o batuqueiro mais vezes campeão do Carnaval de Florianópolis.


Homem de gosto simples, que não abre mão do prato de arroz com feijão todos os dias, o pintor de paredes Augusto da Silva Filho, 82, parece mais um desconhecido para as novas gerações do Morro do Céu. Também pode passar despercebido entre os atuais moradores da rua General Vieira da Rosa, principal acesso ao Morro da Caixa de Nossa Senhora do Monte Serrat. Ou quando sobe o Mocotó.  Só os mais velhos sabem que aquele negro esguio, de cabelos de algodão e bom de prosa, é Augustinho do Tamborim, o batuqueiro mais vezes campeão do Carnaval de Florianópolis.

São 29 campeonatos na passarela. Pela Protegidos da Princesa, que defendeu durante 41 anos, foram 20 títulos com nota 10 da bateria “Furiosa”, orgulho do Mocotó. As outras nove conquistas foram comemoradas pela Embaixada Copa Lord, do Morro da Caixa, onde o sambista nasceu. Foram 15 anos honrando as cores vermelho e amarelo, escola que viu nascer nas rodas de samba de sábado à tarde na esquina das ruas Major Costa, Nestor Passos [antigo Caminho Velho] e General Vieira da Rosa, até a década de 1960 o bairro dos Canudinhos.

Ponto de transição entre as comunidades do maciço e a área central da cidade, para lá convergiam sambistas, carnavalescos, foliões e os curiosos dos morros do Céu, Tico-tico, Caixa d’água, Mariquinha e Mocotó.  Concentração de antigos blocos de sujos como Caramuru, Cruz e Sousa, Bororós, era junto à venda do Segundo, mais tarde bar do Tasso, naquela esquina se juntavam Narciso Lima, Boaventura Libânio, Dião, Altamiro Dascuia, Dona Didi, Hélio Cabrinha Armando e Uda Gonzaga, entre tantos outros. Cada um em sua época.

Aposentado, Augustinho do Tamborim tem saudade do amadorismo e do romantismo do passado. “As comunidades viraram noites a fio para preparar cada escola. Era questão de honra fazer bonito na avenida. Hoje, é tudo na base do dinheiro”, compara. Mesmo assim, o sambista reconhece o crescimento das escolas, a evolução técnica, a beleza e a qualidade das fantasias. “Pena, que nem todos no morro possam pagar para desfilar com as fantasias”.

Rivais nascem no mesmo endereço

A escola de samba pioneira em Florianópolis, com 66 anos, também é a mais antiga do Morro da Caixa. Fundada em 1948 pelo oficial da Marinha do Brasil Boaventura Libânio da Silva, a Protegidos da Princesa nasceu em uma casa simples da atual rua Nestor Passos, o Caminho Velho, na frente do Hospital Lara Ribas, da Polícia Militar.

“Mais organizada que os blocos daquela época, a Protegidos ganhou cinco títulos enquanto ainda estava nos Canudinhos. Depois é que mudou-se para o Mocotó”, acrescenta o ritmista aposentado Augustinho do Tamborim, que, em 1955, viu nascer também a Embaixada Copa Lord.

Campeão pelas duas escolas mais antigas e rivais, Augustinho agora veste com orgulho a camisa verde e rosa da Dascuia, que homenageia o cunhado Altamiro José dos Anjos. Pendurou o tamborim, não desfila mais na passarela, mas arregaçou as mangas e deu muitos pitacos em todas as alas da caçula do Carnaval de Florianópolis.

Eduardo Valente/ND
Afastada das passarelas, Tina ainda acompanha a preparação durante o ano


Ex-rainha da Copa torce pela Protegidos da Princesa

Afastada da passarela nos últimos seis anos, a passista veterana Geracina Olga da Fonseca, a Tina, 63, desceu a rua General Vieira da Rosa no fim de tarde desta sexta-feira (13) para ver de perto os carros estacionados no pátio do centro de convenções. Ficou deslumbrada com a combinação de cores e beleza, estimulou o pessoal encarregado dos detalhes finais na montagem das alegorias e não segurou a emoção ao ensaiar alguns passos de duas escolas em especial.

A relação dela com o samba começou cedo, ainda na infância. Nascida e criada no Morro do Céu, comunidade que durante muitos anos foi o segundo reduto da Protegidos da Princesa, aos 15 anos Tina foi morar com os pais na servidão do Encano, uma das transversais da rua General Vieira da Rosa, a principal do Morro da Caixa.  Três anos depois, em 1968, a bela garota foi eleita rainha da Copa Lord. “Naquele ano, não ficamos com o título. Mas fui campeã em outros dois carnavais com as cores Copa”, acrescenta.

Tina ainda tem carinho pela escola com bandeira nas cores vermelho e amarelo. Mesmo porque, a Copa era uma das paixões da mãe dela, Olga Fonseca, falecida em novembro de 2014, do pai Augusto Fonseca e do irmão João Vitorino Fonseca, o Baga, assassinado há 14 anos em crime atribuído pela Polícia Civil à disputa pelo comando do tráfico de drogas na região central do maciço do Morro da Cruz. 

“Tenho muitas ligações com a Copa, com as pessoas de lá. E sinto falta das discussões familiares, principalmente com mamãe, sobre o desempenho das duas escolas . Mas, meu coração é da Protegidos da Princesa”, reforça a passista, que agora tem outro motivo de orgulho: a estreia no primeiro grupo da Dascuia, a escola do Morro do Céu.

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