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República Democrática do Congo anuncia novo surto de ebola

A doença vitimou cerca de 20 pessoas no país na última semana

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
02/08/2018 às 12H05

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A República Democrática do Congo anunciou nesta quarta-feira (1º) um novo surto de ebola no leste do país, com 20 mortos, cerca de uma semana depois de declarar o fim de uma epidemia na região noroeste. 

A província de Kivu do Norte notificou o Ministério da Saúde de "26 casos de febre com indicações hemorrágicas, dos quais 20 foram fatais", afirmou o ministro da Saúde, Oly Ilunga Kalenga, em um comunicado. 

Nova epidemia da doença no país já vitimou cerca de 20 pessoas - Morgana Wingard/USAID/ND
Nova epidemia da doença no país já vitimou cerca de 20 pessoas - Morgana Wingard/USAID/ND


O surto ocorreu na região de Beni, em Kivu do Norte -bastião de uma milícia islamita ligada a Uganda chamada Forças Democráticas Aliadas (ADF). 

"Neste ponto, não há indicação de que essas duas epidemias, que estão a mais de 2.500 quilômetros de distância, estejam conectadas", disse. 

Seis amostras coletadas de pacientes hospitalizados chegaram a capital Kinshasa na terça-feira (31) para análise pelo Instituto Nacional de Pesquisas Biomédicas (INRB), acrescentou. 

Das seis, quatro testaram positivo para a doença do vírus ebola. Doze especialistas do Ministério da Saúde chegaram a Beni nesta quinta-feira (2). Técnicos da Organização Mundial da Saúde (OMS), da ONU e do Banco Mundial também foram enviados ao país para ajudar no caso. . 

Em 24 de julho, o próprio Ilunga declarou o fim de um surto de 10 semanas que atingiu o noroeste da República Democrática do Congo, causando 33 mortes e provocando preocupação internacional. 

Os casos surgiram na cidade de Mbandaka, nas margens do rio Congo, com uma população de mais de um milhão pessoas. 

O ebola é um vírus que provoca hemorragias intensas, falência de órgãos e pode levar à morte - Morgana Wingard/USAID/ND
O ebola é um vírus que provoca hemorragias intensas, falência de órgãos e pode levar à morte - Morgana Wingard/USAID/ND


Para muitos especialistas, a doença contagiosa em um ambiente urbano é muito mais difícil de conter do que no campo, especialmente em um país pobre com um sistema de saúde frágil.

A epidemia foi combatida com a ajuda da OMS, que apressou a ajuda de emergência, incluindo equipamentos de proteção, e desbloqueou US$ 2 milhões (R$ 7,55 milhões) em financiamento. 

A OMS forneceu ainda uma vacina que provou ser altamente eficaz em testes durante a pandemia da África Ocidental.  

O último surto é o décimo registrado na República Democrática do Congo desde 1976, quando o vírus foi descoberto no norte do país, então chamado Zaire, e recebeu o nome de um rio próximo. 

O ebola, uma das doenças mais temidas do mundo, é uma febre hemorrágica causada por vírus que, em casos extremos, causa sangramento fatal em órgãos internos, boca, olhos ou ouvidos. 

O vírus tem um reservatório natural em uma espécie de morcego frugívoro tropical africano, a partir do qual acredita-se que salta para os humanos que matam os animais para alimentação. 

A transmissão entre os humanos, então, ocorre através de contato próximo com o sangue, fluidos corporais, secreções ou órgãos de alguém que está infectado com ebola ou que morreu recentemente. 

A taxa de mortalidade média é de cerca de 50%, variando de 25% a 90%, segundo a OMS. 

No pior surto de ebola, a doença atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa, na África Ocidental, entre 2013 e 2015, matando mais de 11.300 pessoas.

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