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Ressaca avança sobre a área de restinga no Morro das Pedras, em Florianópolis

Proteção de pedras está sendo construída para proteger a rodovia SC-406, que é o principal acesso ao extremo Sul da Ilha, e uma adutora da Casan, mas vegetação sobre as dunas sofre com erosão

Michael Gonçalves
Florianópolis
23/10/2017 às 18H12

Com a construção do enrocamento em andamento, o mar avança sobre a restinga na Praia do Caldeirão, bairro Morro das Pedras, em Florianópolis. O proteção de pedras está sendo construída para preservar a rodovia SC-406, principal acesso ao extremo Sul da Ilha, e uma adutora da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento). O chefe do departamento de licenciamento ambiental da Floram (Fundação do Meio Ambiente), Francisco Antônio da Silva Filho, informou que monitora a região e não descarta uma nova intervenção.

Especial Fúria do Mar: a ressaca em Florianópolis

Seis praias da Ilha de Santa Catarina - Caldeirão, Matadeiro, Mole, Canasvieiras, Ingleses e Brava - sofrem com as fortes ressacas desde o mês de maio. O fenômeno da natureza, que é a junção do aumento das marés com o empilhamento de água na costa em função dos ventos, provoca a erosão em diferentes regiões do Norte e do Sul da Ilha.

Com a construção do enrocamento, o mar avança sobre a restinga - Daniel Queiroz/ND
Com a construção do enrocamento, o mar avança sobre a restinga - Daniel Queiroz/ND



“Estamos acompanhando os trabalhos, porque queremos saber como a região vai se comportar com o enrocamento. Avaliamos o que pode ser feito, mas a previsão é de ondas e maré alta para os próximos dias. Uma das sugestões é a recolocação da faixa de areia para proteger a restinga, mas surgem alguns questionamentos, como o de onde vem a areia? Aguardamos o recuo do mar para fazer uma avaliação mais criteriosa”, explicou Francisco. Segundo o chefe da unidade de conservação da Lagoa do Peri, Mauro Costa, em determinados pontos o mar já provocou 50 metros de erosão nas dunas protegidas pela vegetação.

Quem passa pela rodovia SC-406 não perde a oportunidade de observar a força da natureza em ação. O engenheiro mecânico Diego Weber, 32, que gosta de pedalar pela região, já percebeu a transformação da praia. “Desde o começo da obra na semana passada, a praia perdeu muita areia. Acredito que a energia das ondas está sendo transferida para a região de restinga e se não colocarem areia teremos muito mais erosão”, comentou.

O enrocamento terá o custo de R$ 180 mil e deve ficar concluído nas próximas semanas. Serão 2.500 m³ de pedras em uma extensão de 120m, com quatro metros de altura.

 

Oceanógrafo defende um estudo para saber a intervenção mais adequada

O oceanógrafo Argeu Vanz, da Epagri/Ciram, explica que a erosão provocada pela ressaca não é localizada em um determinado ponto. Ele informou que a construção do enrocamento é uma solução paliativa para proteger a rodovia SC-406 e uma adutora da Casan. O oceanógrafo defende um estudo mais aprofundado.

“Não tenho como afirmar se a construção do enrocamento vai provocar erosão em outros pontos. Precisamos ter a ciência de que o fenômeno não é localizado, porque acontece em toda a extensão da praia. Precisamos de um estudo mais aprofundado para saber qual a intervenção mais adequada, porque a causa pode estar bem distante daquele local”, destacou.

O enrocamento construído na Praia da Armação, em 2010, salvou dezenas de casas, mas a praia nunca mais voltou a ser a mesma no local da intervenção com as pedras. A faixa de areia não se recuperou da maneira original.

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