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Restauração da Catedral Metropolitana de Florianópolis chega à quarta etapa

Nesta fase, os sete altares serão recuperados. As escavações das ossadas humanas encontradas no interior da igreja permanecem sob sigilo

Maiara Gonçalves
Florianópolis

 

VICTOR CARLSON/ND

Operários trabalham na restauração dos altares

 

A obra de restauração da Catedral Metropolitana de Florianópolis, símbolo turístico e religioso do Centro da Capital, chegou à quarta e penúltima etapa nesta semana. Em reforma desde 2005, a previsão é que esta fase, de recuperação dos sete altares da igreja, dure aproximadamente um ano. Os profissionais estão concentrados no trabalho de limpeza, pesquisa e estudo.

 

De acordo com o presidente da comissão de restauração, Roberto Bentes de Sá, a quarta etapa está orçada em cerca de R$ 1,4 milhão e representa uma fase delicada do processo. Uma proposta de intervenção artística será posteriormente apresentada à FCC (Fundação Catarinense de Cultura) e ao Ipuf (Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis) para aprovação.

 

“Deverá ser feita uma prospecção do material usado na época, provavelmente lâminas de fio de ouro, para ser restaurado com material semelhante. Hoje, no mundo inteiro o processo de restauração funciona assim. Aqui, na Catedral, já se gastou muito com restauro, mas da forma errada”, explica o presidente, ressaltando que o trabalho tem o objetivo de devolver à Catedral as características originais.

 

O pároco e reitor da Catedral, padre Francisco de Assis Wloch, reforçou o pedido de tranquilidade e paciência aos fiéis e visitantes que precisam conviver diretamente com a instalação dos andaimes e a presença dos trabalhadores. “Pedimos muita compreensão já que o processo sempre traz algum incômodo aos fiéis”, lembra o pároco. A auxiliar de cozinha Elenita Bueno de Lima, 48, sempre que pode leva a neta Isabella, de apenas 2 anos, à Catedral. “As obras não atrapalham a oração”, diz Elenita.

 

Na avaliação do padre Chico, como é conhecido na comunidade religiosa, o restauro dará mais força à igreja. “Recordar é viver. Quando você redescobre algo que ficou escondido, isso traz uma nova motivação, mais ânimo. Com a casa recuperada e adequada à realidade, haverá mais participação dos fiéis, mais alegria de viver”, acredita.

 

 

Museu será inaugurado em 18 de março junto a despedida de Dom Murilo


Está em fase de conclusão o espaço museal e a nova sacristia. O museu será inaugurado no dia 18 de março, às 19h30, após a cerimônia de despedida de Dom Murilo Krieger, que está deixando a Diocese de Florianópolis para se tornar Arcebispo Primaz do Brasil, em Salvador. Haverá novidades nas peças expostas, algumas raridades que a Igreja conseguiu trazer para a Catedral, mas os detalhes ainda estão guardados a sete chaves. 

 

Com investimento total previsto em R$ 12 milhões, financiados por meio da lei Rouanet, os trabalhos de restauro são conduzidos pela empresa Concrejato, especializada em edificações históricas, além de especialistas da área de restauração dos bens integrados e obras sacras. A quinta e última etapa será a reforma da Casa Paroquial e dos antigos cinemas Roxy e Ritz, que completam o complexo da Catedral.

 

As três primeiras fases recuperaram as coberturas, estruturas, área externa, fachada, climatização, controle de umidade e iluminação externa. Recentemente, foram instaladas 21 câmeras de vigilância eletrônica com sistema de monitoramento dentro e fora da Catedral. A previsão para que toda a obra fique pronta é 2015.

 

 

Escavações das ossadas humanas permanecem sob sigilo


Em outubro, durante a terceira etapa das obras de restauração, os trabalhadores encontraram ossadas humanas sob o assoalho da Catedral. A descoberta levou a um estudo arqueológico, com aval da superintendência catarinense do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que atribui as ossadas a integrantes da Irmandade Católica da Terceira Ordem, que tinham por hábito realizar os enterros dentro ou no entorno das igrejas. Registros históricos também afirmam que há corpos de dois ex-governadores da província enterrados nas paredes da Catedral, o que ainda será verificado pela equipe de arqueólogos, que mantém as escavações em total sigilo.

 

Conforme o coordenador dos trabalhos, o arqueólogo Osvaldo Paulino da Silva, metade do processo está concluída. A previsão para este ano é abrir o trabalho à visitação, com a instalação de uma porta de vidro, para que os fiéis possam observar as escavações. “Embora fosse uma prática comum (enterrar os mortos nas igrejas), o aparecimento dessas ossadas humanas aguçou a curiosidade das pessoas”, justifica o arqueólogo. A equipe prevê para este mês uma entrevista coletiva com a imprensa para dar mais detalhes sobre as escavações.

 

 

SAIBA MAIS


* Em 1678 foi construída uma capelinha no ponto mais alto e visível da pequena vila de Nossa Senhora do Desterro, pelo fundador da cidade, o bandeirante Francisco Dias Velho.

 

* Em 1748, foi então projetada, pelo primeiro governador da antiga Capitania, José da Silva Paes, a Matriz Catedral de Nossa Senhora do Desterro.

 

* Foram diversas reformas. Antes do atual processo de restauração iniciado em 2005, a maior delas havia sido feita em 1922.

 

* Hoje, a Catedral Metropolitana de Florianópolis é patrimônio histórico municipal e estadual.

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