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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Retirada de comportas sob as pontes da SC-402, Norte da Ilha, agora é prioridade do governo de SC

Conselho gestor libera R$ 300 mil para abertura de licitação para início da obra, considerada por técnicos do ICMBio a mais importante intervenção para regeneração ambiental

Edson Rosa
Florianópolis
Marco Santiago/ND
Comportas bloqueiam o fluxo natural das marés no entorno da Estação de Carijós

Aparentemente simples, a futura retirada das comportas dos rios Papaquara e Ratones é considerada por técnicos do ICMBio (Instituto Chico Mendes da Biodiversidade) a mais importante obra de regeneração ambiental de Florianópolis, com regeneração de pelo menos mil hectares de manguezal na área de amortecimento da Estação Ecológica de Carijós, Norte da Ilha. Anteparos de concreto e ferro, ruínas dos diques construídos entre as décadas de 1950 e 60, ainda estão sob as pontes da SC-402 e bloqueiam o fluxo natural das marés no entorno da unidade federal de conservação.

Reproduções/ND

A dimensão da obra é avaliada pelo chefe de Carijós, oceanógrafo Silvio de Souza, 39, que está otimista com prioridade dada pelo governo do Estado à obra reivindicada por ambientalistas e moradores de Ratones. “Finalmente, a ideia virou projeto. Agora, a expectativa é que o processo burocrático seja bem encaminhado para a obra começar o quanto antes”, diz.

De acordo com estudos preliminares já realizados pelo ICMbio na bacia do Ratones, a remoção das comportas deve ser precedida de dragagem para desassoreamento e retirada dos bancos de areia que ao longo dos anos se acumulam no leito dos rios Ratones, Papaquara e canais abertos na década de 1950 pelo extinto DNOS [Departamento Nacional de Obras e Saneamento].

“Caso contrário, estes sedimentos descerão pela foz em direção à baía Norte, e seria outro problema ambiental”, alerta Souza. Segundo o chefe da reserva de Carijós, já foram feitas tratativas com o Sapiens Parque e com a Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) para empréstimo de equipamento para dragagem do rio.

Independentemente destas tratativas, o próprio Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), que já abriu licitação para retirada das comportas, coloca o desassoreamento de 4,5 quilômetros do rio como segunda etapa do projeto inicial para regeneração da maior bacia hidrográfica de Florianópolis, com 61 quilômetros quadrados de extensão.

Assoreamento fica acelerado

A primeira etapa, que consiste na retirada das comportas,  recebeu aval do Conselho Gestor do Governo do Estado, em setembro. Foram liberados R$ 300 mil para abertura de licitação e contratação da empresa responsável pela elaboração do projeto, processo que precederá a ordem de serviço e início da obra. A ação do governo do Estado foi motivada por ação civil pública da Defensoria Pública Federal contra Deinfra e Ibama, graças a insistência de grupo de pescadores e moradores de Ratones.

Além de impedir a passagem de cardumes de peixes e camarões rio acima, para fora da reserva e onde é permitida a atividade de pescadores licenciados, as comportas aceleram o processo de assoreamento de riachos e canais que atravessam Carijós. Posteriormente, o ICMBio deve concluir recadastramento das ocupações no entorno, como determina o plano de manejo da Estação Ecológica de Carijós, para tentar identificar a carga de esgoto sem tratamento lançada diariamente na região.

 

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